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Como Luís Castro busca colocar em prática a filosofia da 'família Botafogo'

Jogadores do Botafogo reunidos antes do jogo contra o Atlético-GO, pelo Brasileiro - Vitor Silva / Botafogo
Jogadores do Botafogo reunidos antes do jogo contra o Atlético-GO, pelo Brasileiro Imagem: Vitor Silva / Botafogo

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

29/04/2022 04h00

Avaliação da atuação do time, explicações quanto a substituições e análise de decisões. Todos esses elementos comuns a uma coletiva após um jogo constam nas entrevistas do técnico Luís Castro, mas há também uma expressão que já se tornou rotineira: "família Botafogo". Desde a chegada, o técnico português vem implantando essa filosofia junto ao elenco, que já se mostra envolvido na ideia.

O comandante alvinegro busca a união entre jogadores, comissão técnica e diretoria. Algo que é repetido constantemente nos bastidores é que todos são importantes juntos, dividindo sucesso e se defendendo nos erros.

Na última semana, após o empate com o Atlético-GO, pelo Campeonato Brasileiro, a ideia foi colocada em prática. Depois de conversas no vestiário em que membros do elenco apoiaram Diego Loureiro, goleiro que havia cometido uma falha na partida, os "chefes" o defenderam publicamente, como John Textor, investidor da SAF do Alvinegro, pelo Twitter, e o próprio Luís Castro, na coletiva.

A indicação é que em episódios como este, quando um jogador comete um erro ou algo do gênero, o assunto seja tratado internamente, "dentro de casa", e não extrapolem os muros do clube.

"Apoiei o jogador. Disse que, quando um atacante erra um gol, as pessoas perdoam. Quando um meia erra um passe, as pessoas perdoam. Quando um defensor erra, as pessoas perdoam se não for gol. Infelizmente, quando o goleiro comete, é um homem só no momento do erro. Mas disse que ele nunca está só porque a nossa equipe é uma família", disse, após o duelo com o Dragão.

Castro também visa criar uma integração maior no que diz respeito a assuntos que ultrapassem as quatro linhas, como dores familiares. E não apenas entre jogadores e membros da comissão, mas com todos da delegação. Recentemente, houve, antes do treinamento, uma corrente à beira do gramado como forma de homenagem póstuma a Jordan Ramos do Nascimento, avô do atacante Matheus Nascimento, Tattiana Alice Eleutério, filha da Assistente Social Maristela Eleutério, e Janaína dos Santos, esposa do garçom Cesão.

Jogadores do Botafogo fazem uma corrente antes do treino, em homenagem póstuma a parentes de integrantes da delegação - Vitor Silva / Botafogo - Vitor Silva / Botafogo
Imagem: Vitor Silva / Botafogo

O treinador português também já organizou um churrasco no Espaço Lonier, local que tem sido usado para treinamentos, para confraternização de entre atletas, comissão e estafe.

O comandante chegou a General Severiano há cerca de um mês e, desde então, iniciou o trabalho. Já na entrevista de apresentação havia citado a "família Botafogo", ao apontar o motivo da escolha em assinar com o clube. Ele

"Agora, chegar ao Botafogo e conseguir estar na família do Botafogo, que quer construir e colocar o Botafogo no caminho, é uma marca diferente. Isso foi decisivo para a minha decisão", apontou, na ocasião.

Depois disso, a expressão foi constante, tanto para assuntos mais positivos quanto para outros mais espinhosos. Após a vitória sobre o Ceilândia, pela Copa do Brasil, Castro foi questionado se o time já estava ganhando a sua cara, e respondeu que era apenas mais um no grupo.

"A equipe terá sempre a cara do Botafogo. Isso é individualizar as coisas. O Luis Castro é só mais um na família Botafogo", afirmou.

O discurso parece ter sido assimilado rapidamente pelos jogadores. Em uma publicação em rede social, o meia Chay falou sobre a importância de todos no "processo" e salientou o "conjunto".

"Parabéns, família. Lutamos juntos até o final. Todos são importantes no processo. Futebol não se faz com um atleta, e sim com o conjunto", postou.

'Dimensão mental'

Luís Castro ressalta que a questão mental também tem um grande peso no desempenho dos jogadores e, consequentemente, no andamento do trabalho. Na ocasião do jogo no Distrito Federal, contra o Ceilândia, o Botafogo voltaria a campo dias depois contra o Atlético-GO, em Goiânia. Porém, o clube fretou um voo, retornou ao Rio e só depois embarcou para o próximo compromisso.

À época, o treinador também citou a importância de estar perto da família nestes momentos:

"Cansa muito mais ficar longe da família, dos filhos, do que a viagem. Eu acho que a dimensão mental não é bem cuidada por nós. E nós temos que cuidar, porque ela é parecida com todas as dimensões. Ninguém mal psicologicamente consegue estar ao nível técnico, tático e físico. Por isso, vamos ao Rio, ficar com as famílias, e depois fazer a viagem", comentou.

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