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Cães e gatos podem ser amigos? Tutores provam que esta união é possível

Thais Denker vive com sua cadela Beagle e três gatos - Fernando Moraes/UOL
Thais Denker vive com sua cadela Beagle e três gatos Imagem: Fernando Moraes/UOL

Juliana Finardi

Colaboração com Nossa

16/03/2021 04h00

Simão é a alma gêmea da Thaís. Não, este não vai ser um texto de um casal apaixonado, mas sobre o amor multi-espécies, sobre humanos, cães e gatos. Foi o gatinho que cutucou o braço de Thaís Denker, 36 anos, quando ela procurava companhia para Bárbara, sua outra gatinha.

O sonho da publicitária, porém, era mesmo ter um cachorrinho da raça beagle, famosa nos desenhos animados pelo representante Snoopy e por serem doguinhos brincalhões, curiosos, inteligentes e com muita energia. Por isso, sempre foi desencorajada pela mãe e pelos amigos a conviver com o que poderia ser um "problema". Ela nunca desistiu.

Após retornar de uma temporada em Londres, há 8 anos, Thaís ganhou Quest, a cachorrinha que ela tanto queria. Não demorou muito a chegar Cristal, mais uma gatinha que era da mãe de Thaís e acabou ficando. Estava formada a família composta pela humana, cachorra e gatinhos.

Thais Denker comprova que amizade entre cães e gatos é possível - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Thais Denker comprova que amizade entre cães e gatos é possível
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Mas será que cães e gatos podem ser amigos? Thaís garante a resposta positiva à pergunta sem nem pensar. "A Quest ficou muito amiga do Simão", diz. Antes da chegada da cachorrinha, ela já tinha lido três livros sobre o assunto e contratado uma adestradora para aprender como deveria apresentar a Quest para os gatos.

"Ela me deu algumas dicas de aproximação, como por exemplo a cachorra ficar no meu quarto antes de colocá-la em contato direto com os gatos e eles terem bastante espaço de fuga onde ela não pudesse alcançar", explica Thaís, que manteve 100% de supervisão durante a primeira semana de convivência.

Equilíbrio das espécies

A veterinária comportamentalista Katia De Martino, que também é tutora de dois cães (Mexerica, da raça Jack Russel, e Lichia, buldogue francês) e um gato (Caju), aprova os procedimentos de Thaís para a socialização das espécies e reforça a necessidade de possibilitar uma rota de fuga para os gatos.

É preciso colocar o gato sempre em lugares verticais onde o cão não tenha acesso e o gato sinta-se mais protegido para este primeiro contato.

No começo, eles vão ficar eufóricos, principalmente o cachorro, pelo cheiro do gato, mas a tendência é que gradativamente o cão sinta a presença do gato e ele sinta-se mais confortável, desça e queira conviver", indica.

Ela também afirmou que no caso dos seus pets pensou bastante antes de trazer o gato para o convívio das cachorras e que optou por um felino filhote.

"Fui atrás de um filhote exatamente por isso, para ele ter um pouco mais de interesse em querer chegar perto das cachorras. Então, essa forma de interação e abordagem foi muito mais rápida por ele ser mais tranquilo ao querer chegar perto delas, e elas acabaram aceitando super bem."

Ela recomenda o mesmo para quem está pensando em adotar um gatinho e já tem cães.

"Se pensarmos em um gato muito velho com um filhote de cão pode ser que haja problema até pelo excesso de energia do cachorro ao querer chegar perto do gato e ele esteja mais letárgico, sem querer muito contato.

Porém, o inverso pode ser interessante. Um cachorro mais idoso, com menos atividade, com um filhote de gato porque ele acaba sendo um pouco mais desbravador, curioso, e pelo fato de o cachorro não ter muito interesse, ele pode chegar mais perto do cão", afirma.

Questão de paciência

Nathalia Bonfim vive com três câes e três gatos - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Natalia Bonfim vive com três cães e três gatos
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Na casa da psicóloga Natalia Bonfim, 35 anos, os gatos chegaram antes. "No começo é difícil porque os gatos são super territorialistas e ficam estressados, bravos, mas depois eles aceitam. Quando eu trouxe a Lari (cachorra), que peguei quando já estava adulta, ela também teve de se adaptar porque não estava acostumada com gato. Queria brincar e eles viam aquele monstro para o tamanho deles. Depois, todos foram aceitando ficar perto e conviver. Foi uma questão de tempo e paciência", disse.

Natalia é a prova viva de que cães e gatos podem conviver muito bem. Em sua casa são quatro gatos (Brisa, Ozzy, Mafalda e Fredinho) e três cães (Lari, uma SRD, Batatinha, uma lhasa apso, e Billy, um cocker). Ela recomenda a experiência de unir as duas espécies porque os animais "complementam-se em suas personalidades".

Os cães fazem muita companhia, os gatos são mais 'na deles'. Também é gostoso porque são bichos que têm autonomia, mas também são muito carinhosos."

Paciência e muito carinho ajudaram a convivência na casa de Natalia Bonfim - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Paciência e muito carinho ajudaram a convivência na casa de Natalia Bonfim
Imagem: Fernando Moraes/UOL

A veterinária Giulliana Tessari P. Borges, gerente técnica de Vidas da Petz, afirma que para unir as espécies no mesmo ambiente é importante considerar as peculiaridades de cada caso.

Ela recomenda que não se adquira outro animal caso o residente esteja doente ou idoso. Além disso, evitar introduzir animais de outra espécie caso já tenha havido acidentes anteriores (cães que já tenham perseguido ou caçado gatos, por exemplo), evitar animais que tenham traumas (medos ou fobias da outra espécie), e quando introduzir outro animal, não faça de maneira imediata.

"Tenha um cômodo separado da residência para que adaptações sejam realizadas de forma gradativa. Por fim, busque auxílio de um profissional experiente", recomenda.

Para Katia, "os tutores ficam muito ansiosos em querer deixar os animais se aproximarem, mas ao mesmo tempo têm medo e às vezes acabam pecando pelo excesso ou pela falta do contato entre eles."

Natalia Bonfim e sua família meio felina, meio canina - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Natalia Bonfim e sua família meio felina, meio canina
Imagem: Fernando Moraes/UOL
Jeitinho de cão ou de gato? Por que não ter os dois em casa? - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Jeitinho de cão ou de gato? Por que não ter os dois em casa?
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Após persistir na socialização, a recompensa é a convivência com duas espécies fascinantes. "É meu yin e meu yang, preciso das duas espécies para me equilibrar. O gato me traz algumas coisas que o cachorro não. Os felinos são mais contemplativos, gosto dessa energia que eles têm, são charmosos, nos observam. Já os cães têm essa questão de calor, de receber, de podermos levar para passear", conclui Thaís.