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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Paulo Sousa destruiu o Flamengo. Mas o maior culpado é Rodolfo Landim

05/06/2022 22h22Atualizada em 06/06/2022 07h31

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Paulo Sousa não deveria ter sido contratado - um técnico cujo histórico de aproveitamento médio não chega a 50% e jamais teve um trabalho realmente expressivo nos 10 países pelos quais passou, jamais poderia entrar no radar do Flamengo, muito menos ser o escolhido. Mas foi.

Após a injustificável, indefensável e inquestionável perda do tetracampeonato carioca, sua demissão seria mandatória, caso o departamento de futebol tivesse um mínimo de competência e vergonha na cara. Mas não tem. Nem uma coisa, nem outra.

Eis que, em meio à claudicante campanha rubro-negra no Brasileiro, Jorge Jesus, o único treinador que se mostrou capaz de superar esse mar de improficiência que se estende da Gávea ao Ninho do Urubu, veio ao Brasil dizer que queria retomar o cargo. E foi ignorado.

Por quê? Porque o presidente do clube, Rodolfo Landim, é uma grã-fina de narinas de cadáver, aquela que Nelson Rodrigues nos contava que entrava no Maracanã e, excitada, perguntava quem era a bola. Em seu segundo mandato, continua a não saber bulhufas de futebol e, arrogante, vaidoso e vingativo, nem quis conversa com aquele que lhe garantiu os melhores e maiores momentos de glória. Basta ver a tragicômica declaração de que acha que Sousa tem muito mais conteúdo que Jesus... Pode rir. Gargalhar. Ou chorar, se você é rubro-negro.

Os quatro triunfos conseguidos no Maracanã, antes da vexaminosa derrota por 2 a 1 para o lanterna do campeonato, que ainda não tinha uma vitória sequer no torneio, foram mentirosos. Em momento algum, o Flamengo jogou bem. Se enganou quem quis. O time de Sousa é uma zona, um bando em campo.

E, sintomática e reveladora, a situação piora quando o técnico tem uma semana livre para treinar! Com cinco meses de trabalho, a equipe de Paulo Sousa joga muito menos bola do que jogava sob o comando de Renato Gaúcho. Bem como nos tempos de Ceni, Domènec e Abel Braga. Fato inquestionável.

Pior que a desastrosa atuação diante do Fortaleza foi, porém, a entrevista coletiva do treinador que, se isentando de qualquer culpa, justificou o péssimo desempenho e o resultado com erros técnicos e individuais dos jogadores. Imagine como isso será recebido pelo elenco que, evidentemente, já não morre de amores por ele... Ah, ia me esquecendo: fez questão de ressaltar, enfaticamente, que não é covarde! Justo no dia em que cometeu a maior covardia com os atletas que dirige!

Em tempo: se os atletas rubro-negros estão mal física e tecnicamente, de quem é a culpa? Do roupeiro ou da cozinheira do Ninho do Urubu? O que fazem Paulo Sousa e sua comissão técnica, além de estourarem a musculatura de seus atletas? O caso do goleiro Santos é quase inacreditável. Pablo é a vítima mais recente.

Por fim: com a bolinha ridícula que o Flamengo vem jogando, o confronto com o Tolima, no primeiro round do mata-mata da Libertadores, passa a ser de altíssimo risco. Haja o que houver, o mais triste é constatar que o treinador tirou dos torcedores aquilo que lhe é mais valioso: o prazer de ver seu time jogar. Ganhando ou perdendo, é um sofrimento sem fim.

Até quando? Se Landim fosse, realmente, rubro-negro, demitiria não somente Paulo Sousa e a sua comissão técnica, mas também todo o comando do departamento de futebol e contrataria um executivo de peso para dirigir tudo - inclusive fazer a escolha do próximo técnico. Ou alguém, em sã consciência, acredita que Marcos Braz e Bruno Spindel têm capacidade para isso?