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À vontade entre garotos, Daniel Alves lidera com físico e "auge mental"

Daniel Alves durante partida da seleção brasileira olímpica contra o Egito; ele atuou nos quatro jogos até o fim - Buda Mendes/Getty Images
Daniel Alves durante partida da seleção brasileira olímpica contra o Egito; ele atuou nos quatro jogos até o fim Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

01/08/2021 04h00

Em nome de sua vontade de disputar e vencer uma Olimpíada e voltar ao radar da seleção brasileira principal de olho na Copa do Mundo do Qatar, o lateral-direito Daniel Alves aceitou que se tornaria alvo de críticas de torcedores do São Paulo — o clube que torce e onde joga há quase dois anos. Apesar da alta exposição nos bastidores, o jogador de 38 anos tem se mostrado inteiro e sereno na disputa da Tóquio-2020 em que o Brasil já é semifinalista e enfrenta o México na terça-feira (3), às 5h.

A impressão de pessoas do convívio da seleção no Japão ouvidas pelo UOL Esporte foi confirmada pelo técnico André Jardine, que mencionou a expressão "auge de sua forma mental" para definir o momento de Daniel Alves. O jogador do São Paulo tem o dobro da idade de Reinier, o mais jovem do grupo, e exerce liderança não só pela idade, mas pelo exemplo.

Na primeira semana de concentração do elenco no Japão, Daniel Alves chamou atenção de funcionários do hotel onde a delegação estava hospedada por fazer tiros de corrida nos corredores já de noite, bem depois do treinamento. Essa disposição do ponto de vista físico do jogador mais velho do grupo teve um efeito positivo internamente.

Daniel Alves - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Daniel Alves em treino físico no Japão
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Além disso, o jogador do São Paulo carrega o mesmo bom humor que sempre marcou sua personalidade, comandando as rodas de samba do vestiário e as conversas animadas durante as refeições. Dois novos hábitos é que chamam atenção nos bastidores: ele gosta de ter conversas reservadas com alguns jogadores para falar sobre aspectos de jogo e também é muito participativo nas dinâmicas com a comissão técnica, formada por pessoas mais perto de sua idade. Jardine já falou que há muita "troca de experiências" com o lateral.

A questão do "auge mental" mencionado pelo treinador diz respeito a aspectos de campo: "Ele atingiu um nível de maturidade tática alto, porque não se desgasta à toa dentro do jogo, ultrapassa quando precisa, está sempre bem posicionado para não correr errado ou correr para trás. Eu o vejo hoje no auge de sua forma mental. Talvez não física, mas mental, sim."

Em campo, Daniel Alves é escalado como lateral-direito, mas contra seleções mais defensivas se posiciona como um meia pela direita. O Brasil costuma atacar com cinco jogadores quando tem a bola, sendo quatro atacantes [Claudinho, Antony, Matheus Cunha e Richarlison] e mais um lateral, por isso Daniel Alves e Guilherme Arana se alternam nesse apoio. Quando um avança, o outro fica mais retraído.

Daniel Alves - Lucas Figueiredo/CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Falta cobrada por Daniel Alves rendeu gol de Richarlison contra a Arábia Saudita, na primeira fase
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Pela disposição física, geralmente é Arana quem avança até a linha de fundo para ajudar com cruzamentos e assistências, então Dani vira mais um organizador pela direita. Quando o Brasil precisa se defender ele se torna um lateral-direito convencional que conta com o apoio de Antony para proteger o setor. Ele participou de um gol na partida contra a Arábia Saudita e jogou o tempo todo nos quatro jogos até aqui — inclusive contra a Costa do Marfim, quando a seleção precisou se defender com um jogador a menos durante 70 minutos.

Daniel Alves busca o 42º título da carreira, que está perto de completar 20 anos. No auge da experiência, é um ídolo dos companheiros de seleção olímpica e também da delegação brasileira nas Olimpíadas de Tóquio. Quando os jogadores visitaram a Vila Olímpica na última quinta-feira, o jogador do São Paulo foi o mais assediado por atletas do país e também estrangeiros, com pedidos de fotos e cumprimentos.

Sem sua estrela, o São Paulo tenta se recuperar no Campeonato Brasileiro e aguarda as quartas de final da Copa Libertadores, em que enfrenta o Palmeiras nos dias 10 e 17 de agosto. Como a final olímpica está marcada para o dia 7, a expectativa é já estar em campo do outro lado do mundo para reconquistar a confiança do torcedor.