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Blog do Rodrigo Mattos

Globo manda carta à Conmebol para rescindir contrato da Libertadores

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

06/08/2020 17h04

A Globo enviou uma carta para a Conmebol para rescindir o contrato da Libertadores. Esse documento foi mandado pela emissora após uma tentativa de redução dos valores dos contratos que não foi aceita pela entidade. Apesar de pedir a rescisão, não está claro se a emissora vai desistir de vez da competição: há a possibilidade de tentar novo acordo por valor menor. Em nota ao blog, a Globo confirmou a rescisão do contrato baseada em cláusula que tratava de prolongado período com competições paralisadas.

O contrato da Libertadores foi fechado após uma licitação feita pela Conmebol. Os direitos foram divididos em quatro pacotes, dois adquiridos pela Globo e Sportv. Com isso, a emissora tem que fazer um total de US$ 65 milhões em pagamentos anuais para a entidade sul-americana.

O contrato foi feito quando o dólar estava em R$ 3,88, sendo que agora o câmbio marca R$ 5,33. Com isso, o contrato teve um salto de quase R$ 100 milhões por ano, atingindo R$ 346 milhões para as duas mídias.

Durante a pandemia de coronavírus, que gerou uma crise financeira no futebol brasileiro, a Globo começou a renegociar ou romper contratos de direitos de televisão. Primeiro, entrou com um processo contra a Fifa para não pagar as parcelas dos direitos referentes à Copa do Mundo. E conseguiu, de fato, suspender a quitação desses valores.

Depois, houve a disputa relacionado à MP do Mandante para o Campeonato Carioca quando o Flamengo transmitiu um jogo baseado na lei. No meio do imbróglio, a Globo rescindiu de forma unilateral o contrato do Estadual o que gera agora uma disputa jurídica com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).

Em paralelo, a Globo também pedia à Conmebol a redução do contrato da Libertadores por conta da pandemia. A Conmebol não topou e a emissora mandou a carta de rescisão que já chegou à entidade.

A questão é que o contrato da Globo para Libertadores representa em torno de um quinto do total das receitas da competição que são em torno de US$ 300 milhões. Ou seja, uma saída seria um baque financeiro. Mas há a possibilidade de a Conmebol encontrar outros interessados nesses direitos.

Diante do cenário extremamente desafiador provocado pela crise econômica e potencializado pela pandemia de COVID-19, a Globo vem fazendo uma revisão completa de seu portfólio de direitos. Nesse contexto, e tendo em vista a suspensão daquela competição por vários meses, a empresa tentou renegociar com a Conmebol o contrato da Libertadores, válido até 2022, mas infelizmente não houve acordo. Assim, não restou alternativa à Globo a não ser rescindir o contrato.

Veja a posição da Globo em explicação ao blog após a publicação do post:

"Diante do cenário extremamente desafiador provocado pela crise econômica e potencializado pela pandemia de COVID-19, a Globo vem fazendo uma revisão completa de seu portfólio de direitos. Nesse contexto, e tendo em vista a suspensão daquela competição por vários meses, a empresa tentou renegociar com a Conmebol o contrato da Libertadores, válido até 2022, mas infelizmente não houve acordo. Assim, não restou alternativa à Globo a não ser rescindir o contrato.

Grandes players mundiais têm sido obrigados a renegociar seus acordos sobre eventos esportivos em razão da crise econômica provocada pela COVID-19, que, no Brasil, ainda é acentuada pela desvalorização cambial, que multiplica o valor dos contratos em dólar. Como principal competição de clubes das Américas, a Libertadores continua sendo importante para a Globo. No entanto, para que sua transmissão seja viável e satisfatória para todas as partes envolvidas, ela precisa se adequar à nova realidade mundial dos direitos esportivos e à situação econômica vivida pelo país. Por fim, é importante esclarecer que havia no contrato cláusula específica de rescisão em caso de suspensão da competição por períodos prolongados, por motivo de força maior."

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