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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que um empréstimo seria uma opção mais viável para Neymar sair do PSG

Neymar está de saída do PSG? Empréstimo é o caminho mais provável - REUTERS/Stephane Mahe
Neymar está de saída do PSG? Empréstimo é o caminho mais provável Imagem: REUTERS/Stephane Mahe
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

01/07/2022 04h00

Neymar pode estar de saída do PSG. De acordo com reportagem publicada na última terça-feira pelo jornal espanhol "El Pais", o clube francês não conta mais com o meia-atacante brasileiro e está aberto a propostas para negociá-lo nesta janela de transferências. E um empréstimo é o caminho mais viável caso essa saída de fato se concretize.

A dificuldade maior para o PSG nem seria encontrar um time disposto a pagar os cerca de 80 milhões de euros (R$ 437,3 milhões) estimados como valor necessário para a compra dos seus direitos econômicos. Duro mesmo seria achar quem tenha coragem de pelo menos igualar o salário atual do camisa 10 brasileiro, simplesmente o segundo jogador mais bem pago do futebol mundial na atualidade, para convencê-lo a topar essa transferência.

Em Paris, Neymar ganha 49 milhões de euros (R$ 266,9 milhões) por ano. O valor não inclui prêmios e bônus por objetivos alcançados que costumeiramente também são pagos pelo PSG e nem receitas extraclube com marketing,

Para se ter uma ideia de como essa quantia é muito dinheiro até mesmo dentro do inflacionado mundo do primeiro escalão do futebol europeu, o salário do centroavante francês Karim Benzema, favorito ao prêmio de melhor jogador do planeta, no Real Madrid não chega nem à metade dos rendimentos do meia-atacante -ele recebe 24 milhões de euros (R$ 130,8 milhões) por temporada.

Já Mohamed Salah, protagonista do Liverpool que perdeu para o time de Benzema na final da Champions, leva para casa 12,1 milhões de euros (R$ 65,9 milhões) a cada 12 meses, o que não dá nem 25% do salário de Neymar.

O estafe do jogador nega ter sido informado pela diretoria que ele está à venda. E é óbvio que o brasileiro poderia aceitar uma redução nos ganhos para, às vésperas da Copa do Mundo do Qatar-2022, atuar em um clube que realmente deseje tê-lo em seu elenco. Mas a informação que o PSG possui é que Neymar nem cogita essa hipótese. Seu desejo é receber o valor integral dos salários até 2027, quando termina sua relação com o clube francês, jogando em Paris ou não.

Diante da possibilidade remota de encontrar um clube disposto a desembolsar essa grana toda por um jogador que parece já ter passado do auge da sua carreira, os parisienses não têm muitas opções assim caso realmente queiram se livrar do camisa

Sendo assim, o caminho mais natural seria aceitar que a operação "saída de Neymar" trará prejuízo financeiro e emprestar o jogador a algum time que tenha interesse em acolhê-lo, mesmo que tenha que continuar bancando parte considerável do salário do astro.

Esse mecanismo é a aposta do Milan para tentar ter o brasileiro pelo menos durante uma temporada. O campeão italiano assumiria no máximo 40% do salário do jogador. O Santos também dependeria da boa vontade do PSG para concretizar seu projeto de repatriar o craque, mas ficaria responsável pelo pagamento de uma parcela bem menor dos rendimentos.

O camisa 10 está no PSG desde 2017 e ganhou quatro das cinco edições do Campeonato Francês que disputou. Apesar da hegemonia local, não conseguiu levar a equipe à inédita conquista da Liga dos Campeões da Europa, objetivo número um estabelecido pelo governo do Qatar, que banca o projeto parisiense.

Transformado em ídolo em Paris assim que foi contratado por 222 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão), valor jamais pago por outro jogador de futebol, o brasileiro foi perdendo apoio da torcida conforme foi acumulando problemas físicos e disciplinares, que fizeram com que ele desfalcasse a equipe em cerca de metade dos compromissos nos últimos anos.

O ápice do descontentamento aconteceu na temporada passada. Neymar foi apontado internamente como o principal responsável pelo trio de estrelas formado por ele, Kylian Mbappé e Lionel Messi não ter dado o resultado esperado.

A situação do brasileiro ficou ainda mais complicada depois da renovação de contrato de Mbappé, que acredita que há opções melhores que Neymar para lhe fazer companhia no ataque, e da substituição de Leonardo pelo português Luís Campos no posto de "manda-chuvas" do futebol parisiense.