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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Contratar técnico estrangeiro ficou 43% mais caro desde a chegada de Jesus

Jogadores do Flamengo celebram título brasileiro de 2019 com Jorge Jesus - Wagner Meier/Getty Images
Jogadores do Flamengo celebram título brasileiro de 2019 com Jorge Jesus Imagem: Wagner Meier/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

20/11/2021 04h00

Desde que o português Jorge Jesus desembarcou por aqui e transformou o Flamengo de 2019/20 em um dos times mais vitoriosos e admirados do futebol brasileiro nos últimos tempos, contratar treinadores estrangeiros se transformou em um fetiche para os clubes mais poderosos do país.

Não à toa, Palmeiras, São Paulo, Santos, Vasco, Botafogo, Internacional, Atlético-MG, Athletico-PR, Fortaleza, Bahia e tantos outros aderiram à moda e tiveram pelo menos um técnico importado nos últimos dois anos.

O problema é que, por conta das flutuações da economia brasileira na gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), essa brincadeira está ficando cada vez mais pesada para os cofres dos clubes.

A cotação do dólar por aqui aumentou 43,3% desde o dia 1º de junho de 2019, data em que o Fla anunciou a chegada do hoje comandante do Benfica. O preço do euro foi pelo mesmo caminho e subiu 43,8%.

São essas duas moedas que regulam o Mercado da Bola global. Quem trabalha na Europa recebe salários e bonificações em euro (a principal é a Inglaterra, que adota a libra esterlina, cujo aumento no período foi ainda maior, de 50%). Já as transações internacionais que não envolvem o Velho Continente normalmente acontecem em dólar.

Na prática, isso significa que para atrair um treinador (ou mesmo jogadores) que normalmente trabalha no exterior, os clubes brasileiros precisam hoje oferecer uma quantidade bem maior de reais do que dois anos e meio atrás.

Vamos a um exemplo palpável: quando contratou Jesus, o Flamengo combinou com ele um salário anual de 3,5 milhões de euros. Na época, isso significava pagamentos mensais na casa de R$ 1,3 milhão.

Se hoje o português aceitasse retornar para o Rio de Janeiro recebendo o mesmo valor de quando veio para o futebol brasileiro pela primeira vez, o clube carioca teria de desembolsar mais de R$ 1,8 milhão a cada 30 dias.

Mesmo com a pesada desvalorização do real, nunca houve tantos treinadores de outros países trabalhando no país pentacampeão mundial. Nada menos que nove estrangeiros trabalharam nesta edição da Série A.

Quatro deles ainda continuam no cargo. O português Abel Ferreira comanda o Palmeiras, o uruguaio Diego Aguirre está no Inter, o argentino Juan Pablo Vojvoda dirige o Fortaleza e o paraguaio Gustavo Florentín dirige o Sport.

Faltando seis rodadas para o encerramento do Brasileirão, a briga pelo título está restrita a dois clubes. O Atlético-MG, empolgado com a possibilidade de encerrar um jejum que já dura 50 anos, ocupa a liderança da competição. Com 71 pontos, tem oito de vantagem para o Flamengo, atual bicampeão nacional.

Os dois candidatos à taça voltam a campo hoje pela Série A. Enquanto os mineiros recebem o Juventude, os cariocas viajam ao Rio Grande do Sul para enfrentar o Internacional.

A temporada 2021 do futebol brasileiro ainda tem mais três decisões importantes pela frente. Hoje, Athletico-PR e Red Bull Bragantino se enfrentam pelo título da Copa Sul-Americana. No próximo sábado, será a vez da final da Libertadores, entre Fla e Palmeira. Já o campeão da Copa do Brasil (Atlético-MG ou Athletico-PR) será conhecido no dia 15 de dezembro.