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Vinte e Dois

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

O que esperar da semifinal do Leste entre Brooklyn Nets e Milwaukee Bucks

Kevin Durant, do Brooklyn Nets, encara a marcação de Giannis Antetokounmpo, do Milwaukee Bucks, em jogo da NBA - Jeff Hanisch/USA TODAY Sports
Kevin Durant, do Brooklyn Nets, encara a marcação de Giannis Antetokounmpo, do Milwaukee Bucks, em jogo da NBA Imagem: Jeff Hanisch/USA TODAY Sports

Vitor Camargo

Colunista do UOL

05/06/2021 04h00

Na terça-feira, dia 1º, o Brooklyn Nets se tornou o segundo time da NBA a confirmar sua vaga nas semifinais de conferência. Por sorte, o OUTRO time que já fechou sua série era justamente o próximo adversário dos Nets, o Milwaukee Bucks, então já temos nosso primeiro confronto definido.

Meu palpite é que essa série vai ser a mais antecipada dessa segunda rodada, e não é para menos; não só ela coloca frente a frente dois dos mais fortes candidatos ao título da NBA como são dois times que entram nessa pós-temporada com interrogações quase tão grandes quanto as expectativas. No caso dos Bucks, as perguntas vinham das eliminações precoces dos anos passados; no dos Nets, sobre o quão pouco suas três estrelas tinham jogado juntas antes da pós-temporada.

Eu já escrevi uma coluna inteira sobre os Bucks e como eles responderam à vergonhosa derrota para o Heat, mas os Nets talvez tenham sido igualmente impressionantes - ainda que contra um adversário muito mais devastado por lesões. Na parte ofensiva, o time foi tudo que poderíamos ter esperado: já teve o melhor ataque da temporada regular e foi ainda mais destruidor na pós-temporada com suas três estrelas saudáveis.

O ataque dos Nets, de certa forma, talvez seja ainda mais eficiente em playoffs: o time é basicamente uma máquina ambulante de atacar missmatches, simplesmente porque não tem onde esconder um defensor ruim. Durant, Harden e Irving talvez sejam os três melhores jogadores ofensivos de isolação da NBA, e a equipe pode simplesmente executar algumas ações simples para encontrar o missmatch que quer - e atacar com qualquer um dos três. Por vezes, eu até achei que contra Boston os Nets abusaram DEMAIS das jogadas de isolação ao invés de executarem ações que movimentem a bola e se aproveitem da gravidade de todas as três estrelas, que é onde o time fica realmente mortal, mas é difícil discutir com os resultados. Brooklyn anotou 128 pontos a cada 100 posses de bola, e sua capacidade de anotar nove pontos em trinta segundos não tem paralelo na NBA de hoje.

Mas, apesar do quão bom foi o ataque dos Nets, sua defesa deixa a desejar. O time teve muito mais dificuldade do que deveria para defender um Boston sem três (!!) titulares, e apesar de parte disso ser simplesmente Jayson Tatum pegando fogo, a falta de opções do time para conter o astro adversário foi um problema. A equipe tem marcadores fracos demais no time titular e depende em excesso de Kevin Durant na defesa, tanto individualmente como fazendo a proteção de aro. Mas ele não pode fazer os dois ao mesmo tempo, e times com mais recursos que Boston saberão explorar essa dificuldade.

Os Nets buscam ser apenas o segundo time da história da NBA a ser campeão com uma defesa abaixo da média da NBA, e vai ser interessante ver como uma equipe tão extremo enfrenta o mais balanceado Milwaukee Bucks.

O que nos leva à série em si, e como Bucks e Nets batem de frente um com o outro. Quem tem a vantagem? Quais serão os principais fatores, os ajustes e contra-ajustes que podem definir a vaga na final do Leste?

O ponto inicial, a meu ver, é o mesmo que foi tão fundamental para os Bucks contra o Heat: se Brook Lopez é capaz de ficar em quadra. Contra Miami, o time ainda manteve Lopez recuando no seu estilo de cobertura tradicional e focou mais nas trocas de marcação nas ações fora da bola. Deu certo, e o Heat teve menos espaço do que antes para fazer chover de três, mas os Nets são outro animal com o seu Big Three e mais Joe Harris.

Se os Bucks derem para os Nets os arremessos vindos de handoffs e corta-luz com sua defesa de recuo que deu para o Heat, Brooklyn vai aproveitar com muito mais tranquilidade, e toda a estratégia defensiva de Milwaukee pode ir por água abaixo. Os Nets não têm um pivô tão perigoso como Adebayo no topo do arco, o que pode ajudar, mas vai ser interessante ver se os Bucks insistem na sua defesa habitual.

Se os Nets simplesmente castigarem com os chutes de fora, isso pode obrigar os Bucks a tirarem Lopez de quadra. A capacidade do pivô de ficar em quadra é fundamental do outro lado, por causa de outra pergunta importante: quem defende Giannis Antetokuompo no time nova-iorquino?

Brooklyn não tem defensores com essa capacidade. No papel, sua melhor opção é Durant, que é um defensor nível All-NBA nos seus melhores dias, mas isso oferece uma série de problemas - KD perde em termos de força física para Giannis, e isso arrisca colocar seu melhor jogador em problemas de falta, além de comprometer o único protetor de aro consistente do time. Os rebotes também podem ser um fator: Milwaukee teve muito sucesso nos rebotes ofensivos colocando Giannis perto do aro, e foi uma área que os Nets sofreram contra Boston. Se Durant ficar marcando Giannis, e também for obrigado a sair consistentemente na ajuda, o grego fará a festa nos rebotes.

E é por isso que a disponibilidade de Lopez importa tanto: no papel, os times querem colocar um pivô atlético para marcar Giannis de modo a não ser atropelado na força física, mas isso muitas vezes significa deixar um jogador menor marcando Lopez, e os Bucks mostraram contra Miami que estão prontos a contra-atacar isso alimentando seu pivô no poste baixo. Sem Lopez, essa estratégia é muito menos perigosa; os Nets podem colocar em quadra alguém como Claxton para marcar Giannis contra lineups mais baixas.

Claro, Brooklyn pode tentar manter um pivô em Giannis de qualquer modo e colocar Durant marcando Lopez para manter viva a estratégia, mas você realmente quer colocar seu melhor defensor na quarta opção ofensiva do adversário?

Também não ajuda que os Bucks agora estão muito mais prontos para atacar missmatches e caçar os elos fracos na defesa com ações que envolvam seus três principais jogadores, e os Nets oferecem simplesmente um menu à lá carte de defensores ruins. Kyrie e Harden não são o desastre que alguns pensam quando engajados na defesa, mas ainda são abaixo da média; Harris é sólido, mas não vai segurar um pontuador de alto nível por conta própria.

Os Bucks de 2021 não oferecem mais as opções para os adversários esconderem seus piores defensores como a versão de 2020, e assim que alguém como Kyrie acabar envolvido em uma ação contra Giannis, Milwaukee vai caçar esse missmatch assim como fez contra uma defesa muito superior do Miami Heat. Talvez os Nets optem por simplesmente colocar o máximo de defensores versáteis ao redor do seu big three - Bruce Brown, Claxton, talvez Jeff Green - mesmo que sejam menos efetivos no ataque, e contem com as estrelas para resolver do outro lado. Mas os Bucks têm vantagem nesse quesito, e é sua melhor opção para ditar os termos do confronto.

Onde os Nets podem - e devem - tentar equilibrar esse problema é limitando as opções dos Bucks sobre quais jogadores manter em quadra. Parte importante da facilidade com que Milwaukee varreu o Heat teve a ver com a excelente performance de Bryn Forbes, cujas bolas de três pontos foram cruciais tanto para punir a defesa de Miami como por abrir a quadra para Giannis. Forbes e suas bolas longas são importantíssimas para os Bucks, mas como ele é um péssimo defensor, trata-se um jogador difícil de se manter em quadra para não oferecer um alvo defensivo para o inimigo atacar.

Contra o Heat, Milwaukee conseguiu esconder Forbes o suficiente na defesa para que a equação ainda pendesse a seu favor, mas isso não vai ser possível contra os Nets, especialmente quando os titulares estiverem em quadra. Talvez quando Bruce Brown entrar, mas vai ser um missmatch que Brooklyn vai caçar, e eles tem três excelentes opções para fazer isso. Os Bucks vão precisar encurtar a rotação nesse sentido - é uma série para PJ Tucker ver muito tempo de quadra - e a lesão de Donte DiVincenzo vai ser bastante sentida.

Essa é uma das séries mais difíceis de se palpitar até aqui nessa pós-temporada; são dois ótimos times, que dominam aspectos e estilos totalmente diferentes, e a série pode facilmente virar para qualquer lado dependendo de fatores muito pequenos e imprevisíveis. Nenhum resultado seria realmente uma surpresa, exceto talvez uma varrida para qualquer lado.

Mas, no fim do dia, a história da NBA nos ensina que é muito difícil para equipes com defesa ruins vencerem títulos, e o Bucks é o time mais equilibrado e balanceado dos dois. Então vou no seguro e apostar em uma vitória apertada do Bucks, e torcer para que essa série seja tão boa quanto promete.

Palpite: Bucks em 7

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL