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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Morre dirigente do atletismo que teria vendido votos para Rio ter Olimpíada

Lamine Diack é presidente da IAAF - Jonathan Ferrey/Getty Images
Lamine Diack é presidente da IAAF Imagem: Jonathan Ferrey/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

03/12/2021 12h22

Uma semana depois de Carlos Arthur Nuzman e Sergio Cabral serem condenados em primeiro grau pela suposta compra de votos para que o Rio fosse escolhido como sede da Olimpíada de 2016, o dirigente que teria negociado esses votos, o senegalês Lamine Diack, faleceu aos 88 anos.

O cartola que foi, por 16 anos, o homem forte da Federação Internacional de Atletismo (antiga IAAF, hoje chamada World Athletics), foi apontado por denúncia do Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro como o responsável por solicitar US$ 2 milhões para orientar votos de dirigentes africanos na eleição olímpica realizada em 2009.

A verba teria sido, então, solicitada por Nuzman ao governador Sergio Cabral, que teria remetido o pedido ao empresário Arthur Soares, que teria sido o responsável por pagar a quantia a Diack. O Rio foi escolhido sede dos Jogos de 2016 independente desses votos, com larga vantagem.

Primeiro (e único) não europeu a comandar a entidade do atletismo mundial (de 1999 a 2015), prefeito de Dacar entre 1978 e 1990 e parlamentar no Senegal entre 1978 a 1993, Diack viu sua carreira política desmoronar nos últimos anos.

No final de seu quarto mandato, surgiram as primeiras suspeitas de uma cultura de corrupção bem estabelecida, com ramificações familiares. Ele e seu filho Papa Massata, ex-conselheiro de marketing da IAAF, foram julgados e condenados em Paris por corrupção e lavagem de dinheiro. Lamine, o dirigente que morreu hoje, foi condenado quatro anos de prisão, mas não chegou a ir para atrás das grades e havia apresentado recurso.

O clã Diack foi acusado de ter adiado sanções disciplinares contra atletas russo suspeitos de doping em troca de renovações de contratos de patrocínio e de exibição na TV para o Mundial de Moscou-2013 e de recursos do governo russo para financiar a oposição ao presidente Abdoulaye Wade durante as eleições de 2012 no Senegal, vencidas por Macky Sall.

Lamine Diack faleceu em Dacar, no Senegal, para onde voltou em maio passado, pisando em seu país pela primeira vez desde o início de sua derrocada, em 2015. Além dos votos para o Rio, Diack também teria aceitado suborno para Londres ficar com o Mundial de 2017 e para Tóquio ser escolhida para organizar a Olimpíada de 2020.