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Renato Maurício Prado

Ramon e Autuori se destacam no início do Brasileiro

Ramon Menezes, destaque no comando do Vasco - Thiago Ribeiro/AGIF
Ramon Menezes, destaque no comando do Vasco Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

27/08/2020 04h00

O atual campeão e, antes de a bola rolar, superfavorito Flamengo, começou derrapando feio. Domènec Torrent não cumpriu a promessa de começar "pianinho", dando continuidade ao vitorioso trabalho de seu antecessor Jorge Jesus, e decepciona, com apenas uma vitória, duas derrotas e dois empates conseguidos na bacia das almas.

Aquele que se apresentava como seu maior desafiante, o Palmeiras, soma três pontos a mais na tabela (com um jogo a menos), mas não conseguiu ainda jogar um futebol à altura do elenco que possui e nem sequer encontrou uma formação titular que convença o técnico Vanderlei Luxemburgo e a torcida.

Decepcionantes também são os desempenhos de Corinthians e São Paulo, onde os outrora ofensivos Tiago Nunes e Fernando Diniz, ao sentir que estavam ameaçados em seus cargos, passaram a privilegiar muito mais o trabalho de suas defesas do que de seus ataques.

O Internacional de Eduardo Coudet e o Atlético Mineiro, de Jorge Sampaoli, parecem ser, nestas primeiras rodadas, os times mais promissores, mas nem de longe passam a confiança de já ter grandes equipes, consolidadas para a disputa da temporada. O mesmo pode-se dizer do Grêmio de Renato Gaúcho, significativamente enfraquecido com a saída de Everton Cebolinha.

Em suma: a paralisação provocada pela pandemia nivelou por baixo todas as equipes e qualquer previsão neste momento soa precipitada. Fato é que, após cinco rodadas, não temos nem sequer um time jogando um futebol encantador. Estão quase todos em busca de uma estratégia de jogo e de um estilo que produza resultados e, ao mesmo tempo, seja capaz de conquistar o coração do torcedor.

Dentro desse panorama desolador, é justo, porém, destacar o trabalho de dos treinadores: Ramon, do Vasco, e Paulo Autuori, do Botafogo. Com elencos limitados tecnicamente e orçamentos que vivem no vermelho, ambos conseguem dar aos times que comandam uma "cara", um jeito de jogar bem definido e, dentro de suas modestas pretensões, bem-sucedido.

O Vasco, quem apostaria nisso, antes de o campeonato começar, chegou a liderar a tabela de classificação e se mantém entre os primeiros, justificando sonhos que pareciam impossíveis (uma vaga na Libertadores, quem sabe?). É um time bem armado, extremamente disciplinado taticamente e que tem na frente um artilheiro implacável: Germán Cano.

O Botafogo, igualmente aplicado, mas numa estratégia diferente, assumidamente reativa, derrotou o todo-poderoso Atlético Mineiro de Sampaoli de forma incontestável e esteve bem perto de repetir a dose contra o Flamengo - os três pontos escaparam num pênalti, no último lance da partida, marcado pelo VAR.

Não creio que nenhum dos dois tenha condições de brigar pelos principais títulos da temporada. Mas são, ao menos por enquanto, dos poucos times que sabem o que fazer em campo. O que, pelo que se tem visto dos chamados bichos-papões, não é pouco neste Campeonato Brasileiro.

Falta de respeito

Quando disse, na entrevista pós-jogo, que em seu time ninguém joga com o nome, Domènec Torrent foi extremamente deselegante com Arrascaeta e Gerson, que ele barrou e nem sequer colocou no segundo tempo do jogo contra o Botafogo.

Ele tem todo o direito de pensar e agir assim, mas não pode desrespeitar os titulares de um time que ganhou praticamente tudo o que disputou, em 2019 e no início de 2020, até a paralisação pela pandemia. Suas palavras provocaram um erro maior de Arrascaeta, com o tweet em que o uruguaio fez questão de dizer que não tinha problema físico algum.

Marcos Braz precisa agir, mostrando ao técnico catalão que é obrigatório, no mínimo, carinho e respeito com aqueles que escreveram algumas das páginas mais gloriosas da centenária história do Flamengo. É aceitável que modifique o time, em busca do futebol perdido com sua tática de totó e a má forma física de alguns jogadores, mas se não quiser perder o apoio do grupo (o que seria fatal para o seu trabalho), é preciso cuidado com as palavras.

Cheirinho de 0 a 0

Com Tiago Nunes e Fernando Diniz tão questionados por seus trabalhos, duvido que o clássico entre Corinthians e São Paulo seja um jogo aberto e ofensivo. Nenhum dos dois quer perder e a possibilidade de vermos um jogo fechado, feio e extremamente cauteloso de parte a parte é enorme.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado