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Juvenal "técnico", Ceni e golaço: o último jogo sem torcida no Morumbi

Jogadores do São Paulo comemoram gol de Rogério Ceni na vitória por 2 a 0 sobre o Goiás, em 2007 - Rubens Cavallari/Folhapress
Jogadores do São Paulo comemoram gol de Rogério Ceni na vitória por 2 a 0 sobre o Goiás, em 2007 Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo

13/03/2020 16h40

Classificação e Jogos

São Paulo e Santos se enfrentam amanhã (14) pela décima rodada do Campeonato Paulista. O clássico será disputado com portões fechados como medida de segurança para evitar aglomerações e combater a proliferação do novo coronavírus.

Assim, o Morumbi estará totalmente sem torcida pela primeira vez desde 2007.

Por que o Morumbi estava vazio na abertura do Brasileirão de 2007?

Na ocasião, o Tricolor recebeu o Goiás na primeira rodada do Campeonato Brasileiro com portões fechados para cumprir uma punição imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Na rodada final da Série A de 2006, em jogo com time reserva contra o Paraná Clube, o São Paulo viu seus torcedores participarem de uma confusão na Vila Capanema, em Curitiba, mesmo com o título nacional já garantido. Assim, o clube paulista recebeu como pena realizar um jogo sem torcida na edição seguinte do Brasileirão.

Quem escalou o time: Muricy ou Juvenal?

Esse confronto com o Goiás no Morumbi vazio ficou marcado por uma polêmica. O São Paulo havia acabado de ser eliminado na Copa Libertadores da América ao perder para o Grêmio nas oitavas de final. O então presidente Juvenal Juvêncio, que morreu em 2015, se irritou com mudanças feitas pelo técnico Muricy Ramalho e pela falta de espaço a jogadores como Hernanes. O cartola segurou a pressão de conselheiros pela demissão de Muricy, mas quis agir.

Juvenal Juvêncio foi presidente do São Paulo entre 2006 e 2014 - Moises Nascimento/AGIF/AGIF
Juvenal Juvêncio foi presidente do São Paulo entre 2006 e 2014
Imagem: Moises Nascimento/AGIF/AGIF

Na véspera da partida, o diário "Lance!" descobriu que o presidente estava cobrando algumas mudanças na escalação, como a volta do esquema com três zagueiros. O jornal chegou a dar a nova formação na capa do dia da partida, atribuindo as trocas a Juvenal. Muricy não gostou nada, mas as informações estavam corretas.

O São Paulo havia caído para o Grêmio com a seguinte escalação:

4-4-2: Rogério Ceni, Ilsinho, Alex Silva, Miranda e Jadilson (Jorge Wagner); Josué, Richarlyson, Souza e Hugo (Dagoberto); Leandro (Marcel) e Aloísio.

Depois, contra o Goiás, a escalação usada foi:

3-5-2: Rogério Ceni, Alex Silva, André Dias e Miranda; Ilsinho, Josué, Hernanes, Hugo e Jorge Wagner; Dagoberto (Souza) e Borges (Aloísio).

Como foi a partida com portões fechados?

O São Paulo não teve problemas típicos de quem acaba de ser eliminado na Libertadores, como a irritação da própria torcida. O Morumbi vazio deixou o time menos tenso e, se não fosse o goleiro Harlei, ídolo do Goiás, a vitória poderia ter sido mais elástica. Foram diversas chances perdidas ainda no primeiro tempo e, mesmo assim, o Tricolor foi para o intervalo vencendo por 2 a 0.

Quem abriu o placar foi Jorge Wagner, logo aos 16 minutos de partida. Após a bola rebater na entrada da área esmeraldina, o então camisa 7 chegou chutando de muito longe e com muita força para acertar o ângulo direito de Harlei. Gritos de gol ecoaram só do campo e do banco de reservas para celebrar a primeira bola na rede de Jorge, que fazia apenas o quinto jogo pelo São Paulo. Ele seria fundamental nas conquistas do Brasileirão em 2007 e 2008.

Aos 36 minutos do primeiro tempo, Dagoberto sofreu pênalti e Rogério Ceni bateu firme para definir o resultado. Os jogadores vibraram bastante com a vitória que abriu caminho para uma campanha arrasadora, que terminou com a melhor defesa da história dos pontos corridos com meio gol sofrido por jogo e com taça faturada com quatro rodadas de antecedência.

São Paulo