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Rafael Reis


Sejam bem-vindos: o futebol brasileiro precisa de mais Hondas e Yayas

Honda vibra e exibe escudo do Botafogo em sua apresentação no Nilton Santos - Vitor Silva/BFR
Honda vibra e exibe escudo do Botafogo em sua apresentação no Nilton Santos Imagem: Vitor Silva/BFR
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

21/02/2020 04h20

Keisuke Honda não joga nada há dois anos e só vem enganando por onde passa. Yaya Touré, desde que deixou o Manchester City, em julho de 2018, também pouco produziu de relevante dentro de campo.

Mas ainda que estejam longe dos seus apogeus técnico e físico, o meia-atacante japonês e o volante marfinense são sim um tipo de reforço que o futebol brasileiro precisa contratar com mais frequência.

Importa menos se Honda (e Yaya, caso realmente seja anunciado nos próximos dias) vai recuperar a boa forma no Botafogo e elevar a equipe carioca a outro patamar de competitividade.

Afinal, não é essa a função principal desses medalhões estrangeiros.

Esses jogadores - que passaram a maior parte da carreira atuando em clubes relevantes da Europa, dividindo vestiário com os melhores jogadores e treinadores do planeta, e que são conhecidos globalmente - têm outras missões.

A primeira é motivar a torcida, alavancar o marketing do clube que os contrata e fazer com que seu nome/marca alcance novos públicos, dentro ou fora do país. No caso do Botafogo, esse retorno já está acontecendo.

Afinal, há quanto tempo não se viam tantas menções ao time carioca nas redes sociais e matérias destacando positivamente o clube nos principais veículos de imprensa? Talvez desde a passagem do astro holandês Clarence Seedorf por General Severiano, na primeira metade da década passada.

Além do aspecto comercial, esses medalhões têm uma outra importante função dentro dos elencos. São eles os caras que podem ajudar os jogadores mais jovens a evoluírem tática e psicologicamente.

O atleta acostumado a atuar no mais alto escalão da Europa tem uma vivência esportiva enorme e também a obrigação de orientar seus companheiros de time naquilo que há de mais moderno no futebol do Velho Continente.

Ainda que não estivessem jogando nada, o que não é o caso, Rafinha e Filipe Luís já teriam sido importantíssimos ao Flamengo porque ajudaram a instaurar uma mentalidade vencedora no time rubro-negro.

Mesmo que não esteja conseguindo fazer o mesmo no São Paulo, Juanfran certamente também tem sido uma influência positiva no Morumbi. É óbvio que pelo menos alguns dos seus parceiros conseguiram evoluir taticamente depois de ouvir alguns dos ensinamentos que o lateral espanhol aprendeu com Diego Simeone, que foi seu técnico no Atlético de Madri.

A questão aqui não é encher o futebol brasileiro de veteranos aclamados, mas sem perna e disposição para correr. Ninguém quer transformar nossa primeira divisão em uma "liga dos aposentados", apelido jocoso pelo qual o campeonato da Índia ficou conhecido alguns anos atrás.

Mas é inegável que a chegada de medalhões estrangeiros no futebol pentacampeão mundial tende a fazer um bem danado para clubes, jogadores e torcedores daqui. Desde que, é claro, os times não precisem destruir suas finanças para contratá-los.

Rafael Reis