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Pilotos esperam "caos" em primeiros GPs após 4 meses longe de carros novos

Temporada 2020 da F1 vai começar mais de 7 meses depois do fim da última - Clive Mason/Getty Images/AFP
Temporada 2020 da F1 vai começar mais de 7 meses depois do fim da última Imagem: Clive Mason/Getty Images/AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

09/06/2020 04h00

A pandemia do coronavírus colocou os pilotos da Fórmula 1 em uma posição inédita em suas carreiras: a maioria vai para a primeira corrida da temporada, dia 5 de julho, sem ter pilotado um carro por mais de quatro meses e todos chegarão ao circuito Red Bull Ring, na Áustria, tendo andado muito pouco com o modelo deste ano.

A Fórmula 1 proíbe que as equipes organizem seus próprios testes com carros atuais. Junte-se a isso o fato de a categoria ter tido uma pré-temporada mais curta que normalmente, com apenas seis dias, em fevereiro, e tem-se a medida de como os pilotos chegarão às primeiras etapas muito menos preparados que o normal.

Há duas preocupações principais: ainda que seja possível se preparar fisicamente para pilotar, há alguns músculos, principalmente no pescoço, que são solicitados de uma maneira bem particular. É comum, por exemplo, que os pilotos tenham dores musculares nos primeiros dias de testes, então dificilmente andam dois dias seguidos. Mas a pré-temporada é realizada menos de três meses depois do final do campeonato anterior, ou seja, o intervalo é menor do que o que eles vão enfrentar.

"A gente nunca passou tanto tempo longe dos carros", admitiu Sergio Perez, da Racing Point, equipe que tem grandes esperanças de fazer sua melhor temporada na F1. "Fisicamente será muito duro e estou trabalhando forte nisso".

E não haverá tempo para descansar os músculos, uma vez que serão oito corridas em dez finais de semana seguidos.

Outra preocupação é com o ?ritmo de jogo?. Mesmo que a maioria dos pilotos do grid tenha passado grande parte desse período de espera pelo início da temporada nos simuladores em suas casas, a adrenalina não é a mesma. E Daniel Ricciardo, da Renault, acredita que alguns vão voltar até com excesso de vontade.

"Acho que vai ser um caos porque vai ser uma junção entre estarmos ?enferrujados?, de emoções, empolgação, vontade pura. Acho que vamos ver que alguns caras conseguem ir bem com esse nível alto de adrenalina, e alguns talvez não."

Charles Leclerc, da Ferrari, também acha que será essa parte mental será a mais difícil. "Focar, se colocar na bolha em que você precisa estar antes de entrar no carro, são coisas que é difícil voltar a fazer depois de ficar tanto tempo longe. E, com menos corridas no calendário, os pilotos vão querer assumir mais riscos. Então poderemos ter surpresas e pode ser empolgante de assistir."

Muitos pilotos vão 100% 'verdes'

Enquanto a Ferrari e a Mercedes já organizaram testes com carros de três temporadas atrás, como prega o regulamento, a maioria dos pilotos vai para o GP da Áustria tendo pilotado pela última vez na última semana de fevereiro.

No caso de Red Bull, AlphaTauri e McLaren, não será possível fazer testes uma vez que as equipes mudaram de fornecedor de motores de 2018 para cá. Red Bull e AlphaTauri foram do Renault para o Honda, e a McLaren fez o caminho contrário. Já a Renault deve optar por não ir à pista porque, com a equipe dividida entre a França e a Inglaterra, sofre a barreira da quarentena imposta pelo governo britânico para todas as chegadas ao país a partir desta segunda-feira.

Sabendo que seu time, que ainda por cima não passa por um bom momento financeiramente, não promoveria um teste, o piloto da McLaren Lando Norris alugou um carro da Fórmula 3 e fez um teste privado na semana passada. Mas os demais devem ir para o Red Bull Ring sem experiência de pista.

Até o momento, apenas a Mercedes e a Ferrari confirmaram que farão testes antes do início da temporada. E os atuais campeões do mundo saem na frente, com Valtteri Bottas andando nesta terça-feira em Silverstone e Lewis Hamilton assumindo o cockpit na quarta-feira. Os testes da Ferrari deverão ser realizados na pista de Fiorano, ao lado da fábrica da equipe, na Itália.

No momento, a Fórmula 1 tem apenas oito etapas confirmadas, mas pretende chegar a 18 GPs no ano. Estão marcados dois GPs na Áustria (5 e 12 de julho), o GP da Hungria em 19 de julho, dois na Inglaterra (26 de julho e 8 de agosto), GP da Espanha em 16 de agosto, Bélgica dia 30 de agosto e Itália dia 6 de setembro.

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