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Fla deve ligar alerta? River teve 60% de gols no mata-mata validado por VAR

Néstor Pitana revê lance no VAR durante Grêmio x Flamengo - REUTERS/Sergio Moraes
Néstor Pitana revê lance no VAR durante Grêmio x Flamengo Imagem: REUTERS/Sergio Moraes

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

24/10/2019 15h44

Historicamente, os clubes brasileiros sempre reclamaram de favorecimento a time argentinos em decisões de arbitragem e bastidores nas competições sul-americanas. No ano passado, por exemplo, o Santos chiou pela desclassificação em função da irregularidade de Carlos Sanchez e apontou que Boca e River tiveram situações semelhantes com outros jogadores na competição, mas as punições não foram as mesmas. Em outro caso, da mesma edição, Cruzeiro e Grêmio reclamaram bastante da ação (ou ausência) do VAR nas eliminatórias que decretaram suas desclassificações, respectivamente, contra Boca Juniors e River Plate -o primeiro caso por uma expulsão injusta de Dedé, com uso do VAR, e, no segundo, por não acionarem o vídeo em um gol de Borré, do River, na Arena do Grêmio.

Deve o Flamengo, agora, ficar receoso com isso para a decisão da Libertadores, contra o River? Não que isso signifique necessariamente benefício, mas, na Argentina, os rivais locais apelidaram o atual campeão da América de "RiVAR". Localmente, sempre apontaram a proximidade do clube do Monumental de Nuñez com a Conmebol como algo que fazia a diferença, e, nesta edição do torneio sul-americano, ganhou força por conta do número de vezes que decisões do VAR acabaram rendendo gols do time: 60% dos gols da equipe de Gallardo no mata-mata foram oriundos de interferência da tecnologia. Todos os lances foram pênaltis não vistos pelo árbitro principal, chamado depois pelos de vídeo para análise.

O River Plate se classificou em segundo no Grupo A e, nas oitavas de final, encarou o Cruzeiro. Após dois empates sem gols, se classificou nos pênaltis. Nas quartas, o Cerro Porteño, do Paraguai, pela frente. No primeiro duelo, em casa, 2 a 0, sendo o primeiro gol em pênalti assinalado após o árbitro de vídeo chamar o peruano Víctor Carrillo, que avaliou como falta toque de Larrivey em De La Cruz, dentro da área. No jogo da volta, empate em 1 a 1 e classificação assegurada.

Na semifinal, o clássico com o Boca Juniors. No jogo de ida, um cenário parecido. Novamente em casa, vitória por 2 a 0 e abertura do placar em cobrança de pênalti, depois de ação do VAR. Desta vez, o brasileiro Raphael Claus, após análise, viu falta de Más em Borré. No segundo encontro, triunfo do Boca por 1 a 0, o que não foi o suficiente e o River avançou.

Por outro lado, muitos rubro-negros acreditaram que o time foi prejudicado na semifinal, no primeiro jogo contra o Grêmio, na Arena do Grêmio. No duelo, o Flamengo teve três gols anulados com a ajuda do VAR. O primeiro, Gabigol empurra Kannemann pouco antes do cruzamento que gera o gol de Everton Ribeiro. Depois, o próprio camisa 9 esteve em posição irregular por duas vezes. Além disso, o árbitro de vídeo chamou o argentino Néstor Pitana para analisar falta de Michel em Gerson, mas o árbitro acreditou não ser falta para expulsão.

Os áudios das conversas entre a cabine e Pitana foram divulgados dias depois.

"Quero dar os parabéns ao Flamengo, que fez uma partida extraordinária. Esse jogo não resolve nada. Mas o Flamengo foi melhor em todos os aspectos e merecia a vitória. Fizemos quatro (gols), só valeu um. Revi e não sei como o árbitro anulou o do Gabigol", disse o técnico Jorge Jesus, após o primeiro confronto com o Grêmio.

Vale ressaltar que, nos últimos anos, os bastidores da Conmebol têm sido agitados em relação à arbitragem e proximidade dos argentinos com a atual gestão da entidade, principalmente no que diz respeito ao River Plate. Ano passado, por exemplo, a equipe alvirrubra atuou na primeira fase com jogadores suspensos e não houve punição.

Além disso, o técnico Marcelo Gallardo, suspenso, foi ao vestiário da equipe na semifinal contra o Grêmio, na Arena do Grêmio, desobedecendo regulamento da Conmebol e o caso também não foi à frente quanto às sanções ao River - o Tricolor gaúcho chegou a pedir anulação da partida.

O UOL Esporte, em matéria publicada na última quarta-feira, lembrou como nasceu a relação de confiança entre Alejandro Dominguez, presidente da Conmebol, e Rodolfo D'Onofrio, presidente do River, que dura até hoje.

A equipe comandada por Marcelo Gallardo chega à terceira final de Libertadores em cinco anos, tendo sido campeão em 2015 e ano passado.

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