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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que os times brasileiros agora pouco lucram com vendas para o exterior?

Luiz Henrique é a maior venda do futebol brasileiro nesta temporada - MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
Luiz Henrique é a maior venda do futebol brasileiro nesta temporada Imagem: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

29/06/2022 04h00

Em 2019, o Santos faturou 45 milhões de euros (quase R$ 250 milhões) com a ida de Rodrygo para o Real Madrid. No ano seguinte, o Grêmio vendeu Éverton Cebolinha para o Benfica e lucrou 20 milhões de euros (R$ 110,8 milhões). Já na temporada passada, o Flamengo também colocou 20 milhões de euros na conta com a transação de Gerson para o Olympique de Marselha.

Ao contrário dos últimos anos, o começo da janela de transferências da temporada 2022/23 não tem sido muito generosa com os clubes brasileiros que dependem da venda de jogadores ao exterior para conseguir fechar o orçamento.

Até o momento, os maiores negócios com o mercado externo foram a saída do meia Matheus Henrique do Grêmio para o Sassuolo e a venda do atacante Luiz Henrique, do Fluminense, para o Betis. Cada um desse negócios movimentou 8 milhões de euros (R$ 44,3 milhões)

A primeira transação foi fechada ainda no ano passado, como empréstimo com cláusula obrigatória de compra para a temporada seguinte. Ou seja, não é bem uma movimentação desta temporada. Já a segunda realmente pertence ao calendário deste ano.

Apesar de a janela para os mercados mais ricos do Velho Continente ainda ter mais dois meses inteirinhos pela frente, não há muita perspectiva de uma mudança radical nesse cenário.

Isso porque falta no futebol brasileiro atual o tipo de jogador que hoje em dia faz os clubes do primeiro escalão da Europa virem à América do Sul com propostas realmente expressivas, aquelas superiores a 15 milhões de euros (R$ 82,8 milhões), por exemplo.

Transferências desse patamar só têm sido atingidas por garotos que são fenômenos (como Vinícius Júnior, por exemplo) e jovens talentosos que, mesmo com a pouca idade, são protagonistas dos seus times aqui no Brasil.

Quem melhor se encaixa nesse exemplo é o volante Danilo, destaque do Palmeiras e já convocado para a seleção principal. Mas a presidente Leila Pereira já disse que a venda do jogador de 21 anos não faz parte do planejamento para 2022.

É claro que há sim alguns jovens cotados para deixar o Brasil nesta janela. O zagueiro João Victor, do Corinthians, pode ser negociado com o Porto, que também está acompanhando as situações dos são-paulinos Rodrigo Nestor e Igor Gomes.

No entanto, nenhuma dessas possíveis vendas deve chegar a valores tão altos quanto as transferências mais caras do mercado brasileiro nas últimas temporadas. Por isso, a janela de 2022/23 tem tudo para ser bem pobrezinha para os clubes nacionais.

A Inglaterra é o único país da elite europeia que já abriu a janela de transferências. Alemanha, Espanha, França e Itália optaram por manter a data tradicional e, apesar de já estarem contratando, liberarão oficialmente os negócios nesta sexta-feira, 1º de julho.

Apesar da discordância quanto ao início, os cinco campeonatos nacionais mais importantes do Velho Continente manterão o mercado aberto até o mesmo dia: 1º de setembro. Depois, os clubes só poderão registrar atletas que já estavam sem contrato, ou seja, que não tinham vínculo com nenhuma equipe.

No Brasil, onde a janela é exclusiva para a chegada de jogadores que estavam no exterior (transferências internacionais), o próximo período apto para transações vai de 18 de julho a 15 de agosto.