PUBLICIDADE
Topo

Torcedores japoneses buscam 'plano B' para desfrutar Olimpíadas de Tóquio

Kyoko Ishikawa em apresentação da força aérea japonesa antes da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio-2020 - Yasuyoshi Chiba/AFP
Kyoko Ishikawa em apresentação da força aérea japonesa antes da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio-2020 Imagem: Yasuyoshi Chiba/AFP

Da AFP

De Tóquio, no Japão

23/07/2021 07h27

Kyoko Ishikawa e Kazunori Takishima, dois torcedores japoneses emblemáticos, viajaram o mundo para viver cada edição dos Jogos Olímpicos de Tóquio deveria ser um evento muito especial para eles. No entanto, a pandemia motivou a disputa das modalidades com portões fechados e ambos tiveram que inventar alternativas para desfrutá-los de alguma forma.

Aos 51 anos, Kyoko compareceu a todos os Jogos de Verão desde Barcelona-1992. Em três décadas ela se tornou um rosto conhecido nas instalações olímpicas, com suas tradicionais roupas japonesas e uma faixa na cabeça com as cores vermelho e branco.

Ela tinha o sonho de assistir aos Jogos de Tóquio em seu país e conseguiu ingressos para provas de luta livre. Mas, no início de julho, os organizadores anunciaram que o evento seria praticamente sem torcedores devido ao aumento dos casos de coronavírus.

Sem cair no desânimo, Ishikawa encontrou outra forma de torcer pelos atletas, cantando e dançando em frente à televisão de sua sala, decorada com objetos olímpicos obtidos ao redor do mundo.

Ela estará em contato com outros torcedores de todas as partes do planeta por videoconferência e nas redes sociais. Também planeja conhecer os países dos atletas que assistir na TV por meio de livros e mapas. E vai acompanhar tudo em casa, comendo e bebendo especialidades de diversos países.

"Reunir as pessoas"

Kyoko Ishikawa está convencida de que os Jogos podem servir para unir, mesmo em meio a uma pandemia.

"Os Jogos Olímpicos são uma ocasião especial e para cada ocasião especial da vida é preciso aproximar as pessoas", avalia. "É a mesma coisa desta vez. Seja qual for o método, esse princípio fundamental não muda", diz ela.

Kazunori Takishima, de 45 anos, também acredita nesse princípio de coesão para o qual os Jogos contribuem, graças à emoção compartilhada pelas atuações dos atletas.

Ele compareceu a todos os Jogos - de inverno e verão - desde Turim-2006, onde ficou maravilhado com o clima olímpico quando estranhos o parabenizaram após o título olímpico da patinadora artística japonesa Shizuka Arakawa.

Nos últimos 15 anos, conseguiu participar de 106 eventos em todas as cidades-sede dos Jogos e esperava acrescentar mais 28 à lista durante a quinzena de Tóquio-2020, para quebrar o recorde de outro torcedor, que hoje é de 128.

Kazunori, um rico empresário, comprou 197 ingressos para os Jogos de Tóquio, gastando o equivalente a 30.000 euros (35.300 dólares), e esperava compartilhar sua paixão com a família, amigos e funcionários.

"Eu gostaria que eles vivessem essa experiência. Posso tentar explicar a eles, mas uma emoção não se transmite plenamente. É preciso estar no lugar e ver por si mesmo", lamenta.

Lágrimas "sinceras"

Kazunori Takishima diz que no seu dia-a-dia se inspira no empenho e no esforço dos atletas, que derramam lágrimas "sinceras" de alegria, frustração ou dor.

"No dia a dia, você não vê ninguém com lágrimas de verdade", observa ele. "Mas os esportistas comprometem suas vidas".

"Encontro muitos obstáculos no meu trabalho. Mas nesses momentos digo a mim mesmo que isso não é nada comparado às lágrimas reais que os atletas choram", acrescenta.

Kazunori decidiu ir ao Estádio Olímpico de Tóquio antes da cerimônia de abertura nesta sexta-feira, embora não possa entrar.

Do entorno, espera ver os fogos de artifício lançados de dentro e de alguma forma sentir o clima olímpico, assistindo à cerimônia pelo celular.

Ele também critica as autoridades por não terem conseguido implementar as medidas necessárias para que os Jogos aconteçam com público.

Apesar dos obstáculos e das pesquisas de opinião, ele continua apoiando Tóquio-2020.

"Estou determinado a apoiá-los. Não mudei nada", garante.