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Renato Maurício Prado

Descanse em paz, gênio

Kobe Bryant em seu último jogo pelos Lakers  - Harry How/Getty Images/AFP
Kobe Bryant em seu último jogo pelos Lakers Imagem: Harry How/Getty Images/AFP
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

27/01/2020 02h34

Pensei em escrever hoje sobre as negociações entre Flamengo e Inter de Milão para a compra de Gabigol — discussões que uma fonte absolutamente fidedigna (e que está na Itália) me garantiu, no domingo pela manhã, deram uma inesperada complicada. Ainda assim creio que devem se resolver até o encerramento da janela de transferências, marcada para o final deste mês. Continuam a ser muito boas, portanto, as chances de o artilheiro permanecer no rubro-negro carioca, para defender os títulos do Brasileiro e da Libertadores. Seja como for, certo é que não estará presente na reapresentação de hoje, no Ninho do Urubu.

Pensei também em abordar (mais) uma patética entrevista de Vanderlei Luxemburgo, desta vez ao Esporte Espetacular, na qual destilou sua conhecida arrogância e despeito, ao tentar minimizar o trabalho de Jorge Sampaoli. "Ganhou o que?", perguntou, ironizando a imprensa brasileira que, em sua opinião, tinha sido "muito boazinha" com o argentino. Na mesma reportagem, novamente, repetiu sua velha ladainha de que não há nada de novo no futebol. Segundo ele, mudaram apenas as nomenclaturas...

Pensei ainda em falar sobre o clássico entre Palmeiras e São Paulo, que terminou 0 a 0, mas ainda assim foi um bom jogo de futebol, com o tricolor tendo o controle da bola na maior parte do tempo, mas o verdão criando as oportunidades mais claras de gol. Daniel Alves, como de hábito, não me convenceu como armador. Tem muito talento, é óbvio, mas embora faça uma boa jogada aqui, outra ali, não consegue dar ao time o ritmo necessário. E o São Paulo fica lento, previsível. Está aí um quebra-cabeça que Fernando Diniz terá que resolver.

Pensei, pra você ver, em falar até do Carioquinha, esse torneio completamente desmoralizado, no qual Flamengo, Vasco e Botafogo escalam times reservas e de garotos e o único grande a botar sistematicamente em campo o que tem de melhor até agora é o Fluminense, não por acaso, o líder da Taça Guanabara, onde já pinta como favorito ao título.

Estava, pois, pensando em qual desses temas deveria me ater na coluna de hoje, quando chegou a notícia devastadora da morte de Kobe Bryant. Diante dela, perderam a importância todos os demais assuntos. A tragédia tornou-se ainda maior ao saber do falecimento também de sua filha Gianna, de apenas 13 anos, uma das maiores promessas do basquetebol feminino americano. Kobe e ela viajavam, segundo as agências internacionais, para um jogo promocional no qual a menina seria uma das estrelas.

Fã de carteirinha de Michael Jordan e LeBron James, confesso, nunca senti a mesma admiração por Kobe, embora reconhecesse e aplaudisse o seu talento fora de série. O jornalismo me permitiu vê-lo em ação, bem de perto, nos Jogos Olímpicos de Pequim e Londres. Na China, ele era a estrela maior da equipe que conquistou o ouro. Já na Inglaterra, os holofotes estavam sobre LeBron James, coadjuvante quatro anos antes. E o lugar mais alto do pódio foi garantido com a quebra de vários recordes, sendo esse time de 2012 considerado o segundo melhor da história, atrás apenas do Dream Team original, campeão olímpico em 1992.

Kobe Bryant, apelidado, no meio do basquete, de Black Mamba (nome de uma das cobras mais venenosas e velozes do mundo, cujo veneno altamente tóxico causa a morte de um ser humano em menos de 45 minutos), se tornou uma lenda com a camiseta de número 24, do Los Angeles Lakers. Era, até um dia antes de sua morte, o terceiro maior pontuador da NBA em todos os tempos.

No último sábado, também com a camisa dos Lakers, LeBron James (que jogou com as inscrições "Mamba 4 Life" e "8/24 KB", homenageando-o, nos tênis) bateu sua marca e foi saudado pelo próprio Kobe, naquele que foi o seu último post em sua conta pessoal no Twitter ("Continue levando o jogo adiante King James. Muito respeito, meu irmão".

O esporte, em geral, e o basquete, em particular estão de luto. Partiu um dos maiores da história. Descanse em paz, gênio! Lendas, como você, são eternas na memória dos fãs.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, a incrição da camisa que Kobe Bryant já usou é "8/24 KB" e não "B/24 KB". O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado