Topo

Coluna

Renato Maurício Prado


Renato Maurício Prado: Ai, Jesus!

Jogadores do Flamengo posicionados para foto antes da derrota por 3 a 0 para o Bahia em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro - Alexandre Vidal / Flamengo
Jogadores do Flamengo posicionados para foto antes da derrota por 3 a 0 para o Bahia em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

05/08/2019 01h02

Pode ter sido a ressaca emocional e física da sofrida e dramática classificação, de virada, na Libertadores. Pode ter sido apenas mais um mau dia, como o do primeiro jogo contra o Emelec, no Equador. Pode ter sido até a bem-sucedida tática de contra-ataques do Bahia, de Roger Machado, diante da ainda mal treinada zaga avançada de Jorge Jesus. Fato é que o Flamengo foi péssimo em termos coletivos e individuais na incontestável derrota na Fonte Nova, por 3 a 0.

Ninguém se salvou. E alguns conseguiram ser ainda piores que os outros, como o já bastante contestado goleiro Diego Alves, herói na decisão por pênaltis contra o Emelec, mas que voltou a falhar bisonhamente, dessa vez na jogada do segundo gol baiano. Está mais do que na hora de ir para o banco de reservas, dando o lugar a César.

A estreia do lateral-esquerdo Filipe Luís foi também um desastre. Nas suas costas nasceram os dois primeiros gols (o primeiro, em impedimento) e, no apoio, ele mal foi visto. Compreensível, diante do tempo parado, após a Copa América. Incompreensível foi a decisão de lançá-lo precipitadamente, num jogo complicado e fora de casa.

Eliminado na Copa do Brasil, o Fla terá agora duas semanas mais folgadas para se preparar para o duelo contra o Internacional, pelas quartas-de-final da Libertadores. Seu adversário jogará na próxima quarta-feira (contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil), mas, o Colorado já tem utilizado times reservas no Campeonato Brasileiro, evitando o desgaste dos titulares.

Como a Libertadores é o grande projeto rubro-negro no ano, Jorge Jesus deveria começar a avaliar com cuidado a melhor forma de usar seus principais jogadores. Ainda mais quando alguns deles, como Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Bruno Henrique ainda se encontram nitidamente fora de forma, voltando de contusões.

O português é um bom técnico, mas, apesar do nome, não faz milagres. Basta ver a enorme dificuldade que o time tem encontrado para assimilar a nova forma de jogar, com os zagueiros bem adiantados, compactando o time, quando a bola está no seu ataque.

Se já estava difícil com Rodinei, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê (que jogavam juntos há um bom tempo); imagine com Rafinha, Thuler, Pablo Marí e Filipe Luís - uma zaga inteiramente nova e completamente desentrosada. É evidente que precisa ser bem mais protegida, ao menos até que se entenda a ponto de fazer valer a maior categoria de seus novos integrantes.

Como bem disse Jesus, ele está sendo obrigado a trocar o pneu com o carro em movimento. Mas é para isso que ele foi contratado. Se vira, ó pá!

Cavalo paraguaio, não. Argentino

Sete vitórias consecutivas, num campeonato equilibrado como o Brasileiro, não acontecem por acaso. O Santos de Jorge Sampaoli joga não somente o futebol mais vistoso do país, mas também o mais eficiente. Por isso, lidera a tabela com quatro pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Palmeiras, e oito sobre o terceiro, o Flamengo - os dois times mais ricos do país, na atualidade, donos de elencos milionários e, ao menos no papel, bem mais fortes que o da Vila Belmiro.

Por conta dessa disparidade econômica e, por que não dizer, técnica, muita gente via o Santos entre os primeiros como um "cavalo paraguaio" - aquele competidor que dispara na primeira parte do páreo, mas depois abre o bico e acaba lá no final do pelotão. Sugiro que tal enfoque seja mudado de forma radical. É óbvio que ainda é muito cedo para previsões açodadas (vide os prognósticos recentes sobre o título do Palmeiras), mas pelo visto a equipe de Sampaoli tem tudo para se manter firme nesta briga. Até porque o seu comandante não é "paraguaio" (no sentido de animal fuleiro ou produto falsificado). É argentino. E tradicionalmente, quem gostas de turfe sabe bem disso, os cavalos argentinos sempre chegaram aqui e faturaram nossos melhores grandes prêmios.

Em tempo: o que está jogando o baixinho venezuelano Soteldo, hein? Não deixa nada a dever aos melhores momentos do Cebolinha, do Grêmio.

Em tempo 2, a missão: o fato de estar jogando somente o Brasileiro (foi eliminado precocemente na Copa do Brasil e na Sul-Americana) é uma vantagem e tanto sobre os seus principais rivais.

Goleiraço

Não fosse a brilhante atuação de Cássio (mais uma), o Palmeiras teria derrotado o Corinthians, no clássico paulista, em Itaquera. O jogo não foi brilhante (longe disso), mas o time de Felipão criou muito mais chances para marcar, o que só não aconteceu por causa das grandes defesas do goleiro corintiano.

Renato Maurício Prado