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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Leclerc mantém discurso confiante após perder a liderança da Fórmula 1

Charles Leclerc abraça mecânicos da Ferrari após o abandono no GP da Espanha - Reprodução/F1TV
Charles Leclerc abraça mecânicos da Ferrari após o abandono no GP da Espanha Imagem: Reprodução/F1TV
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

25/05/2022 04h00

Depois do GP da Austrália, Max Verstappen dizia que "nem dá para pensar em campeonato agora, temos que focar em terminar corridas". Isso porque ele tinha tido problemas em duas das três provas disputadas até ali, e via a Red Bull gastar mais pneus que a rival Ferrari. Com isso, a vantagem de Charles Leclerc na liderança do campeonato era de 46 pontos em relação a Verstappen, que era sexto. E a Red Bull tinha 49 pontos a menos que o time italiano.

Mas o jogo virou completamente de lá para cá. Verstappen foi perfeito na Emilia Romagna, vencendo a sprint, o GP e fazendo a volta mais rápida. Aquela prova foi o primeiro sinal de que a tática de trazer atualizações menores, mas mais constantes, estava ajudando a Red Bull. O RB18 foi perdendo peso e ficando mais leve com os pneus e ainda mais rápido nas retas, acabando com a vantagem que a Ferrari tinha no ritmo de corrida no começo do ano. Essa tendência se acentuou quando fez muito calor em Miami, e Leclerc não teve resposta para Verstappen.

O campeonato saiu de Miami com Leclerc e a Ferrari ainda na ponta (19 pontos de vantagem no campeonato de pilotos e apenas seis no de construtores, em que a Scuderia tem sofrido para marcar com ambos os pilotos). Na etapa seguinte, em Barcelona, o time italiano levaria sua primeira atualização desde o lançamento do carro, visando diminuir o porpoising e melhorar a velocidade de reta.

verstappen espanha - LLUIS GENE/AFP - LLUIS GENE/AFP
Max Verstappen comemora vitória no GP da Espanha no pódio
Imagem: LLUIS GENE/AFP

As novidades não funcionaram de cara, mas o time mudou o acerto do carro ao longo do final de semana e as coisas se encaixaram melhor. A velocidade de reta foi muito parecida com a da Red Bull em Barcelona, o que é o primeiro ponto positivo. No sábado, contudo, não deu para saber quem tinha o carro mais rápido: o DRS de Verstappen falhou na última volta rápida e Leclerc fez a pole.

No domingo, os temores de que os pneus da Ferrari iriam se desfazer em poucas voltas também não se confirmaram com Leclerc, sempre mais à vontade com o carro que Sainz. Ele abriu 2s para Verstappen nas oito primeiras voltas, e depois o holandês escapou e caiu para quarto. Podendo controlar o ritmo, Leclerc foi um dos últimos a parar e já tinha aberto 12s de vantagem antes de ter uma falha em seu turbo.

É difícil prever o que aconteceria no GP da Espanha sem a escapada de Verstappen e a quebra de Leclerc. Mas o que o início da corrida mostrou é uma Ferrari mais veloz de reta e mais inteira com os pneus, voltando a equilibrar o jogo com a Red Bull.

"Honestamente, as coisas estavam indo muito, muito bem", disse Leclerc quando perguntado se sentia que poderia ter vencido a prova sem a quebra. "Acho que seria difícil para eles chegarem porque eu tinha uma vantagem e o nível de degradação era muito bom, eu inclusive consegui dar mais voltas do que eles. No geral, acho que tinha a corrida sob controle."

Com o abandono do monegasco e a vitória de Verstappen, sua terceira seguida, Leclerc agora está a seis pontos do holandês no campeonato, e a Ferrari tem 26 de desvantagem, já que a Red Bull fez a dobradinha e a volta mais rápida em Barcelona.

Mesmo assim, Leclerc disse que saiu mais satisfeito da Espanha do que das últimas duas provas. "Acho que vários sinais foram positivos: nosso ritmo em classificação, o novo pacote funcionando como esperado, nosso ritmo de corrida, gerenciamento de pneus depois de duas corridas em que sofremos em comparação com a Red Bull. São vários os pontos positivos."

Por outro lado, Leclerc terá que enfrentar Verstappen basicamente com este mesmo carro até pelo menos o começo de julho, como avisou o chefe Mattia Binotto. "O teto de gastos está ditando o que vamos fazer. Não podemos desperdiçar dinheiro, então vamos trazer novidades quando tivermos algo significativo. Então algo mais importante só vai chegar lá pelo GP da Grã-Bretanha."

Neste fim de semana, Leclerc e Verstappen se encontram em um circuito bem diferente: em Mônaco. Em teoria, a Ferrari tem vantagem em curvas mais lentas, mas por outro lado, o piloto da casa enfrenta o fantasma de nunca ter terminado uma corrida em Mônaco.