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Renato Mauricio Prado: O grande desafio de Neymar

Anne-Christine POUJOULAT / AFP
Imagem: Anne-Christine POUJOULAT / AFP
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

13/01/2020 04h00

Neymar voltou a jogar muito bem. Suas últimas atuações no PSG, dentro de campo, e sua menor exposição, fora dele, o estão ajudando a fazer as pazes com a torcida francesa, que o vaiava inclementemente, desde o início da última temporada europeia.

No animado jogo de domingo passado, no Parque dos Príncipes, ele fez dois gols e participou ativamente do terceiro. No final, o empate em 3 a 3, com o Monaco, deixou um gosto amargo para os parisienses, mas o camisa 10 saiu ileso de críticas. Foi, disparado, o melhor de seu time.

O que isso quer dizer, em termos do futuro dele, no futebol mundial? Muito pouco. Aos 28 anos (que fará no início de fevereiro), ele precisa ganhar, como protagonista, algo muito maior que o Campeonato Francês — título insignificante diante da disparidade econômica do PSG em relação aos demais. Conquistar a Liga dos Campeões deste ano é a única forma que tem para retomar o patamar de um dos maiores no futebol mundial.

No clube de Paris, apesar da presença de Mbappé, ele ainda é a estrela maior. Se, como ainda pretende, voltar ao Barcelona no final do ano, passará a viver de novo sob a sombra de Messi. E quando o argentino parar já terá mais de 30 anos.

A Champions League, com a camisa do PSG, ou a próxima Copa do Mundo, com a seleção brasileira, são suas maiores chances (eu diria, as únicas) de disputar uma vez mais o posto de melhor do mundo. Será possível? Com o Liverpool jogando o que está jogando e o futebolzinho mequetrefe do time do Tite, não sei, não...

Não basta revelar

Qual clube brasileiro revelou os melhores jogadores em suas categorias de base? Indiscutivelmente, o Santos: Diego, Robinho, Neymar, Gabigol e Rodrygo encerram qualquer discussão.

Qual lucrou mais e, principalmente, capitalizou bem suas vendas? O Flamengo: com as fortunas arrecadadas com Vinícius Jr., Paquetá e, possivelmente em breve, Reinier (para ficar apenas nos mais caros).

Há uma diferença abissal entre revelar, saber vender e, principalmente, aplicar sabiamente as fortunas que entram na negociação das "joias" de suas divisões de base.

O Santos é um fenomenal exemplo de desperdício. O Flamengo, nos últimos anos, de eficiência. É o que difere, hoje em dia, o campeão brasileiro de seu vice. E da maioria de seus competidores por todo o país.

Bem encaminhado

Jesus vai ficar. Suas últimas entrevistas em Portugal e suas postagens nas redes sociais deixam claro seus planos - o maior deles, ser campeão do mundo, à frente do Flamengo. Conseguirá? Difícil dizer. Mas com a manutenção da base e a chegada de vários reforços importantes (Gustavo Henrique, Pedro Rocha, Michael e, provavelmente Tiago Maia e, possivelmente, Pedro), o rubro-negro começará o ano como favorito em todas as competições que disputar por aqui. O Mundial é outra coisa. Mas, sonhar não custa nada...

Renato Maurício Prado