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Renato Maurício Prado


Ué, o campeonato não tinha acabado?

Santos empatou na liderança com o Palmeiras - Thiago Ribeiro/AGIF
Santos empatou na liderança com o Palmeiras Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

22/07/2019 04h00

A parada do Brasileiro para a Copa América parece ter servido para equilibrar ainda mais o campeonato, queimando a língua dos açodados que já consideravam o título decidido, com apenas nove rodadas! É cedo pra dizer se o Palmeiras "virou o fio", mas que voltou pior da paralisação, voltou. No entanto, mesmo eliminado da Copa do Brasil, pelo Internacional, e batido pelo Ceará, perdendo uma longa invencibilidade, o time de Felipão, claro, ainda é um dos fortes favoritos para levantar o caneco. Mas não é o único. Longe disso.

O Palmeiras ainda tem - e provavelmente terá até o fim da temporada - o elenco mais forte do país. Somente o Flamengo pode rivalizar com ele, se vierem mesmo o Filipe Luís e o prometido centroavante. Os demais são inferiores. O que não quer dizer que não tenham times capazes de lhes fazer frente. Que o diga o Santos de Sampaoli que, com um plantel bem mais pobre tecnicamente, consegue chegar à décima primeira rodada com a mesma pontuação do líder. E, detalhe: não está mais disputando nenhuma competição que não seja o Brasileiro - o que passa a ser uma boa vantagem.

Muita água ainda rolará debaixo da ponte e as participações na Libertadores, na Sul-Americana e na Copa do Brasil, com certeza, farão estragos naqueles que ainda as disputam. Por isso, não me arrisco a fazer qualquer previsão tão cedo.

O Brasileiro está aberto, não somente na luta pelo título, mas, e principalmente, na briga pelas vagas na Libertadores do ano que vem - o chamado G-6. Querem um exemplo? O Vasco, décimo quinto colocado, está a apenas seis pontos do G-6. E a distância entre os primeiros e o quarto é igualmente meia dúzia de pontos. Tudo pode acontecer.

Particularmente, o que considero mais interessante é o duelo de estilos e filosofias de jogo que se desenha, notadamente, entre os primeiros. Nas posições atuais por exemplo, temos o pragmático e normalmente defensivo Luiz Felipe Scolari perseguido por dois treinadores estrangeiros (Sampaoli e Jesus) de escola oposta - aquela que privilegia o ataque e costuma armar seus times para jogar bem avançados, ocupando o campo rival.

É bem verdade que no duelo entre Felipão e Sampaoli, na quinta rodada, o Palmeiras sapecou um sonoro 4 a 0 no Santos. E nessa última rodada, o Corinthians, de Fábio Carille, outro defensivista, esteve bem perto de derrotar o Flamengo, do ofensivo Jorge Jesus. Mas um jogo só (ainda mais quando uma das equipes atua desfalcada de alguns de seus principais jogadores, como foi o caso do rubro-negro carioca) não é parâmetro. O que vai interessar, no frigir dos ovos, é a colocação final de cada um.
Acho extremamente saudável que tenhamos filosofias tão opostas em jogo. Pessoalmente, sempre preferirei a opção pelo ataque. Mas como negar os resultados um supercampeão como Scolari? Ou os títulos conquistados por Carille? Há espaço para várias escolas. Sempre.

Quem parece perto de trocar de lado nessa batalha é o Fluminense, que vê o time de Fernando Diniz jogar um futebol vistoso, mas não conseguir resultados. Acaba a rodada na zona do rebaixamento e o atual vice de futebol e antigo mecenas Celso Barros já não esconde a vontade de trocar o comando técnico tricolor. Quem será o seu substituto? Provavelmente, um defensor da filosofia de, antes de mais nada, "fechar a casinha". E aí, o que fazer com jogadores como Nenê e Ganso?

Façam suas apostas. Tendo chegado apenas à décima primeira rodada, este Brasileirão ainda dará motivos de sobra para que se defenda um lado ou o outro. E essa é a principal graça desse campeonato tão equilibrado.

Ato ignóbil e covarde

A cena de torcedores do Internacional agredindo uma torcedora do Grêmio e roubando-lhe a camisa que o filho tinha ganhado de Luan é repugnante, vergonhosa, asquerosa. O Colorado já se manifestou, prometendo identificar os envolvidos e puni-los. É o mínimo que se espera, em nome da civilidade e do espírito esportivo. Barbaridades como essa não podem passar em branco e ficar impunes.

Renato Maurício Prado