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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Por que Benzema é "queimado" com técnico da França e não joga na seleção?

Karim Benzema brilha no Real Madrid, mas não joga na seleção francesa - Divulgação
Karim Benzema brilha no Real Madrid, mas não joga na seleção francesa Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

03/05/2021 04h00

Karim Benzema já marcou 28 gols nesta temporada, é a principal arma do Real Madrid para desbancar o Chelsea nas semifinais da Liga dos Campeões da Europa e, dependendo do resultado do jogo de quarta-feira, pode até aparecer entre os finalistas do prêmio de melhor jogador do mundo pela primeira vez na carreira.

Mas, independentemente do que conquiste dentro de campo nas próximas semanas, o centroavante de 33 anos já sabe que entrará de férias no fim do mês e que só poderá acompanhar a Eurocopa pelas telas da televisão e do seu celular.

O camisa 9 não é convocado pela França desde 2015. E o técnico Didier Deschamps costuma deixar bem claro em suas entrevistas que não há nada que possa modificar essa situação enquanto ele estiver no comando da equipe.

O motivo do afastamento do centroavante não tem nenhuma conexão com questões técnicas, mas sim com o comportamento do jogador em relação a um antigo companheiro de seleção, o meio-campista Mathieu Valbuena, hoje no Olympiacos, da Grécia.

O atacante do Real Madrid foi acusado de participar de um esquema que visava extorquir o meia utilizando um vídeo íntimo. A quadrilha ameaçou Valbuena de tornar pública a gravação de uma relação sexual sua se não recebesse um "resgate" de 150 mil euros (R$ 980 mil, na cotação atual).

De acordo com as investigações, o grupo era comandado por Karim Zenati, que costuma ser chamado de "melhor amigo" por Benzema.

O papel do centroavante no esquema seria o de convencer o antigo companheiro de seleção, que evidentemente não sabia da sua participação no golpe, que as ameaças não eram um blefe e que, por isso, ele deveria aceitar a chantagem e pagar a quantia solicitada.

Benzema sempre negou ter cometido qualquer ato ilícito. Mesmo assim, ele será levado a julgamento no fim de outubro. Caso seja condenado, pode ter de pagar uma multa de 75 mil euros (R$ 487 mil) e ficar até cinco anos na prisão.

Afastado da seleção desde que seu possível envolvimento no caso se tornou público, Benzema perdeu a chance de disputar uma Eurocopa em casa (2016) e de conquistar o título da Copa do Mundo em 2018.

Só que a decisão nunca foi unanimidade na França. Vários grupos de direitos civis já acusaram Deschamps de ter um comportamento racista e xenofóbico no gerenciamento da crise. O atacante é descendente de argelinos e sempre se recusou a cantar o hino nacional antes das partidas da seleção por considerar que a "Marselhesa" é uma música que incita a guerra e a violência.

Técnico do Real Madrid, Zinédine Zidane, também filho de argelinos e ex-companheiro de Deschamps na seleção, é uma das vozes que mais tem pedido que Benzema volte a ser convocado.

Mas os apelos têm sido em vão. Para o goleador francês, seleção é mesmo o Real Madrid, e a Liga dos Campeões virou a Copa do Mundo/Euro que ele pode jogar.

As partidas de volta das semifinais da Champions serão disputadas nesta semana. Amanhã (4), o PSG visita o Manchester City em busca de uma vitória por dois gols de diferença (ou um, desde que marque ao mesmo três vezes, como em 3 a 2 ou 4 a 3) para ser finalista pelo segundo ano consecutivo.

O confronto do dia seguinte está mais aberto, já que Real Madrid e Chelsea empataram por 1 a 1 no primeiro jogo, na Espanha. Assim, a vantagem é dos ingleses, que ficam com a vaga se o jogo não tiver gols.

A decisão do torneio interclubes mais badalado do planeta está agendada para dia 29 de maio e será disputada no Olímpico Atatürk, em Istambul (Turquia). O estádio originalmente seria palco do jogo título do ano passado, que precisou ser alterado por causa da pandemia de covid-19.