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Rodrigo Mattos

Com pandemia e perda de receita, Flamengo prevê renda acima de R$ 650 mi

Reinier presentou o companheiro Haaland com uma camisa personalizada do Flamengo - Reprodução/Instagram
Reinier presentou o companheiro Haaland com uma camisa personalizada do Flamengo Imagem: Reprodução/Instagram
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

07/10/2020 04h00

Apesar da pandemia do coronavírus e da perda de receita, o Flamengo ainda prevê uma renda acima de R$ 650 milhões no ano de 2020. Esse é o valor trabalhado na revisão do orçamento do clube que deve ser analisado agora em outubro. Internamente, a diretoria rubro-negra entende que já foi possível readequar as contas de forma a acabar o ano de crise sem turbulências.

Antes da pandemia, o Flamengo previa um dos seus melhores anos financeiros especialmente quando vendeu Reinier por 30 milhões de euros. Havia estimativas de crescimento em todas as receitas. Tanto que a estimativa conservadora era de que o clube tivesse renda de R$ 726 milhões pelo primeiro orçamento para 2020.

O impacto da epidemia de coronavírus, no entanto, foi bastante significativo principalmente no caixa. A Globo parou de pagar as cotas do Brasileiro durante o período de paralisação, a bilheteria secou, o sócio-torcedor teve queda e até a premiação do Carioca teve corte.

O clube recorreu a empréstimos, passou a usar uma parte do dinheiro que tinha em caixa de negociações e adiantou dinheiro da Libertadores e da Copa do Brasil (via CBF e Conmebol) como todos os clubes. Em paralelo, cortou despesas com demissões e 25% dos salários de jogadores. Além disso, renegociou pagamentos de transferências, de agentes e de direitos de imagem de atletas para 2021. Conseguiu assim manter tudo em dia.

Fechou o primeiro semestre com R$ 320 milhões de receita graças à venda de Reinier. Essa e outras negociações menores fizeram as negociações ultrapassarem bastante o patamar previsto de R$ 80 milhões. Além disso, o clube fechou um patrocínio com o BRB acima de R$ 30 milhões.

Foram compensações porque, com a pandemia ainda no meio, calcula-se que as perdas de receitas com televisão e bilheteria no ano podem chegar a R$ 200 milhões. Explica-se: parte das receitas do Brasileiro só serão pagas em 2021 quando o campeonato acaba, o que inclui premiações. Eventuais prêmios por passagens de etapas da Libertadores também ficam mais para frente. O clube ainda estima alguma renda de bilheteria neste ano se voltar o público, mas não atingirá os R$ 200 milhões previstos no orçamento original com ingressos e sócio-torcedor.

Ao final, a diretoria rubro-negra entende que equilibrou as contas e fechará com pequeno superávit ou déficit em 2020. Até o meio do ano, a dívida tinha crescido de R$ 509 milhões para R$ 646 milhões por conta dos valores a pagar em transferências e adiantamentos. Mas as negociações têm os prazos longos e o clube tem a receber R$ 139 milhões em negociações para compensar. Além disso, os adiamentos serão descontados da Libertadores e da Copa do Brasil.

Até o final do ano, o clube pode precisar fazer uma venda menor de jogador. Mas há a percepção na diretoria rubro-negra de que já foi possível se reestruturar para viver o período de maior instabilidade gerado pela Covid.

Rodrigo Mattos