Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Lesão de Flávia impede vaga olímpica e Brasil é quarto no Mundial

Flávia Saraiva sente lesão no Mundial de Ginástica - Ricardo Bufolin/CBG
Flávia Saraiva sente lesão no Mundial de Ginástica Imagem: Ricardo Bufolin/CBG

01/11/2022 17h48

A lesão no tornozelo direito sofrida por Flávia Saraiva nas eliminatórias impediu que o Brasil brigasse por uma vaga olímpica pelo Mundial de Ginástica Artística de Liverpool, na Inglaterra. Terceiro na fase de classificação, o time brasileiro sentiu a falta de Flavinha, que só se apresentou nas barras assimétricas, mas ainda assim terminou a final por equipes em um histórico quarto lugar. É a melhor campanha da história, superior à quinta colocação de 2007. O torneio deste ano não conta com a Rússia, uma das potências do esporte.

EUA, Inglaterra e o surpreendente Canadá, que ficaram nas três primeiras colocações, já estão garantidos em Paris-2024. O sonho não acabou para o Brasil, porém, já que outras seis vagas por equipes serão distribuídas no Mundial do ano que vem. E o planejamento da comissão técnica sempre foi conquistar a vaga em 2023, de qualquer forma.

Mas o Brasil tinha chance real de antecipar a classificação em Liverpool, o que ficou claro nesta terça (1). O Canadá, que havia avançado à final em último, ficou apenas 0,9 pontos à frente da equipe brasileira, que somou 159,661 pontos. Se tivesse competido só no solo, por exemplo, repetindo a nota das eliminatórias, Flavinha teria dado 1,8 pontos a mais para o Brasil. No total, a ausência dela tirou cerca de 3,5 pontos da equipe.

Esta é a segunda vez seguida que dores no tornozelo direito afetam a participação de Flávia Saraiva em um torneio importante. Nas Olimpíadas de Tóquio, ela também reclamou de lesão na fase de classificação. Naquela oportunidade, ela foi poupada no individual geral visando a final da trave, nove dias dois. Agora, eram só dois dias entre a lesão, domingo, e a final por equipes de hoje.

Havia a expectativa de que Flávia pudesse se apresentar nos quatro aparelhos nesta final, mas na véspera do inicio da competição a CBG informou que ela seria poupada, por não se sentir segura. Flavinha se apresentou nas assimétricas, que só exige impacto no tornozelo na saída do exercício, mas não nos outros aparelhos.

A decisão também tem a ver com o planejamento da seleção brasileira, que sempre foi brigar pela vaga olímpica no Mundial do ano que vem, quando estarão em jogo credenciais para seis equipes. Tanto é que Jade Barbosa não foi escalada para participar do Mundial deste ano, já pensando em tê-la inteira em 2023.

Há um grande temor que, na ânsia de buscar a vaga olímpica agora, as ginastas brasileiras sofram lesões graves e percam a ótima oportunidade de conquistar a vaga no ano que vem. Foi o que aconteceu entre 2018 e 2019. De candidato a medalha, o Brasil terminou o último Mundial do ciclo com um modesto 14º lugar, sem vaga olímpica, exatamente porque "estourou" sua equipe.

Assim, hoje, Flávia só competiu nas assimétricas, e bem. Com a ajuda dela, o Brasil somou 41,499 pontos, melhorando em 0,4 pontos a apresentação da classificação. Mas, na trave, isso não se repetiu. Julia Soares teve uma queda, assim como Rebeca Andrade, que de resto fez apresentação de alto nível. Carolyne Pedro não errou, e, com 11,966 dela, o Brasil somou 37,332 no aparelho. Com isso, o Brasil perdeu 1,4 ponto na comparação com as eliminatórias.

Mas onde a ausência de Flávia foi mais sentida foi o solo. Líder da classificação geral nas eliminatórias, ela foi substituída por Carolyne Pedro, que não foi mal, mas teve nota 1,8 ponto pior. Mesmo assim, a equipe chegou ao último aparelho sonhando com medalha. Precisava ir bem no salto, o que alcançou, mas que Japão e Canadá cometessem muitas falhas. As japonesas de fato tiveram muitos problemas, com uma nota 9,4 nas assimétricas, mas Ellie Black deu o bronze para as canadenses na trave.

O Brasil tem grandes chances de medalha na quinta, na final do individual geral, prova que define a ginasta mais completa. Rebeca Andrade sobrou na fase de classificação e, mesmo sofrendo uma queda na trave hoje, somou acima de 56,6 pontos, melhor do que qualquer rival fez nas eliminatórias — na final de hoje, nenhuma americana se apresentou nos quatro aparelhos.