PUBLICIDADE
Topo

Pole Position

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Carros já recuperaram mais da metade do rendimento perdido com novas regras

Daniel Ricciardo, da McLaren, durante primeiro dia de testes da pré-temporada da Fórmula 1 - Mazen MAHDI / AFP
Daniel Ricciardo, da McLaren, durante primeiro dia de testes da pré-temporada da Fórmula 1 Imagem: Mazen MAHDI / AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

18/03/2021 04h00

Muito se fala da redução de pressão aerodinâmica de 10% nos carros da Fórmula 1 neste ano por força de um regulamento que tentava deixá-los mais lentos, mas não deve demorar muito para os engenheiros compensarem totalmente o que foi perdido. Dados preliminares da Pirelli dão conta de que, antes mesmo de a temporada começar, mais da metade já foi recuperado.

"Não estou surpreso com a quantidade de pressão aerodinâmica que eles conseguiram recuperar, mesmo já para o começo da temporada, porque sabemos que eles são muito bons em fazer isso. Também estou contente pela decisão que tomamos ano passado, junto com a F1, FIA e as equipes, em trabalhar em duas direções paralelas: uma reduzindo pressão aerodinâmica dos carros, e outra melhorando a construção do pneu para que ela possa lidar com as forças maiores que provavelmente vamos ver na segunda metade do ano. Foi a decisão correta porque agora temos pneus mais robustos e carros que provavelmente serão tão rápidos quanto ano passado", disse Mario Isola, diretor de competições da Pirelli, fornecedora única de pneus da F1.

A ideia desse conjunto de modificações nos carros — nos assoalhos, dutos de freio e difusores — e na construção dos pneus, que ganharam mais 4mm de altura nas laterais, era impedir problemas de integridade com os pneus ao longo da temporada 2021, que será a terceira dessa mesma geração de compostos. Eles foram projetados para fazer só a temporada 2019, mas acabaram continuando primeiro por uma opção das equipes em 2020, e depois por conta da pandemia, que atrasou tanto a adoção de um novo regulamento para os carros, quanto dos pneus de 18 polegadas, que estreiam em 2022.

No entanto, para que os pneus aguentassem, era necessário frear um pouco os carros, prevendo que os times conseguiriam encontrar formas de melhorar ainda mais o rendimento. Quanto mais rápidos os carros, mais estresse os pneus sofrem.

Então é por isso que, mesmo já vendo que as equipes recuperaram até 6% do que foi tirado em termos de pressão aerodinâmica, a Pirelli está satisfeita, já que, pelo menos, os carros não estão começando o ano mais rápidos que terminaram 2020.

"Comparado com o plano inicial de ter uma redução de pressão aerodinâmica de cerca de 10%, como as equipes trabalharam muito para recuperar isso, a redução que vimos foi de cerca de 5 a 4%. Então eles já conseguiram recuperar parte dessa pressão aerodinâmica", disse Isola.

"Olhando os tempos que eles conseguiram fazer no último dia de testes, a diferença é muito pequena. Se levarmos em consideração que as condições de pista não eram perfeitas e também o nível de combustível, não acho que vimos uma grande diferença de performance em relação ao ano passado."

O melhor tempo dos testes, que foram realizados na mesma pista, no Bahrein, da antepenúltima etapa do campeonato passado, foi de Max Verstappen, da Red Bull. O holandês fez 1min28s960, 1s7 mais lento que a pole position de Lewis Hamilton na corrida realizada no fim de novembro. Corrigindo, como mencionou Isola, a quantidade de combustível estimada e levando em conta as diferentes condições de pista e de vento, calcula-se que os carros já estejam a menos de 1s, talvez até a apenas 0s6, dos tempos do final do ano passado.