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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que trio de estrelas do PSG emplacou 'tarde demais' na temporada?

Neymar, Messi e Mbappé estão prestes a faturar título francês - Reprodução/Instagram @neymarjr
Neymar, Messi e Mbappé estão prestes a faturar título francês Imagem: Reprodução/Instagram @neymarjr
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

19/04/2022 04h00

Nos últimos cinco jogos do Paris Saint-Germain, Kylian Mbappé e Neymar marcaram sete gols cada. Lionel Messi, por sua vez, teve participação direta em quatro jogadas que terminaram com a bola estufando as redes adversárias.

Demorou quase uma temporada inteira, mas o trio de ataque mais estrelado do planeta, parece, enfim, ter conseguido decolar.

Para azar do PSG isso só aconteceu depois de o clube já ter sido eliminado da Liga dos Campeões da Europa, sua obsessão anual, e ter como único prêmio de consolação a briga pelo título francês —será campeão amanhã, com cinco rodadas de antecipação, se derrotar o Angers e o Olympique de Marselha não bater o Nantes.

O fortalecimento da trinca formada pelo heptcacampeão da Bola de Ouro (Messi), pelo duas vezes terceiro colocado nas eleições da Fifa (Neymar) e pelo mais forte candidato a um futuro prêmio de melhor do mundo (Mbappé) tem dois motivos principais.

O primeiro é a recuperação física de Neymar. O camisa 10 ficou mais de dois meses fora de ação devido a uma contusão no tornozelo e só retornou à ação às vésperas do confronto decisivo contra o Real Madrid, pelas oitavas da Champions.

Com pouco ritmo, foi pouco útil no mata-mata que eliminou os franceses (tanto que, pela primeira vez na carreira, terminou a competição interclubes mais badalada do planeta sem ter marcado sequer um golzinho).

Mas, depois que entrou os eixos e retomou a velha forma, Neymar voltou a ser decisivo como nos seus primeiros anos em Paris. E a prova disso é que, apenas nesses últimos cinco jogos, ele já balançou as redes mais vezes do que em todo o restante da temporada.

Além da melhoria das condições físicas do brasileiro, a queda na Champions foi o outro fator que fez o trio de astros do PSG começar a dar um pouquinho do resultado que seus milhões de fãs espalhados pelo mundo imaginavam que eles seriam capazes.

Enquanto estavam envolvidos na competição continental, Messi, Neymar e Mbappé levavam as partidas da Ligue 1 em "banho-maria" e, na maioria das vezes, faziam o mínimo esforço necessário para sair de campo com os três pontos.

Em contrapartida, quando atuavam na Champions, sofriam como o desequilíbrio tático do PSG: um time em que faltavam jogadores para defender (já que os três astros pouco participam dos trabalhos de recuperação de bola) e também para atacar (os outros atletas de linha não podiam se lançar tanto à frente para não desfigurar o já frágil sistema de marcação).

Essa deficiência tática não foi amenizada pelo técnico Mauricio Pochettino desde a queda no torneio europeu. Mas, a bem da verdade, não precisa.

Tendo seus três maiores astros "a fim de jogo" e levando todas as partidas a sério, o Paris Saint-Germain é tão superior tecnicamente a qualquer outro time da França que esse desequilíbrio normalmente não chega a lhe provocar danos.

E isso explica por que a formação com Neymar, Messi e Mbappé juntos agora está rendendo tanto.

Com 15 pontos de vantagem para o vice-líder Olympique de Marselha, o PSG tem mais seis compromissos para tentar somar os quatro pontos necessários para ser campeão sem depender de nenhum tropeço do rival.

Além do confronto contra o Angers, eles ainda enfrentam Lens, Strasbourg, Troyes, Montpellier e Lens.

Desde que foi comprado pelo governo do Qatar e se tornou um dos novos ricos do futebol europeu, os parisienses só não faturaram o título em três edições da Ligue 1 (em todas elas, acabou na segunda colocação). Em 2011/12, a temporada de estreia do projeto, o Montpellier ficou com a taça. Em 2016/17, foi a vez do Monaco surpreender. E, no ano passado, deu Lille.