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Trajano: "Santos tem um ambiente que eu não vejo em nenhum outro clube"

Do UOL, em São Paulo

14/01/2021 04h00

Classificação e Jogos

O Santos viveu um período conturbado em 2020, com impeachment de presidente, problemas financeiros e até o impedimento de contratações devido a uma dívida que causou uma punição da Fifa, mas conseguiu chegar à final da Copa Libertadores ao eliminar o Boca Juniors com vitória por 3 a 0 na Vila Belmiro, tendo pela frente o Palmeiras na decisão, no dia 30, no Maracanã.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte — com Vinicius Mesquita, José Trajano, Débora Miranda e Ricardo Rocha —, Trajano analisa a chegada do Santos à final e vê como diferencial na equipe comandada por Cuca o ambiente no vestiário entre comissão técnica e jogadores, o que ajuda até a superar as questões extracampo do clube da Vila Belmiro, fazendo até uma comparação ao que ocorre atualmente no Flamengo.

"O que eu sinto é o ambiente do Santos, eu acho que o Cuca conseguiu reunir esses jogadores, a molecada, você sente que eles se dão bem. Ao contrário, por exemplo, do Flamengo. Eu não sinto que o Rogério Ceni tem o time na mão, o elenco na mão. Eu acho que ele tem extrema dificuldade para conviver com aquele grupo que ganhou tudo no ano anterior e cheio de melindres. Como é que ele vai tratar com o Gabigol se não está jogando bem? Se bota no banco, o cara faz birra, o Everton Ribeiro não está bem, mas está na seleção brasileira", afirma Trajano.

"Eu sinto que no ambiente do Flamengo, o Rogério Ceni tem profunda dificuldade, ao contrário do que eu vejo no Santos. Me dá a sensação que o Cuca, com a experiência dele, pegando jogadores com menos jogadores complicados de cabeça, ele consegue consegue administrar bem, porque não é fácil você administrar um grupo de jogadores que tem o salário super atrasado, que não recebe bicho, que viu a diretoria desmoronar, que outros jogadores queriam ir embora e foram, outros não foram e ficaram. Se você não tem uma força de comando ali, a coisa iria desmoronar completamente", completa.

Trajano não vê, por exemplo, o técnico argentino Jorge Sampaoli, que comandou o Santos na temporada anterior, tendo a característica de reunir o elenco da forma como Cuca tem conseguido em seu trabalho.

"O Santos tem um negócio muito legal que é essa coisa do ambiente, é um ambiente que eu não vejo em nenhum outro clube, por isso eu acho que o sucesso do Santos se deve, claro, ao conhecimento do Cuca, a expertise que ele tem, a experiência que ele tem, e um grupo que às vezes encaixa", afirma o jornalista.

"Quem diria a você que o Marinho, que já passou por vários clubes, estaria jogando essa bola que está jogando agora? Por que não jogou antes em outros times? Que o Soteldo, um baixinho de 1,59 m, jogador da Venezuela, iria chegar e jogar tudo o que joga, e esses meninos que vão entrando, um é melhor que o outro. Você coloca o tal do Sandry no meio de campo e o cara resolve, o Lucas, até goleiro, sai um goleiro, entra outro e são bons. Então, tem horas que no futebol, que a coisa se encaixa e não tem muita explicação", completa.

Trajano também afirma que, ao contrário do Palmeiras, a campanha do Santos teve no caminho clubes campeões da Libertadores, como Grêmio, LDU e Boca Juniors, enquanto o time treinado por Abel Ferreira teve times de menor expressão antes de passar pelo River Plate.

"A virtude do Santos para mim é ter dado certo sob o comando de um técnico que soube unir essa turma. ?Vamos passar por cima do salário atrasado, problemas de diretoria, vamos cuidar aqui dentro de campo, armar um time, está dando certo e vamos para a frente?. Ao contrário do que acontece em outros. E o Palmeiras é um ponto de interrogação para mim. Não sei qual é a do Abel ainda", diz o jornalista.

"E outra coisa, a campanha do Santos foi muito forte, pegou adversários muito fortes, eliminou o Grêmio, eliminou a LDU. Ao contrário do Palmeiras, que pegou muita galinha morta. Tem que analisar a campanha do Santos e a campanha do Palmeiras. O Santos não está aí de alegre, o Santos teve uma trajetória sensacional", conclui.

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