PUBLICIDADE
Topo

Oscar Roberto Godói

Para que serve o VAR se o árbitro não olha as imagens

Gianluca Rocchi durante o duelo do River Plate contra o Al Ain FC - Andrew Boyers/Reuters
Gianluca Rocchi durante o duelo do River Plate contra o Al Ain FC Imagem: Andrew Boyers/Reuters
Oscar Roberto Godói

Jornalista e ex-árbitro, esteve sob a chancela da Fifa de 1993 a 2000.

21/12/2018 19h10

Só foi elogiar a utilização do VAR no atual Mundial de Clubes para que os caras do apito chutassem o balde. Incrível o que fizeram com o time da casa no jogo contra o argentino e todo-poderoso River Plate.

Não podemos esquecer que o clube de Buenos Aires utilizou na primeira fase da Libertadores um jogador irregular e não foi punido pela Conmebol, diferentemente do que ocorreu com o Santos. Torcedores aprontaram com a delegação do Boca e, mesmo assim, o clube não foi eliminado da competição.
Mas, vamos ao que interessa. No jogo contra o time da casa, o Al Ain, nos Emirados Arabes Unidos, o River foi muito ajudado. Escandalosamente beneficiado pela arbitragem dentro do campo e pelo VAR fora das quatro linhas.

O árbitro italiano Gianluca Rocchi foi rigoroso ao marcar pênalti para os argentinos e, quando poderia ter apitado um para o Al Ain, preferiu receber as informações no ouvido do que ele próprio olhar as imagens.

O jogo terminou empatado em 2 a 2 e foi decidido na cobrança de pênaltis. Porém, aos 40 minutos, ainda do primeiro tempo, o Al Ain marcou um gol legitimamente legal e o árbitro, mais uma vez sem visualizar as imagens, aceitou a orientação dos responsáveis pelo VAR e anulou o gol por impedimento.

Impedimento de quem? Quem? Nenhum dos dois atacantes do Al Ain que participaram da jogada estava adiantado. No primeiro lance a zaga dava condições e no segundo, além de não estar impedido, poderia ser discutido se a bola foi ou não tocada pelo adversário. 

Então, para que serve o VAR se o árbitro não olha as imagens. Tudo o que for passado pelos homens da "casinha" deve ser cumprido? 

Entendi. Vergonhoso o que a Fifa, através do VAR, fez com os anfitriões, demonstrando que, se fosse necessário, o time do Kashima não teria a mínima chance contra o Real Madrid. Ainda bem que os espanhóis fizeram a parte deles

Chamem o Blatter! 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Oscar Roberto Godói