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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Barcelona faz "liquidação" e tem maior lucro da história no Mercado da Bola

Barcelona liberou Griezmann para retornar ao Atlético de Madri no mercado da bola - Getty Images
Barcelona liberou Griezmann para retornar ao Atlético de Madri no mercado da bola Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

02/09/2021 04h00

Endividado até o pescoço e com dificuldade até para arranjar dinheiro para registrar os contratos dos seus novos jogadores, o Barcelona promoveu uma verdadeira liquidação do seu elenco na recém-encerrada janela de transferências. E, com isso, registrou o maior lucro da sua história em uma única edição do Mercado da Bola.

No balanço entre os valores gastos com reforços e recebidos com vendas e empréstimos de jogadores, o clube catalão conseguiu colocar nos seus cofres algo em torno de 60 milhões de euros (R$ 366,5 milhões).

Historicamente um dos maiores compradores do planeta, o time culé não havia conseguido uma balança comercial tão superavitária nem mesmo quando vendeu Neymar para o Paris Saint-Germain, em 2017, no maior negócio da história do futebol.

Antes da atual temporada, o maior lucro do Barça em uma janela havia sido registrado no ano passado, quando o clube arrecadou 27,8 milhões de euros a mais do que gastou com o comércio de atletas.

A decisão de buscar um Mercado da Bola superavitário e de diminuir radicalmente a folha salarial do Barcelona faz parte da estratégia econômica elaborada pelo presidente Joan Laporta para tentar tirar o clube de sua maior crise financeira de todos os tempos.

Os catalães têm uma dívida acumulada de 1,3 bilhão de euros (R$ 7,9 bilhões). Só nos próximos 12 meses, terão de desembolsar 553 milhões de euros (R$ 3,4 bilhões) a mais do que sua previsão de arrecadação.

Foi esse alto endividamento que impediu a permanência de Lionel Messi. O astro argentino se mandou para o Paris Saint-Germain após a política de fair play financeiro da La Liga espanhola impedir o registro do seu novo contrato por considerar que ele estourava a folha salarial liberada para o Barça nesta temporada.

O clube só conseguiu inscrever seus novos jogadores, como Sergio Agüero e Memphis Depay, porque alguns dos líderes do elenco culé, como o volante Sergio Busquets e o lateral esquerdo Jordi Alba, aceitaram reduzir seus salários, liberando um pouco de orçamento para os reforços.

Mas, além da ajuda dada por seus maiores astros, o Barcelona também "cortou na carne" para economizar. E o melhor exemplo disso é ter assumido um pesado prejuízo com Antoine Griezmann.

A estrela francesa, contratada por 120 milhões de euros (R$ 732,1 milhões) há dois anos e dona de um dos salários mais altos do elenco, foi liberada gratuitamente para jogar por uma temporada no Atlético de Madri, que terá de pagar "apenas" 40 milhões de euros (R$ 244 milhões) se quiser ficar com o jogador depois desse período.

Outra situação incomum vivida pelo Barça nesta janela envolve o lateral direito Emerson Royal. O brasileiro foi contratado do Betis no dia 2 de junho. Menos de três meses depois, já no fechamento do Mercado da Bola, acabou negociado com o Tottenham. Com esse compra e vende, o clube lucrou 11 milhões de euros (R$ 67,1 milhões).

Mas nem toda essa disposição para vender permitiu ao time dirigido por Ronald Koeman se livrar de todas as "bombas" que tinha em mãos. O zagueiro Samuel Umtiti e o meia Miralem Pjanic, por exemplo, seriam liberados sem nenhum custo se alguma equipe se dispusesse a arcar com seus salários. O brasileiro Philippe Coutinho e o francês Ousmane Dembélé também seriam negociados caso houvesse alguma proposta minimamente interessante.

Só que não surgiram interessados em concretizar esses negócios, e todos eles continuam no elenco do treinador holandês e na folha de pagamentos catalã.

Mesmo com a saída de Messi e o investimento modesto em reforços, o Barça está tendo um bom início de temporada. O clube catalão somou sete pontos nas três primeiras rodadas do Espanhol (vitórias sobre Real Sociedad e Getafe, além de empate contra o Athletic Bilbao) e é um dos seis times que dividem a liderança da competição.

Após a Data Fifa e os compromissos das seleções pelas eliminatórias da Copa do Mundo-2022, os catalães terão pela frente o primeiro grande desafio de 2021/2022, a partida contra o Sevilla, fora de casa, em 11 de setembro.

Três dias depois, a equipe estreia contra o Bayern de Munique, em casa, na Liga dos Campeões da Europa. Integrante do Grupo E, ainda terá pela frente Benfica e Dínamo de Kiev no torneio interclubes mais badalado do planeta.

Investimentos do Barcelona 2021/2022

Emerson Royal (LD, BRA, Betis): 14 milhões de euros
Abde Ezzalzouli (MA, MAR, Hércules): 2 milhões de euros
Yusuf Demir (MA, AUT, Rapid Viena): 500 mil euros por empréstimo

Faturamento do Barcelona 2021/2022

Emerson Royal (LD, BRA, Tottenham): 25 milhões de euros
Ilaix Moriba (M, ESP, RB Leipzig): 16 milhões de euros
Junior Firpo (LE, ESP, Leeds United): 15 milhões de euros
Jean-Clair Todibo (Z, FRA, Nice): 8,5 milhões de euros
Carles Aleñá (M, ESP, Getafe): 5 milhões de euros
Sergio Akieme (LE, GEQ, Almería): 3,5 milhões de euros
Konrad de la Fuente (MA, EUA, Olympique de Marselha): 3,5 milhões de euros
Rey Manaj (A, ALB, Spezia): 300 mil euros por empréstimo