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ANÁLISE

Ricardo Rocha: Santos é a surpresa, o melhor trabalho do futebol brasileiro

Do UOL, em São Paulo

14/01/2021 01h33

O Santos garantiu sua classificação para a final da Libertadores com uma vitória contundente diante do Boca Juniors, 3 a 0 na Vila Belmiro, para decidir o título com o Palmeiras no dia 30. Pelo Campeonato Brasileiro, o Corinthians aplicou a maior goleada da edição atual com 5 a 0 diante do Fluminense na Neo Química Arena, superando o próprio time santista na classificação.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte — com Vinicius Mesquita, José Trajano, Débora Miranda e Ricardo Rocha —, os principais assuntos dos dois jogos da noite desta quarta-feira são analisados, com os méritos de Cuca no Santos e Vagner Mancini no Corinthians, sendo que em ambos os casos, o fator vestiário tem sido preponderante para a sequência de resultados.

Ricardo Rocha afirma que o Santos faz o melhor trabalho da temporada com o técnico Cuca, considerando que o treinador tem participação no acerto da defesa, na postura de Marinho dentro de campo e também no engajamento do grupo de jogadores na busca pelo título da Libertadores em uma temporada na qual o clube teve problemas financeiros e políticos.

"Olha o Cuca desde quando pegou, o Santos, ele não está pedindo jogador, ele não está pedindo nada. É claro, ele queria que os pagamentos fossem feitos, mas há uma atraso e ele pegou os jogadores e 'amigo, vamos segurar juntos, vamos remar juntos. Eu tenho uma maneira de jogar, vou colocar em prática, vocês em campo corram, porque só tem uma maneira de mudar isso, é a gente ganhar título', e o Santos está aí", diz Ricardo Rocha.

"O Santos é vestiário, o Cuca conseguiu ganhar o vestiário, conseguiu ganhar esses jogadores mais velhos, conseguiu ganhar esses jogadores mais jovens, então eu acho que o Santos é a grande surpresa, e há dois ou três meses que eu falei, eu digo, é o melhor trabalho do futebol brasileiro. Hoje o melhor trabalho é o do Cuca por tudo o que ele tem nas mãos, ou seja, ele não tem nada, ele tem os jogadores. Não tem dinheiro, o presidente saiu, os problemas seríssimos que o Santos atravessa, então está de parabéns o Cuca e os jogadores", completa.

Débora Miranda: Corinthians vem de alguns anos com o vestiário forte

E se o Santos tem como ponto forte o trabalho de Cuca no comando do vestiário, o Corinthians tem seu bom momento passando pela mesma questão, segundo Débora Miranda, que cita a importância de jogadores experientes e com tempo de clube para que o time tenha superado até mesmo a chegada à zona de rebaixamento para agora ter a classificação à Libertadores como meta.

"O Corinthians já vem de muitos anos com vestiário forte, talvez pela continuidade política, não estou defendendo isso, mas acho que a continuidade política deu uma estabilidade para que fosse possível haver, então tem jogadores que estão há muito tempo no clube, o próprio Cássio, estava vendo e está prestes a fazer 500 jogos, então eu acho que é um grupo que, apesar das mudanças de técnico e tudo mais, ele está muito bem estabelecido", afirma Débora.

"Houve contratações que não deram certo, apostas na base, mas o clima do grupo sempre foi um clima bom e ele vem disso já há muitos anos com os jogadores que estão no clube há muitos anos. Por isso eu acho que o Mancini conseguiu, claro que gradativamente, mas de um jeito não tão mirabolante, acho que ele não precisou de nada mirabolante para estabelecer um corpo forte na equipe e a partir daí ir fazendo testes pontuais que fossem levando o time a evoluir", completa.

Cuca conseguiria resolver o vestiário com estrelas como no Flamengo?

E se nesses dois times o vestiário tem feito diferença a favor, o clube que foi dominante na temporada anterior, o Flamengo, vive um momento difícil justamente nesta relação, um trabalho a ser contornado por Rogério Ceni, sob pressão após duas derrotas seguidas e a dificuldade de assumir a liderança do Campeonato Brasileiro na busca pelo segundo título consecutivo.

José Trajano cita que no caso de Cuca pode ser um facilitador o fato de o elenco não ser de tantas estrelas no Santos como é no Flamengo.

"A pergunta que fica no ar é o seguinte, esse bom ambiente e tal, talvez só fosse possível por não ter um elenco de cobras criadas, como tem o Flamengo, por exemplo. Se fosse elenco de cobra criada, seria mais difícil. Se o Cuca estivesse no Flamengo agora no lugar do Rogério Ceni, será que conseguiria unir elenco como o do santos?", questiona o jornalista.