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Doria só libera treinos do futebol em SP a partir de julho e frustra clubes

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

17/06/2020 12h54

O governo de São Paulo anunciou hoje a liberação dos clubes de futebol paulistas para retomarem gradualmente os treinamentos, mas só a partir do dia 1º de julho. O anúncio frustrou vários clubes que disputam a Série A1 do Campeonato Paulista, e a própria Federação, que tinham expectativa de um retorno mais imediato, e gostariam de ter voltado aos treinos já nesta segunda-feira.

As negociações para retomada dos treinamentos já se arrastam há pelo menos três semanas. Havia entre todos os clubes da elite do Paulistão uma espécie de pacto de que retornariam ao mesmo tempo, com aval das autoridades estaduais, O processo foi quebrado, entretanto, na semana passada, quando o Red Bull Bragantino admitiu ter obtido autorização municipal e retomado as atividades.

O episódio gerou uma aceleração do processo de retomada. O plano inicial foi o de obtenção de liberações diretamente com as prefeituras, e teve sucesso, mas faltava o aval do Governo do Estado. A expectativa de clubes e da Federação Paulista era de uma liberação imediata, para esta semana ou, no máximo, o início da semana que vem. A retomada só no início do próximo mês surpreendeu e frustrou os envolvidos, que defendem que os treinos em espaços ao ar livre são mais seguros do que os shopping centers e comércios que foram liberados.

A Federação Paulista de Futebol emitiu uma nota nesta tarde, afirmando que "o anúncio, com o distante reinício das atividades, causou estranheza, já que o Protocolo de Retomada Gradual aos Treinos preza, em primeiro lugar, pela saúde de todos envolvidos. Assim, os profissionais do futebol, que dependem de seu condicionamento físico para exercer suas atividades, seguem impedidos de trabalhar, sem que haja uma explicação plausível e científica. A Federação Paulista de Futebol convocará uma reunião virtual com os 16 clubes para esta quinta-feira, 15h, para tratar do tema".

No anúncio de hoje, o Governo afirmou ter finalizado os protocolos apenas para as equipes da A1. As medidas se restringem a treinamentos, e o retorno aos jogos será avaliado posteriormente, ainda sem qualquer previsão. Há entre os departamentos de preparação física dos clubes um consenso de que são necessários pelo menos 20 dias de treinamentos antes que se pense em uma partida oficial.

Entre as obrigações dos clubes estão testes na apresentação de atletas e antes de qualquer partida, limitação de pessoas nos treinamentos, ausência de torcida, máscaras para comissão técnica e medição de temperatura obrigatória de todos.

"Sabemos que vamos contar com a colaboração da Federação Paulista e dos dirigentes das equipes de São Paulo. Nenhum dirigente deseja o mal e o risco aos atletas e profissionais técnicos", disse Doria em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

De acordo com o governador, o Comitê de Saúde avalia a liberação de outras modalidades esportivas. Um anúncio deve ser feito no dia 26 de junho.

Clubes deverão seguir o Plano São Paulo

Segundo o membro do Comitê de Contingência de combate ao coronavírus, Carlos Carvalho, os clubes terão que seguir as fases estipuladas no Plano São Paulo de reabertura gradual da economia.

"O município que estiver no vermelho e tiver um clube profissional, o clube não poderá treinar naquele município. Pode em outro que estiver de outra cor. Sempre respeitando o Plano São Paulo", afirmou, "Você precisa de um período de pelo menos 4 semanas para fazer o preparo físico dos atletas. Se começarmos os treinos em julho, só para agosto podemos discutir a volta dos jogos. Com relação aos municípios, como a liberação é a partir de julho, ainda temos a semana que vem e aí vamos ver os municípios que vão estar laranja, amarelo, vermelho e a orientação ficará mais evidente se poderá treinar nas próprias dependências e, se a cidade não permitir a atividade, ele vai poder, desde que tome cuidado no transporte, pode treinar em outra cidade sem problema nenhum. Nossa preocupação é com a saúde dos atletas e profissionais".

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