PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Assembleia Legislativa de SP barra homenagem a Maurício Souza

Maurício Souza em ação pela seleção brasileira de vôlei - Instagram/mauriciosouza17
Maurício Souza em ação pela seleção brasileira de vôlei Imagem: Instagram/mauriciosouza17
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

04/05/2022 19h51

A Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) barrou uma homenagem ao jogador de vôlei Maurício Souza, que estava marcada para a próxima segunda-feira (9). Apesar de um debate entre deputados de esquerda e de direita se ele foi ou não homofóbico, a razão do veto é Mauricio ser declaradamente candidato a deputado federal pelo PL de Minas Gerais.

A reportagem apurou que houve, recentemente, a tentativa de se homenagear o ex-ministro Tarcísio Freitas, que é pré-candidato ao governo de São Paulo pelo Republicanos. Na ocasião, a consultoria jurídica da ALESP emitiu parecer recomendando a não aprovação da honraria a Tarcísio, por conflitos com a legislação eleitoral.

Esse mesmo parecer foi usado pela Mesa Diretora da ALESP para vetar a homenagem a Maurício. Por indicação da deputada Letícia Aguiar (PP), que exaltou sua "coragem" em se posicionar criticando um beijo gay entre dois personagens de desenho em quadrinhos, ele receberia na segunda-feira o Colar de Honra ao Mérito Legislativo. Criada em 2005, a honraria homenageia pessoas que "tenham atuado de maneira a contribuir para o desenvolvimento social, cultural e econômico" do estado de São Paulo.

Diferente de outras homenagens, que são debatidas em plenário e têm toda sua tramitação publicada no site da ALESP, as burocracias referentes à entrega do Colar correm por um sistema interno chamado ALESP Sem Papel. Assim, deputados de oposição só souberam da homenagem a Maurício quando ela foi anunciada pela assessoria de imprensa da deputada bolsonarista, no fim da semana passada.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Emídio de Souza (PT) enviou na segunda-feira (2) um ofício ao presidente da casa, Carlão Pignatari (PSDB), pedindo que fosse vetada a homenagem. "É lamentável a tentativa de distinção a um indivíduo que ganhou destaque em razão de seu discurso divisivo de ódio e intolerância contra uma minoria. Diferentes estatísticas apontam o Brasil como um dos países com maior incidência de violência contra a comunidade LGBTQIA+. A democracia requer o convívio respeitoso entre os diferentes e nossa Constituição assegura direitos iguais a todas às pessoas", escreveu.

Outros deputados, como Erica Malunguinho (PSOL) se movimentaram no mesmo sentido, e alegam ter ouviram de Pignatari que ele vetaria a homenagem, que ainda não havia sido aprovada. Pelo ato que instituiu o Colar, cabe a cada deputado a indicação, mas é a Mesa Diretora quem delibera a concessão da honraria. Depois, cabe ao presidente convocar a Sessão Solene.

Mais cedo, foi incluída agenda disponível no site da Assembleia a realização de uma sessão solene para entregar o Colar a Maurício, a Tutinha, diretor-presidente da Jovem Pan, e ao padre Antônio Maria. Também nesta tarde, o presidente de ALESP e os dois secretários da mesa, Luiz Fernando (PT) e Rogério Nogueira (PSDB), assinaram a suspensão da homenagem a Maurício. A agenda foi alterada em seguida, retirando o nome do jogador de vôlei e incluindo o médico Francisco de Agostinho Júnior, também por indicação de Letícia Aguiar.

Procurada, a deputada disse que não foi informada sobre a decisão da Mesa. "Repudiamos veementemente a tentativa da esquerda de impedir esta deputada de exercer seu mandato. Atitude antidemocrática, ditatorial, e persecutória. Isso tudo seria medo, porque eu e o Maurício somos bolsonaristas?", questionou Aguiar, que diz que decidiu homenagear Maurício por ele "se posicionar em defesa da infância e juventude" e por seu "valoroso histórico no esporte brasileiro".

Maurício teve seu contrato rescindido pelo Minas Tênis Clube depois de postar no Instagram um desenho, do gibi do Super Homem, em que o personagem beija outro homem, e criticar: "Ah, é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar", escreveu. Depois de deixar o clube mineiro, ele oficializou sua entrada na política partidária, filiando-se ao PL.