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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Catalunha também tem "Estadual", mas Barcelona não vence há sete anos

Messi é o craque do Barcelona, que vive longo jejum de títulos na Copa da Catalunha - David Ramos/Getty Images
Messi é o craque do Barcelona, que vive longo jejum de títulos na Copa da Catalunha Imagem: David Ramos/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

27/02/2021 04h00

O Barcelona venceu pela última vez a Liga dos Campeões da Europa e o Mundial de Clubes em 2015. O título mais recente da Copa do Rei foi conquistado em 2018 e o do Campeonato Espanhol, no ano seguinte.

Mas há um outro troféu que não entra na sala de premiações do Camp Nou há ainda mais tempo: o da Copa da Catalunha.

Não, ao contrário do que muitos torcedores brasileiros imaginam, nosso país não é o único do planeta onde acontecem competições estaduais de futebol envolvendo clubes profissionais.

E até mesmo o Barça tem no seu calendário anual um torneio onde precisa medir forças com os outros times do seu Estado (ou comunidade autônoma, de acordo com a nomenclatura oficial da Espanha).

Só que, ao contrário do Brasil, onde campeonatos como o Paulista, que começa hoje, chegam a ocupar até 16 datas, a Copa da Catalunha se resolve no máximo em seis partidas para os clubes finalistas.

Na edição mais recente do torneio, 30 times se enfrentaram em eliminatórias disputadas em jogos únicos. Pelo regulamento, a equipe que está em uma divisão inferior do futebol espanhol tem direito ao mando de campo.

Outra diferença do Estadual catalão para os brasileiros é que, por lá, os clubes grandes nem sequer consideram a possibilidade de levar a campo força máxima.

Desde a metade da década passada, Barcelona e Espanyol disputam a Copa da Catalunha com seus times B. Não estamos falando daqueles jogadores que costumam ficar no banco de reservas, mas sim de elencos de apoio, com outros técnicos, que normalmente disputam campeonatos de divisões inferiores.

É por isso, aliás, que o Barça, apesar de ser o maior vencedor da história do torneio, com dez títulos, já amarga um jejum de sete anos sem levantar a taça.

Em 2014, quando venceu o Espanyol nos pênaltis, após um 0 a 0 no tempo normal, o time culé contava com jogadores como o zagueiro Patric (hoje na Lazio), o lateral esquerdo Alejandro Grimaldo (Benfica), o meia Denis Suárez (Celta) e os atacantes Adama Traoré (Wolverhampton) e Munir El Hadadi (Sevilla). Só um deles já havia completado 20 anos.

Na temporada passada, a participação do Barcelona na competição durou uma partida só. Logo na estreia, o time foi derrotado nos pênaltis pelo L'Hospitalet, então na quarta divisão da Espanha, que acabaria conquistando o título.

Diante da insistência dos maiores clubes da região, especialmente o Barça, de não usar jogadores da equipe profissional na competição, a Federação Catalã de Futebol criou em 2014 a Supercopa da Catalunha, uma partida a ser disputada anualmente entre os dois clubes da região de melhor desempenho na temporada anterior.

Mas mesmo esse torneio de um jogo foi disputado apenas quatro vezes desde então. Em 2015 e 2017, ele foi cancelado por falta de datas. No ano passado, devido à pandemia da covid-19.

Na Supercopa, disputada três vezes contra o Espanyol e uma ante o Girona, o Barcelona costuma escalar atletas do seu elenco principal. No entanto, as estrelas, como Lionel Messi, Gerard Piqué e Jordi Alba, são sempre preservadas e ficam fora.

O Barça venceu essa espécie de "Estadual" elitista em duas oportunidades (2014 e 2018). Já em 2016 e 2019, ficou com o vice-campeonato e, ao contrário do que costumamos ver a cada tropeço de grandes nos torneios regionais do Brasil, nem se lamentou tanto assim por isso.