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Rafael Reis

Palmeiras, Santos, Lusa: os times brasileiros que tentaram ter Maradona

Diego Maradona fez história pela Argentina e quase jogou no Brasil - Tony Marshall - EMPICS/PA Images via Getty Images
Diego Maradona fez história pela Argentina e quase jogou no Brasil Imagem: Tony Marshall - EMPICS/PA Images via Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

25/11/2020 14h49

Argentinos Juniors, Boca Juniors, Barcelona, Napoli, Sevilla e Newell's Old Boys. A lista dos clubes que Diego Armando Maradona defendeu ao longo da carreira nos gramados por pouco não ganhou também times brasileiros.

O camisa 10 mais importante da história da seleção argentina, que morreu hoje, aos 60 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória, foi sondado ou chegou a negociar com três equipes do país.

Maradona foi oferecido à Portuguesa quando ainda era adolescente. Já trintão e tentando reconstruir a carreira depois de escândalos, abuso de drogas e punições por doping, conversou com Palmeiras e Santos.

A primeira vez que Don Diego quase veio ao Brasil foi em 1975. O empresário uruguaio Juan Figer, um dos mais importantes da história do futebol sul-americano, ficou encantando com o talento do garoto de 14 anos, que ainda estava nas categorias de base do Argentinos Juniors, e tentou convencer a Portuguesa a buscar "El Pibe" em Buenos Aires.

Só que o dirigente da Lusa a quem Maradona foi oferecido achou que era imprudência demais gastar US$ 300 mil (R$ 1,6 milhão, na cotação atual) em um menino que era nada mais que uma aposta e resolveu não arriscar.

Dezessete anos mais tarde, em 1992, foi a vez de o Palmeiras fazer uma investida pelo camisa 10, que já havia feito história na Itália e sido o protagonista da conquista argentina na Copa do Mundo-1986.

Cheio da grana devido ao recém-fechado contrato de parceria com a Parmalat, o time alviverde entrou em contato com o Napoli e fez uma proposta para ter o jogador, que estava voltando à atividade depois de cumprir uma suspensão de 15 meses por uso de cocaína.

Só que Maradona já havia decidido que seu destino seria o Sevilla. Ele disse não à proposta brasileira e chegou a atacar a Parmalat por, nas palavras dele, querer se promover às suas custas.

"Não tenho nada contra o Palmeiras, mas não quero jogar lá porque a Parmalat quis fazer publicidade em cima do meu nome. Essa empresa somente buscou se promover e apareceu no momento em que tudo começava a se solucionar para minha transferência", disse, a uma rádio argentina.

Só depois que Maradona se despediu do Sevilla e já cumpria uma nova suspensão por doping (desta vez, por substâncias da família da efederina) que o Santos entrou na jogada. E com ajuda do melhor garoto-propaganda possível, Pelé.

Na época, a Pelé Sports & Marketing, empresa do Rei do Futebol, era bastante próxima da diretoria santista e obteve dela a autorização para correr atrás da contratação do então veterano de 34 anos.

Até mesmo o valor da transação chegou a ser acordado. Para ter Maradona, o Santos desembolsaria US$ 6 milhões (quase R$ 32 milhões), um valor que até então nenhum clube brasileiro havia pago por um jogador.

Mas o sonho do torcedor alvinegro acabou não se concretizando. Influenciado pela família, que preferia continuar morando no Argentina, o astro optou por voltar ao Boca Juniors, seu time de coração, onde jogou por duas temporadas até encerrar a carreira, em 1997.

Depois de pendurar as chuteiras, Maradona teve um programa de TV e se aventurou em uma carreira intermitente de técnico, cujo ponto alto foi comandar a seleção argentina na Copa do Mundo-2010.

Desde setembro do ano passado, ele dirigia o Gimnasia La Plata, que terminou o último Campeonato Argentino na 19ª colocação e só escapou do rebaixamento por causa da pandemia da Covid-19.