PUBLICIDADE
Topo

Dadá: "É o momento mais triste quando escuto que o Médici me convocou"

Do UOL, em São Paulo

23/06/2020 16h13

Conhecido por suas frases e também por ter sido um goleador em sua carreira de jogador, Dario, o Dadá Maravilha, fez parte da seleção brasileira que conquistou o tricampeonato mundial há 50 anos na Copa de 1970, no México. Mas a convocação até hoje ainda causa discussão devido a um pedido do então presidente Emilio Garrastazu Médici, que nunca foi atendido pelo técnico João Saldanha, mas com sua troca por Zagallo, o centroavante acabou chamado.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Dadá revela que sente uma mágoa quando se diz que ele só foi à Copa do Mundo por uma suposta interferência de Médici no período mais repressivo da ditadura militar, e cita a quantidade de gols que fazia e como impressionou o presidente, quem é agradecido.

"É o momento mais triste da minha vida quando eu escuto essa mentira e os repórteres fazem questão de fazer essa pergunta que o Médici me convocou. Quero dizer que eu sou super agradecido ao Médici, porque ele falou que eu tinha de ser convocado porque era o maior centroavante do mundo. E realmente eu era na época, eu era o jogador que fazia mais gols no mundo, estava numa fase em que a bola batia na minha bunda e entrava. Então eu fico chateado porque eu fiz tantos gols, fui o jogador que fiz mais gols naquele ano e, de repente, os caras falarem que foi o presidente", afirma o ex-jogador.

Dadá cita as partidas em que influenciaram para que Médici pedisse publicamente a sua convocação, contra a vontade do então técnico Saldanha. Um amistoso em que o Atlético-MG venceu a União Soviética, em março de 1969, por 2 a 1, com dois gols de Dadá e depois na vitória sobre o Internacional pelo Torneio dos Gigantes, em julho de 1969, com três gols dele.

"Chegamos no aeroporto e os caras só botavam assim 'vai ser quatro, nós ganhamos do Santos e agora vamos ganhar do Galo, o Galo vai virar galinha'. Ah, quando falou o Galo vai virar galinha, eu comprei a briga, é um desrespeito, e aí eu chamei o cara da imprensa 'vem cá, por favor, põe aí que eu vou fazer três gols. Se o Inter quiser ganhar, vai ter que fazer quatro'. E nós ganhamos de 4 a 1, eu arrebentei com o jogo, e o Médici estava vendo o jogo, ele ficou impressionado comigo, primeiro de eu ser cara de pau de falar que eu ia fazer os gols e que eu ia arrebentar", conta.

Outro jogo que ajudou o centroavante foi em setembro de 1969, em jogo festivo pelos 147 anos da Independência do Brasil e também de comemoração da classificação brasileira para a Copa. O jogo acabou com vitória atleticana por 2 a 1 sobre a seleção de Saldanha, com gol de Dadá.

"Chamaram a seleção para jogar contra o Atlético no Mineirão, só que eu era o jogador que fazia mais gols do mundo, então a pressão estava grande, todo mundo queria Dadá na seleção. O João Saldanha 'não adianta forçar, eu não escalo o ministério e ele não escala a seleção', porque o Médici tinha pedido a minha convocação. Aí chegou no jogo, eu arrebentei com o jogo, eu não sei driblar, eu driblei, eu não sei lançar, eu lancei, eu não sei tabelar, tabelei, eu estava danado", completa.

Dadá também fala sobre o começo tardio no futebol, a falta de técnica compensada por saber fazer gols, a influência do irmão mais velho de Zico para virar centroavante, a ideia de criar frases de efeito para virar assunto, o período difícil na juventude, sem perspectiva se não desse certo como um jogador de futebol, e o que aconteceria se ele estivesse em campo no 7 a 1, em 2014.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda semana em duas edições semanais, na terça-feira, às 14h, e na quinta-feira, às 18h, em transmissão ao vivo, ou gravado, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.