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Renato Maurício Prado

Diniz perde mais um título em 2020. Levou um banho de Renato

Fernando Diniz, técnico do São Paulo, durante o empate em 0 a 0 com o Grêmio, pela Copa do Brasil - Marcello Zambrana/AGIF
Fernando Diniz, técnico do São Paulo, durante o empate em 0 a 0 com o Grêmio, pela Copa do Brasil Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

31/12/2020 11h43

Renato Gaúcho colocou Fernando Diniz no bolso. Depois de um primeiro jogo, na Arena gremista, em que o São Paulo foi melhor e não merecia ter perdido; o técnico do Grêmio chegou no Morumbi com um plano muito bem definido sobre o que fazer para garantir a classificação à final da Copa do Brasil. Já o treinador do São Paulo achou que bastaria continuar jogando, como sempre tem jogado, que a vitória aconteceria naturalmente, como poderia ter acontecido na primeira partida, não fossem os gols incrivelmente perdidos por Brenner e Luciano. Deu com os burros n'água.

No segundo e decisivo duelo dos tricolores, o gaúcho foi muito mais inteligente e efetivo do que o paulista. Ao contrário do que houve no primeiro confronto, o Grêmio entrou para jogar uma final de Copa do Mundo (e assim jogou) e, mesmo tendo a forte marcação, em seu campo, como prioridade número um, teve as melhores oportunidades para marcar - inclusive uma bola na trave, de Vitor Ferraz, logo no início da partida.

No segundo tempo, depois de ser obrigado a substituir, por exaustão ou contusão, os seus melhores jogadores (Diego Souza, Jean Pyerre, Alisson, Pepê e Victor Ferraz), o time gaúcho se trancou na defesa e lutou ferozmente, a cada dividida, a cada bola. A cara do Grêmio. E o São Paulo, simplesmente, não soube o que fazer com a sua tradicional e gigantesca posse de bola. Vanderlei, goleiro gremista, não precisou fazer nem sequer uma defesa difícil - o que resume bem a partida.

Tal qual o catalão Domènec Torrent fazia, no Flamengo, Diniz acabou o jogo com cinco atacantes e apenas um zagueiro de ofício, Arboleda. Adiantou algo? Nada. Por que o São Paulo simplesmente tem um único esquema de jogo, baseado no toque de bola de um lado para o outro do campo até que surja um espaço. Não surgiu. E nenhum dos jogadores são-paulinos foi capaz de encontrar uma brecha. Nem Daniel Alves, tecnicamente o mais dotado, mas numa noite sem inspiração alguma.

É verdade que os desfalques de Reinaldo e Luciano pesaram. Mas não podem justificar atuação tão amorfa e incompetente. Assim, o São Paulo de Diniz fracassa na quarta competição seguida: Paulistinha, Libertadores, Sul-Americana e, agora, Copa do Brasil. Não sem motivo, a torcida (que se aglomerou, irresponsavelmente, nos arredores do Morumbi) brada agora que o Brasileiro é obrigação.

Passou a ser mesmo. Já imaginou se o time de Diniz deixa escapar o título, mesmo tendo sete pontos de vantagem, faltando apenas 11 rodadas? Ainda que o Flamengo possa diminuir essa diferença se vencer o jogo adiado contra o Grêmio?

As próximas rodadas serão decisivas. Até que ponto o fator psicológico pode influenciar o líder do Brasileiro, daqui pra frente? Atlético Mineiro e Flamengo estão de olho. E podem ameaçar, em caso de tropeços do São Paulo.

Em tempo: muito provavelmente, o Grêmio priorizará, a partir de agora, a Copa do Brasil. Assim como o Palmeiras (o outro finalista) que tem ainda a Libertadores. Que efeito isso causará na reta final do Brasileirão? E o que dirão do ano de Fernando Diniz caso ele perca mais este título?

Os próximos capítulos prometer ser emocionantes...

Renato Maurício Prado