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Daniel Alves era pequeno e frágil, mas quebrou uma trave com um chute

Daniel Alves comemora a conquista da medalha de ouro pela seleção brasileira  - Xinhua/Cao Can
Daniel Alves comemora a conquista da medalha de ouro pela seleção brasileira Imagem: Xinhua/Cao Can

Roberto Salim

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/08/2021 14h00

Era pequeno e aparentemente frágil, mas chutava forte demais. Jogava muito bola. Certa vez, derrubou a trave em um jogo da molecada que estava sendo testada pelo técnico Caboclinho, em Juazeiro, na Bahia. Hoje esse menino é um veterano do futebol. E, aos 38 anos, conquistou um dos maiores títulos de sua carreira: a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. O nome do garoto é Daniel Alves.

"A trave era de madeira e amarrada com corda, e o travessão quase caiu na cabeça do goleiro". Quem não se esquece da cena é o radialista e ex-treinador de futebol Guanair Atanásio, que hoje em dia apresenta o programa "Show da Cidade", na rádio Cidade 870 AM de Juazeiro.

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Assistindo à final olímpica pela televisão, ele recuou no tempo e viu novamente em ação aquele menino que começou a jogar bola no distrito de Salitre, no time do seu pai, o velho Domingos. "Contra a Espanha ele parecia um garoto de 20 anos, no meio dos guris. Daniel Alves joga muito. É um predestinado. E o que é bonito é que transformou a vida de toda a família, que vivia em situação crítica, de baixa renda, uma família de plantadores".

Domingos, o pai, tinha um time em que jogavam Daniel e seu irmão Nei Alves. Um dia, o técnico Caboclinho levou Guanair Atanásio para ver o time do Salitre em ação. "O Caboclinho já tinha me falado do Daniel. E de lá acabamos trazendo para o Juazeiro Social Clube. Tinha o talento, mas era pequeno. Era precoce, tanto que o levei para a Copa Bahia, que era sub-18, mas apenas para que ganhasse vivência com os demais. Era ainda muito novo, mas acabou voltando de Salvador como titular".

Guanair diz que foi aí que começou a acreditar: aquele menino era mesmo um diamante a ser lapidado. Mais um nome de destaque de sua terra que já tinha dado craques como Luiz Pereira no futebol e artistas do porte de Ivete Sangalo e João Gilberto. "Rapaz, a camisa do time quase chegava no tornozelo do moleque. Ele é pequeno até hoje. Imagina naquele tempo? Na época tínhamos contatos no Vitória e no Bahia e ele foi para o Bahia".

Daí é história. Daniel Alves foi para o Sevilla, teve uma carreira inesquecível no Barcelona, passou pela Juventus, PSG e agora o São Paulo. E a seleção brasileira, é claro.

Com o tempo o contato de Guanair com o lateral foi se perdendo. "Tenho uma camisa da seleção brasileira sub-20 e outra do Barcelona que o Domingos me trouxe. Teve uma vez que o Daniel esteve aqui na cidade e participou do meu programa. E como ele gosta de uma resenha e é muito brincalhão, me deu a entrevista em espanhol".

Há alguns anos, Daniel Alves realizou no estádio Adauto Moraes, de Juazeiro, um jogo beneficente e convidou Guanair Atanásio para ser o treinador de sua equipe. "Coloquei ele lá na frente, com a camisa 10. Daniel ficou todo feliz, parece que eu já estava adivinhando a nova posição dele. O estádio, que tem capacidade pra 10 mil pessoas, devia ter uma 15 mil, tinha gente até dentro do campo. Foi uma grande festa".