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Rafael Reis


As 5 maiores zebras da história do futebol de seleções

Seleção grega campeão da Eurocopa de 2004 foi uma das grandes zebras da história - Ben Radford/Getty Images
Seleção grega campeão da Eurocopa de 2004 foi uma das grandes zebras da história Imagem: Ben Radford/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

05/05/2020 04h00

Ao longo de 90 anos e 21 edições de história, a Copa do Mundo nunca registrou uma zebra daquelas que poderiam ser escritas com z maiúsculo. Afinal, Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, França, Uruguai, Inglaterra e Espanha sempre foram países com alguma relevância no futebol.

Mas o fato de a principal competição do planeta jamais ter visto um campeão muito surpreendente não significa que o futebol de seleções está alheio aos resultados imprevisíveis.

Ao contrário do Mundial, outras competições importantes que colocam países contra países já consagraram equipes nas quais ninguém (ou quase ninguém, para ser mais justo) depositava suas fichas.

O "Blog do Rafael Reis" relembra abaixo as cinco maiores zebras da história dos torneios de seleções. A lista inclui apenas campeonatos de equipes principais. Por isso, não foram consideradas surpresas ocorridas em Jogos Olímpicos ou Mundiais de base.

BOLÍVIA-1963

Bolívia-1963 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Tudo bem que a Bolívia jogou em casa e teve a altitude de La Paz em seu favor. É preciso lembrar também que Argentina e Brasil mandaram equipes bastante alteradas para a competição e que o Uruguai optou por não participar. Mas a Bolívia sair de uma Copa América com o título era zebra em 1963, continuaria sendo zebra hoje e, provavelmente, será zebra por ainda muito tempo. Naquele ano, a competição foi disputada em turno único, com todas as seleções se enfrentando. A Bolívia não só foi campeã, como saiu invicta do torneio. Venceu cinco jogos e só empatou um, contra o Equador, penúltimo colocado.

DINAMARCA-1992

Dinamarca-1992 - Shaun Botterill/Getty Images - Shaun Botterill/Getty Images
Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

Por critérios técnicos normais, os dinamarqueses nem deveriam ter disputado a Eurocopa em 1992. Eles só jogaram a competição porque foram convidados pela Uefa para ficarem com a vaga da Iugoslávia, suspensa pela entidade devido à guerra civil que deu início à sua fragmentação. A Dinamarca soube aproveitar como ninguém esse golpe de sorte. Conseguiu uma vitória sobre a França na última rodada que lhe garantiu o segundo lugar do grupo, derrotou nos pênaltis a favorita Holanda na semifinal e conquistou o único título de sua história ao bater a Alemanha, então campeã mundial, por 2 a 0, na decisão.

GRÉCIA-2004

Grécia-2004 - REUTERS/Kai Pfaffenbach - REUTERS/Kai Pfaffenbach
Imagem: REUTERS/Kai Pfaffenbach

Até 2004, os helênicos tinham apenas uma participação em Copa do Mundo (1994) e outra em Eurocopa (1980). Por isso, a vitória grega no Campeonato Europeu foi tratada como uma verdadeira hecatombe. À base de uma retranca quase perfeita e praticamente sem ambição para atacar, a Grécia conseguiu vitórias históricas sobre França (dos craques Zinédine Zidane e Thierry Henry), República Tcheca e Portugal, os donos da casa, derrotados na abertura e na final da competição. Início de uma era de ouro para a Grécia? Que nada. O país não conseguiu se classificar para o Mundial seguinte (2006) e jamais voltou a ter resultados tão expressivos quanto o título da Euro.

IRAQUE-2007

Iraque-2007 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Em meados da década de 2000, o futebol estava longe de ser uma das principais preocupações para o povo do Iraque. Quando a Copa da Ásia de 2007 chegou, o país ainda estava ocupado por tropas norte-americanas, e o ex-ditador Saddam Hussein havia acabado de ser morto. Mesmo em meio a esse cenário político caótico e sem resultados ou jogadores expressivos no cenário internacional da bola, os iraquianos conquistaram o primeiro e único título continental de sua história. Curiosamente, aquela seleção era comandada por um brasileiro, Jorvan Vieira, que passou praticamente toda a carreira treinando equipes do Oriente Médio.

QATAR-2019

Qatar-2019 - Reuters - Reuters
Imagem: Reuters

Sede da próxima Copa do Mundo, o Qatar vem investindo há anos em um programa de formação de jogadores, baseado no modelo usado pelo Barcelona, para sair da irrelevância no cenário futebolístico. O que ninguém imaginava é que esse trabalho já daria frutos tão apetitosos em 2019, três anos antes do Mundial. A seleção árabe deu show na Copa da Ásia. Não só conquistou o título, vencendo uma final contra o favoritíssimo Japão, como também terminou a competição como melhor ataque (19 gols marcados em sete partidas) e defesa menos vazada (só um tento sofrido).

Rafael Reis