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Charles do Bronx se reinventou após ser pai e luta para ser campeão do UFC

Charles Oliveira e a filha Tayla - Reprodução/Glamour foto e art
Charles Oliveira e a filha Tayla Imagem: Reprodução/Glamour foto e art

Brunno Carvalho

Do UOL, em São Paulo

15/05/2021 04h00

O ano de 2017 marcou a virada na carreira de Charles do Bronx dentro do UFC. Depois de uma sequência de três derrotas em quatro lutas, o brasileiro decidiu deixar a categoria dos penas e voltar para a dos leves. Fora do octógono, se tornava pai pela primeira vez com o nascimento de Tayla. Os dois pontos são citados por ele como fundamentais no processo de reconstrução que atinge seu ápice hoje (15), quando ele sobe ao octógono para enfrentar Michael Chandler, valendo o cinturão dos leves do Ultimate.

"Depois que minha filha nasceu, minha cabeça mudou. Eu me tornei mais profissional e fechei com um grupo de pessoas que queria a mesma coisa que eu, que era ser campeão. Treinamos, nos dedicamos e estamos fazendo por onde", explicou ao UOL Esporte.

O processo de reconstrução começou em 2016. Além de saber que seria pai, Do Bronx decidiu se juntar à academia Chute Boxe, comandada por Diego Lima. Os dois tinham uma relação antiga, mas nunca haviam tido uma parceria longa. A missão era transformar o paulista em um lutador completo. Dominante no chão, Charles ainda mostrava muitas falhas na luta em pé.

Diego Lima, líder da Chute Boxe, e Charles do Bronx - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Diego Lima e Charles do Bronx formaram parceria de sucesso. Cinturão seria o auge da dupla
Imagem: Reprodução/Instagram

"Eu acho que não tem mais como você ser um campeão de MMA defendendo apenas uma bandeira. Você tem seu carro-forte. O Charles é sinistro no chão, então o carro-forte dele sempre vai ser o chão. Mas não podemos esquecer a trocação. E a ideia era de que o Charles fosse um cara completo, para que os adversários não ficassem apenas com medo dele no chão, mas também na hora de trocar porrada", explica Diego Lima.

A mudança ficou clara durante a sequência de oito vitórias que credenciou Do Bronx a disputar o cinturão. Além de cinco vitórias por finalização e uma por decisão unânime, o paulista conseguiu dois nocautes, contra Nick Lentz e Jared Gordon, algo que não havia acontecido nos quase 11 anos em que ele está no UFC.

"Eu venho evoluindo na parte em pé. E não estou só falando isso, estou mostrando luta após luta. Os caras que eram trocadores de porrada tentaram me botar para baixo e foram finalizados. Quando eles não foram finalizados, foram nocauteados. Isso mostra o quanto eu venho evoluindo na Chute Boxe Diego Lima", disse Do Bronx, em entrevista virtual na última terça-feira (11).

Além de evoluir a parte em pé, os dois decidiram traçar um plano em busca do cinturão. Naquele momento, Do Bronx estava longe de ser cotado para lutar pelo título. Logo de cara, acabou nocauteado por Paul Felder, em dezembro de 2017.

"Aquela luta foi um divisor de águas para nós, porque tínhamos seguido a estratégia, mas a vitória não veio. Então nós sentamos e conversamos. 'A gente chegou ande a gente queria, mas não conseguimos terminar a luta. Se conseguirmos terminar, já era", conta Lima.

E conseguiram mesmo. As quatro lutas sequentes terminaram em vitórias por finalização, sempre antes do segundo round. "Ali realmente fomos para as cabeças", sentencia o treinador.

Mudança de postura também nas redes sociais

Charles do Bronx comemora vitória contra Tony Ferguson - Jeff Bottari/Zuffa LLC via Getty Images - Jeff Bottari/Zuffa LLC via Getty Images
Charles do Bronx pede luta por cinturão após vencer Tony Ferguson
Imagem: Jeff Bottari/Zuffa LLC via Getty Images

Ter a chance de disputar o cinturão em uma organização como o UFC não depende apenas dos resultados conquistados dentro do octógono. O potencial comercial do lutador também é levado em conta. Junto com Diego Lima, Charles do Bronx entendeu que precisava mudar algumas coisas para convencer Dana White de que era um atleta interessante para o público.

"O Charles não é o cara da provocação e nunca será, mas ele tem um marketing muito bom. Ele sempre falava: 'Lima, quero conquistar o cinturão com os meus punhos, não com a minha boca'. A gente reativou o Twitter dele, ele começou a bombar no Instagram, a participar mais de entrevistas. Fizemos tudo para mostrar para o UFC que o Charles vendia bem sendo ele, não tentando fazer um personagem", explica Diego Lima.

A mudança de postura foi vista principalmente depois da vitória sobre Tony Ferguson. Charles do Bronx dominou os três rounds e bateu o pé: só voltaria ao octógono para lutar pelo cinturão. A aposta era arriscada, já que a aposentadoria de Khabib Nurmagomedov ainda era uma incógnita e outros nomes também apareciam na fila, como Dustin Poirier, que venceu Conor McGregor, e Michael Chandler.

A estratégia acabou dando certo. O UFC definiu que o brasileiro enfrentaria Michael Chandler pelo cinturão e Dustin Poirier faria a trilogia com Conor McGregor. Do Bronx credita a confiança na estratégia à mudança de postura após virar pai. "Eu passei a ser mais decidido em relação aos meus objetivos".

O último passo na reconstrução de Charles do Bronx acontece hoje, em Houston, nos Estados Unidos. Ele e Michael Chandler fazem a luta principal do UFC 262, que contará com outros seis brasileiros.

UFC 262

CARD PRINCIPAL (a partir das 23h - horário de Brasília):

Título Peso-leve: Charles do Bronx x Michael Chandler
Peso-leve: Tony Ferguson x Beneil Dariush
Peso-galo: Matt Schnell x Rogério Bontorin
Peso-mosca: Katlyn Chookagian x Viviane Araújo
Peso-pena: Shane Burgos x Edson Barboza

CARD PRELIMINAR (a partir das 19h30, horário de Brasília):
Peso-médio: Ronaldo Jacaré x André Sergipano
Peso-pena: Lando Vannata x Mike Grundy
Peso-médio: Jordan Wright x Jamie Pickett
Peso-mosca: Andrea Lee x Antonina Shevchenko
Peso-mosca: Gina Mazany x Priscila Pedrita
Peso-pena: Kevin Aguilar x Tucker Lutz
Peso-leve: Sean Soriano x Christos Giagos

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