PUBLICIDADE
Topo

Olhar Olímpico

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Vôlei testa em massa e descobre explosão de casos de covid após festas

Jogo da Superliga Feminina em Saquarema - Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Jogo da Superliga Feminina em Saquarema Imagem: Wander Roberto/Inovafoto/CBV
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

04/01/2022 16h51Atualizada em 05/01/2022 11h58

Uma rodada voluntária de testes de covid realizada pelos principais clubes de vôlei feminino do país reforça a sensação, ainda não identificada em números oficiais, de que o Brasil está vivendo uma forte onda de infecção pelo coronavírus. Quatro dias depois do Réveillon, mais de 30 pessoas, entre jogadoras e membros de comissão técnica, estão afastados. A tendência é que toda a próxima rodada da Superliga seja adiada.

No Sesc-RJ/Flamengo, do técnico Bernardinho, em um grupo de 25 pessoas, entre atletas e comissão, são 10 pessoas contaminadas. Duas atletas testaram positivo após o Natal, e os demais depois do Réveillon. A partida contra o Sesi-SP/Bauru, que seria na sexta-feira (7), já foi adiada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

A entidade não exige testagem regular no protocolo sanitário desta edição da Superliga, mas, por precaução, vários clubes realizaram uma rodada de testes depois do Natal e, novamente, depois do Réveillon. Neste período de festas, as atletas recebem folga e viajam para encontrar amigos e familiares, como acontece com boa parte dos brasileiros. Na volta, os casos de covid explodiram.

No Country Club Valinhos, de 20 pessoas testadas, cinco estão com covid. No Curitiba Vôlei, são sete contaminadas entre atletas e comissão técnica, após três rodadas de testes desde o Natal. O Osasco/São Cristóvão Saúde anunciou cinco testes positivos, sendo quatro de atletas, em um grupo de 30 pessoas. O Sesi/Bauru tem quatro atletas positivadas, mas não informou o número de testes realizados.

Dos clubes que já atenderam pedido da reportagem do Olhar Olímpico e repassaram informações sobre as testagens recentes, só o Barueri, de José Roberto Guimarães, não teve resultados positivos, em um grupo de 26 pessoas. O Minas Tênis Clube ainda não testou em 2022, mas tem duas atletas afastadas. Uma por ter tido contato com pessoa positivada. Outra, da base, por estar com sintomas leves. O elenco será testado entre hoje e amanhã.

Líder da competição, o Dentil/Praia Clube optou por testar somente quem tinha sintomas gripais, alegando que todos do elenco estão vacinados — os três testes deram negativo, mas uma jogadora foi afastada por precaução. O clube não testou assintomáticos. O Pinheiros não respondeu se testou todo o elenco e disse que "registrou alguns casos positivos para covid 19 no período de recesso entre os dias 22 e 27 de dezembro". A coluna apurou que na última partida antes do recesso, quatro atletas estavam afastadas.

Segundo o mais recente levantamento do consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte, foram confirmados 17.341 diagnósticos do novo coronavírus no Brasil de domingo (2) para segunda (3), enquanto diversos países batem recordes de novos casos em meio à chegada da variante Ômicron. Nos Estados Unidos, houve mais de 1 milhão de confirmações no domingo.

A principal hipótese defendida por especialistas é que o Brasil vive uma onda silenciosa, que não aparece nas estatísticas por falta de testagem. Em capitais como São Paulo é difícil conseguir realizar testes mesmo os particulares em farmácias, que estão com agenda cheia por dias.