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Rafael Reis

Por onde andam os jogadores do Santos campeão da Libertadores-2011?

Neymar e Ganso comemoram juntos o título do Santos na Libertadores de 2011 - Eduardo Anizelli/Folhapress
Neymar e Ganso comemoram juntos o título do Santos na Libertadores de 2011 Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

27/01/2021 04h00

Adversário do Palmeiras na final da Libertadores-2020, neste sábado, no Maracanã, o Santos foi o primeiro time brasileiro a conquistar o mais desejado título interclubes do futebol sul-americano e já levantou o troféu em três oportunidades.

Mas, para a maior parte dos seus torcedores, que não têm identidade para terem vivido a "era Pelé" e nem puderam apreciar as conquistas de 1962 e 1963, somente uma taça está gravada na mente.

Em 2011, o Santos, liderado pelos "meninos da Vila" Neymar e Ganso, empatou com o Peñarol por 0 a 0, no primeiro jogo da decisão, e ficou com o título após derrotar os uruguaios por 2 a 1, no Pacaembu.

Mas, o que será que os jogadores que participaram daquela conquista andam fazendo da vida hoje, uma década mais tarde? O "Blog do Rafael Reis" mergulhou no time do Santos campeão da Libertadores-2011 para responder essa pergunta.

Por onde andam? - Santos de 2011

Santos 2011 - REUTERS/Nacho Doce - REUTERS/Nacho Doce
Imagem: REUTERS/Nacho Doce

Rafael Cabral (30 anos) - Formado nas categorias de base do próprio Santos, passou anos sendo apontado como futuro goleiro titular da seleção brasileira. Só que esse futuro nunca chegou. Dois anos depois de vencer a Libertadores, Rafael Cabral fez a escolha que acabou mudando o rumo de sua carreira ao se transferir para o Napoli. Na Itália, o camisa 1 perdeu espaço, fincou raízes no banco de reservas e chegou a completar um ano e oito meses sem disputar uma única partida oficial. Agora, ele é titular do Reading, que luta pelo acesso na segunda divisão da Inglaterra, e tem disputado entre um e dois jogos por semana. Só que o status de candidato à meta da seleção nunca foi reconquistado.

Danilo (29 anos) - Autor do segundo gol do Santos contra o Peñarol, o que de fato definiu o título, construiu uma carreira sólida no futebol europeu, disputou a última Copa do Mundo e continua batendo cartão nas convocações da seleção. Apesar de constantemente ser criticado pelos torcedores brasileiros, Danilo já defendeu Porto, Real Madrid, Manchester City e, desde 2019, veste as cores da Juventus. Além da Libertadores, ele também conquistou dois troféus da Liga dos Campeões da Europa, ambos pelo Real.

Edu Dracena (39 anos) - Capitão do Santos em 2011, perdeu o jogo de ida da final, mas retornou a tempo de enfrentar o Peñarol e levantar a taça. Edu Dracena passou seis anos no clube e também ganhou títulos paulista e da Copa do Brasil. Em 2015, já com idade bastante elevada, transferiu-se para o Corinthians. No ano seguinte, mudou-se para o Palmeiras, onde ficou até a aposentadoria, em 2019. Depois de pendurar as chuteiras, ganhou um cargo de dirigente no clube alviverde. Ou seja, na decisão da Libertadores deste sábado, estará do lado adversário, como assessor do futebol alviverde.

Durval (40 anos) - Um dos jogadores mais experientes do elenco da Libertadores-2011, o ex-zagueiro coroou sua vitoriosa carreira (só de títulos estaduais, ganhou 11) com a faixa de campeão sul-americano. Durval foi jogador do Santos entre 2010 e 2013, mas até parece que ficou mais tempo no clube, tamanha a identificação que criou com o Peixe. Depois de deixar o futebol paulista, ele retornou ao Sport, time onde é até mais ídolo e permaneceu jogando até 2019. Aposentado desde então, o ex-jogador perdeu seu pai, na semana passada, vítima de covid.

Léo (45 anos) - Uma espécie de "entidade" na Vila Belmiro, chegou ao Santos em 2000, fez parte dos elencos que venceram o Brasileiro em 2002 e 2004, transferiu-se para o Benfica e, após quatro anos em Portugal, retornou ao clube de coração para encerrar a carreira por lá, em 2014. Com 456 partidas, Léo é o décimo jogador que mais vestiu a camisa santista ao longo da história e o maior vencedor pelo clube desde o fim da "era Pelé". Com uma credencial desse tamanho, o ex-lateral é figurinha carimbada nos eventos organizados pelo Santos.

Adriano (33 anos) - Apesar de não ser tão bom com a bola nos pés quanto seus companheiros de meio-campo, tinha os importantes papéis de proteger a zaga santista e liberar seus parceiros para se lançarem mais ao ataque. Foi jogando assim que o volante, criado no próprio clube, conseguiu permanecer durante seis anos na equipe principal e ganhar uma Libertadores. A sequência da carreira de Adriano, no entanto, não foi tão boa assim. Ele ainda defendeu Grêmio, Vitória e Goiás, mas passou a maior parte dos últimos anos em equipes menores do cenário nacional. Atualmente, faz parte do elenco do Imperatriz, do Maranhão.

Arouca (34 anos) - O volante viveu o auge de sua carreira no Santos. Durante os cinco anos em que atuou no clube, Arouca foi tratado como um dos melhores distribuidores de bola do futebol brasileiro e conseguiu até algumas convocações para a seleção. Depois que se transferiu para o Palmeiras, em 2015, nunca mais foi o mesmo. Com a carreira em declínio, foi emprestado a Atlético-MG e Vitória. No começo do ano passado, transferiu-se para o Figueirense e hoje está lutando contra o rebaixamento para a terceira divisão do Brasileiro.

Elano (39 anos) - Outro remanescente do time campeão brasileiro de 2002, retornou ao clube para disputar a Libertadores depois de cinco anos atuando na Europa (Shakhtar Donetsk, Manchester City e Galatasaray). No total, Elano teve três passagens pela Vila Belmiro, a última entre 2015 e 2016, quando anunciou a aposentadoria. No ano seguinte, assumiu a função de auxiliar-técnico e chegou a comandar o time interinamente. Agora transformado em treinador, dirigiu a Inter de Limeira e esteve à frente do Figueirense em parte da Série B desta temporada.

Paulo Henrique Ganso (31 anos) - Assim como Rafael Cabral, está hoje em uma situação bem diferente daquela que a maioria dos comentaristas imaginava. Uma espécie de coprotagonista do time campeão sul-americano, o camisa 10 não conseguiu deslanchar. Ganso trocou o Santos pelo São Paulo um ano depois da Libertadores. Depois, teve passagens bem apagadas por dois times europeus, o Sevilla (ESP) e o Amiens (FRA), e retornou ao Brasil há dois anos para defender o Fluminense. Hoje em dia, já não é nem mais titular da equipe comandada por Marcão.

Neymar (28 anos) - O craque do time. Fez o primeiro gol da decisão, marcou época no Santos e se transformou no principal nome do futebol brasileiro na última década. Neymar jogou na Vila Belmiro até 2013 e foi embora para o Barcelona em uma polêmica transferência que foi parar na Justiça. Pelo clube catalão, foi campeão e artilheiro da Champions em 2015. Dois anos depois, protagonizou o maior negócio da história do futebol ao assinar com o Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão). Camisa 10 da seleção brasileira, disputou as duas últimas Copas do Mundo, mas ainda não conseguiu o título mais desejado do futebol. Outra meta ainda não atingida foi a de ser eleito o melhor jogador do mundo. O melhor que Neymar obteve foi a terceira colocação nas eleições de 2015 e 2017.

Zé Love (33 anos) - Cria do Palmeiras, justamente o adversário na decisão deste ano, Zé Eduardo nunca foi um primor técnico, mas conseguiu uma vaguinha de titular no time campeão de 2011 e uma carreira bem interessante. Além de Santos e Palmeiras, Zé Love defendeu as camisas de Coritiba, Goiás e Vitória, além de ter atuado na Itália (Siena) e na China (Shanghai Shenxin). Aos 33 anos, o atacante continua em atividade e é o artilheiro da Série D do Brasileiro pelo Brasiliense, clube que defende desde 2019.

Alex Sandro (30 anos) - Reserva na decisão, substituiu Léo aos 23 minutos do segundo tempo e deixou o Santos logo depois da competição. Seu destino foi o Porto, onde jogou durante quatro temporadas. Desde 2015, Alex Sandro veste as cores da Juventus, a equipe mais poderosa da Itália e pela qual já conquistou cinco títulos nacionais. Mas o brasileiro já viveu momentos melhores no Calcio. Na atual temporada, devido a uma lesão muscular e por ter sido contaminado pelo coronavírus, o lateral só disputou dez partidas até o momento. Apesar de bastante contestado, assim como seu ex-companheiro Danilo, Alex Sandro também é frequentemente convocado para a seleção e, na maioria dos últimos jogos, atuou como titular.

Pará (34 anos) - Único jogador que participou da final de 2011 que continua no Santos e pode ir a campo na decisão de sábado, o lateral substituiu Ganso já nos minutos finais contra o Peñarol, em uma daquelas substituições para "gastar o tempo". Mas Pará não passou os últimos dez anos inteiros vestindo o uniforme branco. Nesse período, ele também teve passagens por Grêmio e Flamengo. O retorno à Vila Belmiro aconteceu em 2019. Hoje, ele é um dos jogadores mais experientes do elenco dirigido por Cuca.

Muricy Ramalho (65 anos) - Um dos treinadores mais vitoriosos do futebol brasileiro nas últimas décadas, conquistou em 2011 a única Libertadores de sua carreira. Durante a passagem pelo Santos, Muricy também ganhou dois títulos paulistas e uma Recopa Sul-Americana. Depois de sair da Vila Belmiro, teve passagens de pouco sucesso por São Paulo e Flamengo. Com a saúde debilitada, afastou-se dos gramados e foi trabalhar como comentarista de futebol do Grupo Globo. No fim do ano passado, com a eleição do presidente Julio Casares, largou o trabalho na imprensa para retornar ao São Paulo como coordenador de futebol.