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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Por que Salah, finalista do 'The Best', não durou nem 20 jogos no Chelsea?

Salah teve uma passagem desastrosa pelo Chelsea antes de brilhar no Liverpool - Getty Images
Salah teve uma passagem desastrosa pelo Chelsea antes de brilhar no Liverpool Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

12/01/2022 04h00

Mohamed Salah já tem 229 partidas, 148 gols, 56 assistências, um título histórico de Campeonato Inglês, um troféu de Liga dos Campeões da Europa e incontáveis prêmios individuais pelo Liverpool.

O adversário de Lionel Messi (Paris Saint-Germain) e Robert Lewandowski (Bayern de Munique) no "The Best" já é um dos grandes nomes que vestiram a camisa dos "Reds". Mas essa história de sucesso só foi possível porque um dos maiores rivais do clube inglês deu mole.

Antes de marcar época no Liverpool, o astro egípcio já havia tido uma passagem anterior pela Premier League. Entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2015, o atacante defendeu as cores do Chelsea.

Os "Blues" foram o segundo clube de Salah na Europa. Antes de ser contratado por 16,5 milhões de euros (R$ 105,8 milhões), o então jovem de 21 anos havia jogado durante uma temporada e meia no Basel, da Suíça.

Mas a passagem do egípcio por Stamford Bridge foi catastrófica. Tendo de disputar posição com nomes do peso de Eden Hazard, Samuel Eto'o, André Schürrle e Willian, ele só foi utilizado 19 vezes e marcou apenas dois gols.

Salah chegou a ficar dois meses inteiros sem ir a campo por nem sequer um minuto em jogos do Campeonato Inglês. Na "geladeira" com o técnico José Mourinho, acabou sendo emprestado à Fiorentina para não ficar com a carreira estagnada.

"Quando chegou ao Chelsea, ele era um menino solitário, ingênuo, completamente fora do contexto e fisicamente frágil", afirmou o treinador português, em 2019, explicando por que o hoje candidato a melhor jogador do mundo não deu certo em suas mãos.

O Salah dos primeiros anos de Europa já era extremamente veloz e habilidoso, mas tinha muitas dificuldades de finalização e pecava no posicionamento.

Ele carregou essa fama de ser um velocista pouco produtivo durante as passagens pela Fiorentina e também pela Roma, clube que pagou 15 milhões de euros (R$ 96,1 milhões) ao Chelsea para ter os direitos econômicos do atacante.

Foi só mesmo quando chegou ao Liverpool, em 2017, em um negócio de 42 milhões de euros (R$ 270 milhões), na época considerado uma "loucura" por parte expressiva da torcida, que o egípcio realmente se transformou em um atacante do primeiro escalão do futebol europeu.

E, aí, sim, o Chelsea percebeu que havia desperdiçado um dos maiores talentos de sua geração, assim como acontecera com Kevin de Bruyne, líder do Manchester City, e Romelu Lukaku, que acabou sendo recontratado na atual temporada por um valor recorde para o futebol inglês.

Esta é a segunda vez que Salah fica entre os finalistas do prêmio de melhor do mundo. Em 2018, quando foi vice-campeão da Champions pelo Liverpool, o camisa 11 recebeu 11,23% dos votos e terminou na terceira colocação do "The Best", atrás de Luka Modric e Cristiano Ronaldo.

Dos três indicados deste ano, o egípcio é o único que nunca venceu a eleição da Fifa. Messi é simplesmente o maior vencedor de todos os tempos e já levou o troféu seis vezes para casa. Já Lewandowski é o atual campeão e busca o bi.

Os ganhadores do "The Best-2021" serão conhecidos na próxima segunda-feira (17 de janeiro). A cerimônia será realizada em Zurique, na Suíça, cidade onde fica a sede da Fifa. Mas, assim como no ano passado, não contará com a presença de público em virtude da pandemia da covid-19.