PUBLICIDADE
Topo

Vinte e Dois

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

O que você precisa saber sobre o próximo Draft da NBA

Cade Cunningham, possível primeira escolha do Draft da NBA, durante jogo do Oklahoma State Cowboys na NCAA - Andy Lyons/Getty Images/AFP
Cade Cunningham, possível primeira escolha do Draft da NBA, durante jogo do Oklahoma State Cowboys na NCAA Imagem: Andy Lyons/Getty Images/AFP
Conteúdo exclusivo para assinantes

Vitor Camargo

Colunista do UOL

15/07/2021 04h00

Embora as Finais estejam (naturalmente) ocupando a maior parte das atenções do mundo da NBA nesse momento, se você torce para um dos times que não foi para os playoffs certamente está ciente de que tem outro grande evento do calendário da liga chegando no fim de julho: o Draft da NBA, o recrutamento no qual os times da liga selecionam os jovens talentos vindos do basquete universitário ou internacional. Então me pareceu uma boa hora para trazer o assunto para esse espaço e falar um pouco sobre alguns dos principais temas que certamente dominarão o tema nas próximas semanas.

A ideia, claro, não é fazer uma cobertura COMPLETA nem analisar todos os mais de 100 jogadores que são cotados como possíveis escolhas de Draft, ou mesmo todas de primeira rodada - até por falta de tempo e espaço - mas passar por alguns dos grupos centrais que se comporão as principais histórias do recrutamento universitário desse ano. Começando por...

1. O grande prêmio

Já faz alguns anos que todo mundo sabe que Cade Cunninhgham vai ser a primeira escolha do Draft desse ano, e desde então tudo que aconteceu só tem reforçado essa perspectiva - ao ponto de que ele sozinho fez os Pistons dispararem na minha lista de otimismo para times de loteria. Ele é bom a esse ponto, e saído direto dos moldes que a NBA parece estar valorizando cada vez mais: um jogo de armador em um corpo de ala, excelente passador e criador capaz também de pontuar por conta própria, com tamanho para defender múltiplas posições, bom arremesso e alto QI de basquete.

Com exceção de alguns jogadores muito fora da curva - os Shaqs, LeBrons ou Duncans, talentos tão excepcionais que você já sabe logo de cara que o jogador é um futuro Hall da Fama - não há certezas no Draft da NBA, e Cunningham não está NESSE nível; mas ele está logo abaixo, e é a coisa mais próxima que esse Draft tem de uma certeza de futura estrela. Boatos tem circulados de que o Detroit Pistons pode ir em uma direção diferente com a escolha #1, mas eu duvido demais: esse Draft é excelente, mas Cunningham está em uma prateleira própria e qualquer outra opção seria loucura.

2. Ótimas opções no alto

Alguns Drafts são atrativos por possuir aquele grande nome na escolha #1, um jogador que pode ser o pilar de uma franquia; outros têm seu apelo na variedade de bons nomes, e mesmo que não consiga a primeira escolha você ainda possa ficar satisfeito com as opções à sua disposição um pouco depois. E o que faz desse Draft tão incrível é a combinação dos dois. Cunningham é o grande prêmio, mas tem vários outros excelentes jogadores prontos para serem escolhidos logo depois, dos mais diferentes estilos e que oferecem coisas diferentes para os interessados. Tem as opções mais seguras, as de alto potencial, os famosos "glue guys", os especialistas... de tudo.

Alguns desses vão entrar em categorias mais abaixo, mas em especial três jogadores aparecem em geral como formando o patamar abaixo de Cunningham: Jalen Green, um explosivo pontuador de perímetro com altíssimo potencial que jogou na G-League esse ano; Jalen Suggs, armador de Gonzaga que é um dos jogadores mais completos e refinados da classe, com um altíssimo piso e capaz de encaixar em qualquer time; e Evan Mobley, o protótipo do pivô moderno capaz de proteger o aro na defesa e jogar fora do garrafão do outro lado. Isso não quer dizer que esses três serão as escolhas 2-4, depende do que times estão buscando em uma classe particularmente boa, mas em geral são colocados como sendo os três melhores prospectos depois de Cade.

E, se acabarem caindo, pode ser por causa do próximo grupo...

3. Apostas de altíssimo potencial

Se o Draft é a chance das equipes encontrarem futuras estrelas para mudar o destino da sua franquia, você pode entender porque alguns especialistas acreditam que esses jogadores podem acabar saindo na frente dos do trio anterior. Nomes como Kai Jones, Keon Johnson, Jalen Johnson, Scottie Barnes e Jonathan Kuminga em geral são considerados abaixo dos Jalens e de Mobley por carregarem mais risco: são atletas mais crus, mais longe de contribuir no curto prazo e com mais questões sobre seu desenvolvimento, aumentando a chance de que acabem não rendendo na NBA. Mas o reverso da moeda é que, se times estão em busca daqueles que podem acabar virando as maiores estrelas no futuro, esses nomes podem acabar tendo um apelo que os outros (tirando Cade e Green) talvez não tenham.

Jogadores nesses moldes de "muito cru, alto potencial" em geral são aqueles extremamente atléticos, com as ferramentas brutas, mas poucos componentes técnicos definidos... o que até é verdade em certo ponto com esses cinco, mas é injusto se limitar a esse estereótipo. Jones, o pivô, talvez seja quem mais se encaixa nessa descrição, mas os outros são alas que trazem bem mais para a mesa do que só um corpo atlético (embora também tragam isso - Keon Johnson quebrou o recorde histórico do combine no salto vertical): todos eles projetam como ótimos e versáteis defensores no próximo nível, e Jalen e Barnes em especial chamam a atenção pela capacidade de passes e de armação vindas da ala.

Entre eles, Kuminga parece ser de modo geral o mais bem cotado: apesar da inconsistência, ele mostrou muita promessa criando o próprio arremesso na G-League e parece ser mais uma questão de refinar o arremesso e criar consistência para utilizar todas suas habilidades de forma eficiente do que outra coisa - não à toa você chega a ver ele saindo até mesmo no #2 ou #3 em algumas listas.

4. Os "glue guys"

O termo "glue guy" é usado na NBA para designar aqueles jogadores que não são estrelas, não são os que vão dominar a bola e mudar o jogo, mas que ocupam os espaços menores, realizam o trabalho sujo e fazem todas as outras peças do time se encaixar ao seu redor.

Essas em geral não são as escolhas mais "sexy" do Draft, mas eu admito que são as que eu particularmente gosto depois das grandes estrelas. Não são os jogadores que ganham títulos sozinhos, mas são fundamentais para qualquer time de sucesso - e, embora associemos times na loteria com tentativas de achar grandes craques, por vezes você precisa de um cara assim para dar sentido ao elenco como um todo.

Alguns nomes têm aparecido como potenciais escolhas de loteria que se encaixam aqui. O mais bem cotado é o armador Davion Mitchell, de Baylor, melhor jogador do time campeão da NCAA que pode passar batido pela idade (22 anos), mas é um dos jogadores mais prontos da classe, um defensor de elite e bom criador que arremessou 45% de três pontos em 2022. Corey Kispert, ala de Gonzaga, também é bem cotado como um excelente e versátil arremessador nos moldes de Joe Harris.

Mas o meu favorito nessa categoria é Franz Wagner, irmão de Moe Wagner, ala-pivô da NBA e visto pela última vez massacrando o Brasil em Split. Wagner, para mim, é o glue guy perfeito para a NBA moderna: capaz de jogar nas duas posições de ala e até de pivô, bom arremessador, excelente passador, QI de basquete gigantesco e um dos melhores defensores fora da bola dessa classe. Não é o tipo de jogador que vai ter muitas estatísticas e chamar a atenção, mas vai encaixar em qualquer time, fazer de todos ao seu redor melhores e dar sentido a qualquer elenco.

5. Mistérios internacionais

Todo Draft da NBA tem sua cota de prospectos internacionais que são menos conhecidos do público americano, mas essa talvez seja uma das classes mais polarizadoras;.tTrês jogadores de fora dos EUA são cotados como escolhas de loteria esse ano, e as opiniões sobre todos são bem diversas.

O principal deles talvez seja Josh Giddey, e dependendo de quem você perguntar ele merece ser uma escolha Top5 do Draft ou sair da primeira rodada. Um armador de mais de 2m de altura, Giddey é um excelente passador e criador cujo tamanho e conjunto de habilidades faz alguns compararem seu jogo a Ben Simmons; outros, no entanto, apontam para sua capacidade atlética mediana, arremesso ruim e problemas defensivos e colocam ele como um jogador que dificilmente vai se adaptar ao jogo da NBA, muito menos ser um titular. Alperen Sengun, pivô turco, tem questões semelhantes: um jogador extremamente técnico e produtivo no garrafão que foi MVP da liga turca aos 18 anos, mas oferece problemas defensivos e atléticos que fazem alguns questionarem se ele vai ser capaz de ficar em quadra o suficiente para que suas inegáveis qualidades impactem o jogo. Usman Garuba, pivô do Real Madrid, é quem parece ter menos essas questões e uma avaliação mais definida como defensor e reboteiro, mas ainda bastante cru.

6. Os brasileiros

Dois brasileiros tem chances reais de serem selecionados esse ano: Caio Pacheco, armador de Murcia, e Gui Santos, ala do Minas. E embora o primeiro seja tratado como improvável de ser escolhido no momento, o segundo tem atraído bastante atenção dos times da NBA: olheiros de quatro times entraram em contato comigo para saber mais a respeito do ala, e embora seja incerto se o interesse se estenda a uma escolha de primeira rodada ou garanta uma escolha de Draft em um ano tão disputado - a última simulação da ESPN americana não tem o brasileiro sendo escolhido no momento - mais de uma pessoa interna já me disse que acredita que tem boas chances de Gui ser selecionado caso mantenha seu nome no recrutamento - ou até mesmo que saia na primeira rodada caso entre apenas em 2022. Ficamos na torcida!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL