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REPORTAGEM

Por que o GP de Mônaco corre o risco de deixar o calendário anual da F1

Carlos Sainz em ação no GP de Mônaco de Fórmula 1 em maio de 2021 Imagem: Dan Istitene/Formula 1 via Getty Images
Julianne Cerasoli

Colunista do UOL

27/05/2022 04h00

A Fórmula 1 chega a Mônaco neste final de semana sem saber qual será o futuro de sua corrida mais famosa a partir do ano que vem. Sem contrato, a prova sofre pressão da categoria para desistir das regalias que tem, e para mudar a fim de oferecer um espetáculo melhor na pista.

Do lado dos organizadores, o presidente do Automóvel Clube de Mônaco, Michel Boeri, negou em abril que a prova deixará de ser realizada, e na época disse que o contrato estava perto de ser finalizado. "Foi sugerido que as demandas da Liberty Media eram muito excessivas para Mônaco e que o GP não seria mais realizado. Isso não é verdade. Ainda estamos conversando com eles e posso garantir que o GP vai acontecer além de 2022. Não sei se o contrato será por três ou cinco anos, mas é uma questão de detalhe."

Mesmo após as declarações, as conversas sobre pelo menos uma mudança no status de Mônaco não cessaram no paddock. Atualmente, o GP tem um arranjo especial, com o pagamento de uma taxa anual para a realização da prova abaixo de 10 milhões de dólares por ano, ou seja, menos da metade dos outros eventos na Europa e muito menos que os GPs fora do continente desembolsam. Além disso, as placas de publicidade são comercializadas pela ACM, e não pela Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da F1, como ocorre pelo menos com as principais placas das outras provas.

Na avaliação da Liberty, Mônaco entrega muito pouco em troca das regalias comerciais que tem, lembrando que eles começaram a pagar para receber a prova recentemente, tendo promovido o GP de graça por décadas.

Embora seja a corrida mais glamourosa do calendário, as provas em si não costumam ser muito emocionantes. Com os carros da Fórmula 1 aumentando de tamanho, as ruas do Principado acabaram ficando pequenas para que dois carros possam dividir a maioria das curvas. Além disso, muito da emoção nas corridas nos últimos anos vem do desgaste de pneus, e ele é muito baixo em um circuito que não tem curvas rápidas.

Para as equipes, Mônaco também representa um gasto extra, com asas sendo produzidas especialmente para as ruas de Monte Carlo. Mesmo que a F1 tenha vários outros circuitos de rua no calendário, todos eles têm velocidade média muito superior, então as configurações usadas lá são muito específicas. Em tempos de contas apertadas devido ao teto de gastos e inflação, também existe a pressão dos times para que, se Mônaco continuar no calendário, o acordo tem de ser mais favorável que o atual.

Mônaco pode entrar em um rodízio

Circuito de Spa-Francorchamps, no treino de classificação do GP da Bélgica Imagem: Reprodução/@F1

Uma solução possível é fazer do GP de Mônaco um evento bienal. Assim, a prova tradicional continuaria no calendário e o impacto financeiro negativo para a F1 e as equipes seria diluído. Este caminho está sendo estudado pela Liberty Media para vários eventos, a fim de atender às demandas de novos (e velhos) eventos que estão tentando entrar em um calendário que já está no limite.

Já existe a confirmação de que Qatar e Las Vegas entram no calendário ano que vem. Além disso, não se sabe se a China já terá as fronteiras abertas e poderá voltar. Das provas que estavam no calendário original de 23 GPs deste ano, só a Rússia está fora por enquanto. Ou seja, no momento, o calendário de 2023 teria 25 GPs com o retorno da China.

Isso vai além dos 24 GPs que o Pacto da Concórdia coloca como limite, ainda que as equipes, preocupadas com os gastos e com a dificuldade de logística, não queiram chegar a tanto. E é aí que entra a possibilidade de haver eventos acontecendo a cada dois anos, alternando com outras provas.

Na Europa, com a entrada de Audi e Porsche a partir de 2026, aumenta a pressão pelo retorno do GP da Alemanha, na mesma medida que as provas da Bélgica e da França também poderiam perder seu caráter anual. E a F1 ainda busca uma solução para acomodar a África do Sul no calendário, provavelmente a partir de 2023, além de estudar uma expansão na China.

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