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'Fredependência'? Com ídolo, Flu volta à Libertadores após bom Brasileirão

Fred comemora gol pelo Fluminense; camisa 9 voltou à boa fase e Tricolor retomou bons momentos  - Lucas Merçon/Fluminense FC
Fred comemora gol pelo Fluminense; camisa 9 voltou à boa fase e Tricolor retomou bons momentos Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

27/02/2021 04h00

Foram quatro anos longe do Fluminense, mas Fred voltou em 2020 e o Tricolor, enfim, teve uma campanha na parte de cima da tabela do Brasileirão pela primeira vez desde 2014. Além disso, também retornou à Libertadores após oito anos. Será uma dependência do ídolo?

Ainda que o período de vacas magras tenha começado ainda na primeira passagem do camisa 9 pelas Laranjeiras, é fato que seu retorno coincide com a volta da briga do Flu pelo protagonismo no cenário nacional. Distante da opulente fase com a Unimed, antiga patrocinadora do clube, o Tricolor foi montado com apostas, jovens da base e um estilo que relembra alguns momentos do Time de Guerreiros de 2009.

Mesmo com a saída de Odair Hellmann, o coletivo permaneceu sólido. Com Evanílson também deixando o clube rumo ao Porto, coube a Fred a incumbência de assumir o comando do ataque. Já com Marcão, o ídolo, enfim, voltou a ter uma sequência de partidas e a jogar bem. Para o jogador de 37 anos, a temporada marcou também um reencontro com o bom futebol após um rebaixamento doloroso com o Cruzeiro.

Ao todo, foram cinco gols e quatro assistências para o camisa 9 no Brasileirão em 28 jogos. Se parece pouco para os anos dourados do craque com a camisa tricolor, foram suficientes para que o time vivesse bons momentos e "descansasse" após anos de luta contra o rebaixamento.

A liderança técnica, dividida com Nenê, passou a ser importante para o desabrochar de jovens das divisões de base, que se destacaram na reta final do Campeonato Brasileiro e participaram da campanha que garantiu o Flu na próxima Libertadores. Fora do G4, o Tricolor torce para um título do Palmeiras na Copa do Brasil para ir direto à fase de grupos da competição continental.

"Lógico que tem outros jogadores experientes que ajudaram muito nesse processo, mas a gente fala mais de Fred e Nenê, por tamanha dedicação, quando trouxemos ele para dentro [taticamente], jogando juntos... A importância deles é a mesma que o LeBron James e Anthony Davis para o Los Angeles Lakers. Eles elevaram muito o nível dos meninos e aproveitamos isso ao máximo. Eles colocaram esses meninos do lado e levantaram o nível de treinamento, entrega, vitória, comprometimento. É isso que eles conseguiram fazer. E ainda tem o Danilo, o Egídio, um multicampeão, o Igor Julião, que internamente trabalha muito, o Hudson, o Luccas Claro, o Muriel", opinou o técnico Marcão.

Dentre os meninos, dois que já marcaram pelo Fluminense na temporada foram apontados como "herdeiros" por Fred, que também já destacara jogadores como Pedro e Richarlison em sua primeira passagem.

"Pelo carinho, respeito e amor que tenho pela camisa do Fluminense, quero que nasçam rápido um monte de John Kennedy, de Samuel, porque eu vou parar logo ali. Quero um cara para me puxar pra cima também, onde eu possa ensinar algumas coisas pra eles. Eu tenho contrato até o ano que vem e pretendo acabar meu ciclo como jogador aqui no Fluminense e nessa data mesmo. Eu não vou conseguir fazer o que o Nenê está fazendo. Eu comecei a ser atleta tem alguns anos, não consigo suportar. O pós-Fluminense vai ser o presente: John Kennedy, Samuel... Os moleques entram, fazem gols, jogam bem, crescem", elogiou o atacante.

John Kennedy foi apontado como 'herdeiro' por Fred no ataque do Fluminense - Lucas Mercon/Fluminense FC - Lucas Mercon/Fluminense FC
John Kennedy foi apontado como 'herdeiro' por Fred no ataque do Fluminense
Imagem: Lucas Mercon/Fluminense FC

Quem também foi elogiado por Fred é um jovem que nem sequer entrou em campo pelo time profissional do Fluminense. Camisa 9 e muitas vezes capitão no sub-17, João Neto recebeu uma motivação e tanto do ídolo.

"João Neto, o moleque foi treinar, eu estava treinando à parte, e vi: ele chapou uma cruzada, outra no canto do goleiro, todas na bochecha do gol. Vi movimentação, já vi que o moleque é brabo. O futuro está aqui dentro, logo ali em Xerém. Jogadores de muita qualidade. E o tempo que eu fiquei fora, a gente teve Richarlison, veio o Ceifador, colocou a camisa 9 e foi o artilheiro do Brasil... Quem colocar essa camisa aqui, vai sair 70% na frente de todos os atacantes do Brasil, porque a camisa 9 do Fluminense faz gol sozinha."

Camisa 9 e capitão como Fred, João Neto foi elogiado pelo ídolo no Fluminense - Mailson Santana/Fluminense FC - Mailson Santana/Fluminense FC
Camisa 9 e capitão como Fred, João Neto foi elogiado pelo ídolo no Fluminense
Imagem: Mailson Santana/Fluminense FC

Intimamente ligados, Fred e Fluminense fizeram bem um ao outro em 2020 e ainda terão mais tempo juntos em 2021. Na temporada que se inicia, o atacante deve ultrapassar Orlando Pingo de Ouro na lista de artilheiros históricos do Tricolor. Basta que faça mais oito gols para sair dos 177 e superar os 184 do ídolo dos anos 1940 e 1950. E se marcar oito vezes no Brasileirão, também assume a vice-liderança histórica da competição, atrás apenas de Roberto Dinamite, batendo nada mais nada menos que Romário e Edmundo.

Outros recordes que podem ser superados são os de maior goleador do estádio Nilton Santos, onde precisa balançar a rede mais três vezes para somar 42 e ultrapassar Loco Abreu, além de disputar com Gabigol a artilharia do "novo" Maracanã.

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