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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Flamengo conversou com Superliga antes da pandemia, assim como Boca e River

Rodolfo Landim, presidente do Flamengo - GettyImages
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo Imagem: GettyImages
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

20/04/2021 04h00

A diretoria do Flamengo teve conversas com clubes da Superliga até antes da pandemia de coronavírus que depois congelaram. As negociações eram para uma adesão do clube, do Boca Juniors e do River Plate, que poderia ocorrer pela liga ou pelo Mundial de Clubes. Ao final, a Superliga foi feita só com europeus, mas o esboço do plano prevê um Mundial para equipes de fora do continente.

O anúncio da criação da Superliga foi feita na noite de domingo com 12 grandes clubes europeus. Houve reação dura por parte da Uefa e das ligas, com ameaça de punições. A Fifa reprovou a ideia, mas usou um tom sem ameaças.

Até porque a entidade participou das conversas iniciais sobre a Superliga. Foi em novembro de 2019 que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, conversou com um grupo de clubes liderados pelo presidente do Real Madrid, Florentino Perez. O encontro reuniu Boca Juniors e River Plate, que eram cogitados para a Superliga. A reunião irritou dirigentes da Uefa e da Conmebol. Infantino, posteriormente, explicou que a reunião ocorreria de qualquer forma, e a Fifa poderia ajudar a mediar acordos.

Posteriormente, a Fifa teve encontro com a diretoria do Flamengo durante o Mundial de Clubes 2019. Houve um convite para participar no futuro do Mundial de Clubes, juntamente com outro time brasileiro. Mas o formato ainda não estava definido.

Em paralelo, houve conversas do Flamengo com os membros da Superliga. Segundo dirigentes do clube, foi demonstrado interesse dos europeus em incluir a agremiação no projeto de forma fixa. Na sequência, no entanto, houve a pandemia, e foram paralisados quaisquer contatos com os clubes sul-americanos.

O projeto lançado pela Superliga evoluiu sem a inclusão de não-europeus. Até porque está previsto de ser disputado nos meses de maio, junho e agosto em meio de semana. Ou seja, seria inviável para países de outros continentes. Ainda faltam três clubes a serem incluídos como fundadores e outros cinco variáveis, mas a discussão é só entre europeus.

Mas o projeto prevê um Mundial de Clubes em janeiro, por três semanas, com formato diferente do previsto pela Fifa. É um mata-mata com 32 clubes, sendo 12 deles da Superliga. Ainda seriam incluídos outros europeus fora da liga e times de outros continentes, como a América do Sul. O projeto da Fifa previa 24 clubes.

Essa inclusão de times de outros continentes levou até a Conmebol a pressionar a Fifa por uma nota de rejeição à Superliga. Todas as confederações se posicionaram contra em janeiro. Naquela ocasião, parecia que os grandes clubes europeus tinham recuado e aceitado uma reforma geral da Champions League como compensação.

Mas anunciaram a nova Superliga justamente no dia anterior à Uefa divulgar o novo formato da Champions League com maior número de jogos. A entidade também tem o objetivo de ganhar mais dinheiro em sua competição. Por enquanto, os times sul-americanos estão fora dessa discussão.

Em uma nota, a Fifa afirmou que prega um modelo solidário de distribuição de recursos no futebol: "Contra esse contexto, a Fifa só pode expressar sua desaprovação à "Liga fechada de ruptura da Europa" fora do sistema internacional de estruturas do futebol e não respeitando os princípios acima"

Rodrigo Mattos