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Felipe Melo critica polarização e diz: 'Não entendo nada de política'

Felipe Melo, do Palmeiras, em jogo contra o Ituano pela primeira rodada do Campeonato Paulista - Cesar Greco
Felipe Melo, do Palmeiras, em jogo contra o Ituano pela primeira rodada do Campeonato Paulista Imagem: Cesar Greco

Do UOL, em São Paulo

31/05/2020 16h41

Felipe Melo criticou as polarizações no debate político brasileiro. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada ontem, ele disse não ser um grande entendedor de política e afirmou que sua preocupação é "não deixar os meus filhos assustados. Minha prioridade é ajudar quem mais precisa".

O capitão do Palmeiras, que é um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), defendeu um retorno do futebol sem pressa, por conta da pandemia do coronavírus.

Hoje, torcedores corintianos e palmeirenses se uniram na avenida Paulista, em São Paulo, em ato pró-democracia. Houve confronto com manifestantes pró-Bolsonaro, que também estavam na avenida.

Questionado se tem acompanhado a crise política, afirmou: "Não acompanho, não vejo nada. A gente não vê notícias. Tem uma briga política tão grande, né cara? Eu não entendo nada de política. A minha prioridade é não deixar os meus filhos assustados. Minha prioridade é ajudar quem mais precisa. Só vejo televisão para ver futebol ou filme."

Quando alertado que, apesar da fala, ele se posicionou politicamente nos últimos anos, disse que "tem certas pessoas que quando se assumem para direita, esquerda ou centrão, acabam tomando uma pedrada maior".

"Mas a verdade é que qualquer coisinha que eu faço já tomo pedrada. Então, uma pedrada a mais ou a menos... O momento não é de falar de política. O momento não é de saber se o cara que está no comando é o da esquerda ou da direita, se é homem ou mulher, se tem seis dedos no pé ou na mão. O importante agora é união, para acabarmos com essa guerra, com esse vírus que está levando tantas pessoas. Se alguém vier falar comigo de política, primeiramente eu não entendo e depois digo que não é o momento. Assim como presidente, governador e ministro, todo mundo quer acabar com esse vírus. É momento de união do Brasil e do mundo", afirmou Felipe Melo.

O volante e zagueiro fez grandes elogios à postura do Palmeiras neste momento de pandemia, com redução salarial de 25% no elenco.

"Eu creio que o Palmeiras está agindo de forma cirúrgica. Em nenhum momento ele vai fazer nada que não seja algo autorizado pelo prefeito, governador e a OMS (Organização Mundial de Saúde). A gente não vai peitar ninguém. É claro que a gente quer voltar. Eu sou a favor da volta do futebol, mas com precaução e segurança para todo mundo. Tampouco adianta eu treinar, trabalhar e pegar o vírus, mas chegar em casa e transmitir para o meu pai, para meus filhos. São pessoas que temos de cuidar. Tem de voltar com toda a segurança possível. Nada tem de ser feito com pressa", afirmou ele.

"A verdade é que tanto o Anderson Barros (diretor de futebol) quanto nosso presidente (Mauricio Galiotte), o Cicero (Souza, gerente de futebol) e o (Vanderlei) Luxemburgo foram essenciais quando chegaram e falaram: 'O Palmeiras não vai mandar funcionário embora'. Em minutos todos os jogadores deram aval e pensamos em ajudar as famílias dos funcionários. A gente tem visto situações de grandes clubes mandando embora funcionário que ganha R$ 1.500. Isso é covardia! É covardia porque acaba com a vida de uma pessoa que tem anos de clube, que tem pessoas que são sustentadas por elas. De repente o cara chega dentro de casa aí e comete suicídio. Então, o Palmeiras foi cirúrgico nesse ponto."

O palmeirense está isolado em Paraty e tem uma avó de 75 anos, que o preocupa por ser do grupo de maior risco da covid-19.

"A gente entende que tomar esses cuidados são importantes porque protegem eles e os outros também. Mas confesso que minha preocupação não é tanto com eles, porque são pessoas que têm condição boa e se cuidam muito. Eu já vi reportagens que mostraram mortes em favela. A gente está em uma guerra. Temos de tomar todas as precauções."

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