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Rafael Reis

Um jogador de futebol já ganhou o Nobel de Física: verdade ou lenda?

Niels Bohr e Albert Einstein, os dois ganharam o Nobel da Física, mas só um deles foi jogador de futebol - GETTY IMAGES
Niels Bohr e Albert Einstein, os dois ganharam o Nobel da Física, mas só um deles foi jogador de futebol Imagem: GETTY IMAGES
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

14/10/2020 04h20

Entregue anualmente pela Academia Real das Ciências da Suécia desde 1901, o Prêmio Nobel é a mais famosa condecoração do mundo científico e já consagrou cérebros do porte de Albert Einstein, Pierre e Marie Curie, Ernest Rutherford e Linus Pauling.

Só que a badalada láurea, um verdadeiro atestado de genialidade, já foi parar nas mãos de um jogador de futebol. Pelo menos, é isso que dizem vários perfis especializados em curiosidades da bola espalhados pelas redes sociais.

Mas será que isso realmente aconteceu e o Nobel foi entregue a um boleiro? Ou tudo não passa de mais uma das incontáveis lendas urbanas que tanto fazem sucesso no dia a dia do futebol, como o autismo de Lionel Messi e a transexualidade de Marco Verratti?

Por mais surpreendente que pareça, esse não é um causo, mas algo que efetivamente rolou no começo do século passado. Em 1922, o Nobel de Física foi para um jogador de futebol.... já aposentado, é verdade, mas ainda assim um jogador.

Antes de se dedicar à ciência, ser premiado "pelos serviços na investigação da estrutura dos átomos e da radiação emanada por eles" e desenvolver um modelo atômico que é estudado até hoje nas escolas, o dinamarquês Niels Bohr atuou pelo AB, clube que hoje disputa a terceira divisão do país, mas que já ganhou nove títulos nacionais.

Em uma época em que o futebol ainda não era profissional no norte da Europa, o futuro vencedor do Nobel de Física atuou durante três temporadas como goleiro da equipe ligada aos estudantes universitários de Copenhague.

Diz a lenda que Bohr resolveu abandonar os gramados em 1905, aos 20 anos, quando tomou um frango em um amistoso por ter se desligado da partida para realizar cálculos matemáticos que julgava mais urgentes (dizem que o goleiro cientista estava até escorado na trave para se sentir mais confortável).

Seu irmão Harald, que também desenvolveu uma trajetória brilhante no mundo acadêmico e deu importantes contribuições para o estudo da matemática, foi um pouco mais persistente no futebol.

O ex-meia também jogou na AB, manteve uma carreira futebolística entre 1903 e 1910, defendeu a seleção dinamarquesa e até conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres-1908, o primeiro em que a modalidade foi disputada.

Depois de Niels Bohr, o futebol quase apareceu novamente nas premiações do Nobel em 1956, quando o francês Jules Rimet, ex-presidente da Fifa, chegou a ser nomeado para vencer o Nobel da Paz pela criação da Copa do Mundo, uma iniciativa que aproximava os países por meio do esporte.

Mas vale lembrar que o Nobel da Paz não é concedido pela Academia Real das Ciências da Suécia, mas sim por um comitê nomeado pelo Parlamento da Noruega. Em 1956, quando Rimet era o mais forte candidato a conquistar a láurea, a premiação acabou não sendo entregue para ninguém.

Na semana passada, o Nobel de Física, aquele que foi entregue para um ex-goleiro em 1922, anunciou seus vencedores deste ano. A norte-americana Andrea Ghez, o alemão Reinhard Genzel e o britânico Roger Penrose dividiram a honraria (e o prêmio de 10 milhões de coroas suecas, ou R$ 6,3 milhões) por estudos relativos a buracos negros.