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Blog do Rodrigo Mattos


CBF é sensata ao parar futebol e contrariar irresponsabilidade de Bolsonaro

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

16/03/2020 04h00

Classificação e Jogos

A CBF determinou a paralisação de todos os campeonatos nacionais na tarde de domingo por conta da crise do coronavírus. À noite, o presidente da República, Jair Bolsonaro, chamou de "histeria" a proibição de futebol. Bem, a entidade tomou a decisão mais sensata diante da situação e o presidente foi, para dizer o mínimo, irresponsável.

Para chegar a essa conclusão, basta analisar o que ocorre no mundo do futebol e dos esportes desde que explodiu a pandemia do coronavírus. Houve resistência inicial em todos os grandes países de prática do futebol da Europa de parar os jogos. Afinal, é fato que isso impacta de forma significativa no esporte e sua economia, visto que cada data vale milhões.

Mas as evidências sobre a necessidade de evitar grandes aglomerações se tornaram, bem, evidentes. Não faltam dados científicos nesse sentido. E o próprio Ministério da Saúde do Brasil sabe disso: recomendou, na sexta-feira, que se cancelasse eventos esportivos de massa em todas as unidades da federações.

Isso ocorreu em todos os países com contaminação em massa ou que apresentam um início de epidemia, como Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, EUA, entre outros. Ao final, dirigentes perceberam que era temerário para a saúde da população manter a realização dos jogos. Houve portões fechados no início, e depois cancelamentos.

A CBF, inicialmente, entendeu que a determinação do Ministério da Saúde se referia apenas ao Rio de Janeiro e a São Paulo. As federações dos dois Estados insistiram na realização de jogos dos campeonatos, inclusive com o Flamengo, cuja delegação estava sendo testada para coronavírus por um contato com um dirigente do clube. No final, o jogo contra Portuguesa aconteceu.

No decorrer do final de semana, a CBF cancelou os jogos. E, nesta segunda-feira, as federações do Rio de Janeiro e de São Paulo farão reuniões com os clubes para decidir se seguem esse procedimento para os Estaduais.

A ser confirmar esses cancelamentos, o Brasil acompanharia todo o roteiro do mundo civilizado, até de uma forma tardia. A América do Sul, por exemplo, já tinha parado a Libertadores porque todos os nove países tinham restrições para jogos com exceção do Brasil. Pois bem, após a decisão da CBF, o presidente Bolsonaro criticou, ressaltando que é direito de determinados governos do Estado:

"Quando você proíbe jogo de futebol, você está partindo para o histerismo. A CBF, a gente vai se reunir amanhã, poderia no caso vender um percentual de ingressos, levando-se em conta quando comporta nas arquibancadas. Não partir simplesmente para proibir isso ou aquilo. Por que não vai, no meu entender, conter a expansão desta forma muito rígida. Temos que tomar providência, mas sem histerismo", disse o presidente em entrevista à CNN.

O que o presidente chama de histeria é o recomendável e aplicado por governos e países em todos lugares do mundo em relação ao futebol. É hora de parar o futebol até a pandemia cessar porque ela custa vidas.

O ex-técnico da seleção da Itália Arrigo Sachi afirmou que "o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes do mundo." Bem, é hora de tratar das coisas mais importantes - no caso, a vida de boa parte da população - para que ainda exista um futebol no futuro. A CBF enxergou isso, cabe ao presidente sair da sua bolha e ver o que está ocorrendo no mundo.

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