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OPINIÃO

Patrocinadores peitam Minas após clube passar pano para homofobia

Maurício Souza Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

26/10/2021 14h37Atualizada em 26/10/2021 21h14

Um dia depois de o Minas Tênis Clube defender o direito de o central Maurício Souza publicar mensagens homofóbicas em suas redes sociais, os dois principais patrocinadores do time soltaram duras notas cobrando urgentemente a adoção das "medidas cabíveis" contra o jogador. O Minas tem sido fortemente criticado pela comunidade de fãs de vôlei pela falta de punição a Maurício, e as críticas atingem também a Fiat e a Gerdau, seus principais patrocinadores. À noite, o Minas informou que Maurício será afastado e multado.

"Em relação às recentes declarações do jogador Maurício Souza, da equipe de vôlei Fiat/Minas/Gerdau, a Fiat declara repúdio a toda e qualquer expressão de cunho homofóbico, considerando inaceitáveis as manifestações movidas por preconceito, ímpeto desrespeitoso ou excludente (...). A Fiat repudia qualquer tipo de declaração que promova ódio, exclusão ou diminuição da pessoa humana e espera que a instituição tome as medidas cabíveis e necessárias no espaço mais curto de tempo possível", diz a nota da Fiat.

Depois, a Gerdau se posicionou. "A Gerdau repudia qualquer tipo de manifestação de cunho preceituoso ou homofóbico. Sobre as declarações recentes do atleta Maurício Souza, jogador do Fiat/Gerdau/Minas, a empresa já pediu a posição oficial do clube sobre as tratativas necessárias ao caso para adotar as medidas cabíveis, o mais breve possível".

A empresa deixou claro, na nota, que o patrocínio aos times, que têm jogadores LGBTQIA+, estão relacionados a uma política inclusiva da metalúrgica. "A Gerdau reforça o seu compromisso com a diversidade e inclusão, um valor inegociável para a companhia. A empresa ressalta que decidiu patrocinar os times masculino e feminino do Minas também pelo poder de inclusão da modalidade, que inclui atletas que representam bem a diversidade brasileira."

Depois dessas notas públicas, e de cobranças feitas pelos patrocinadores internamente, a diretoria do Minas se reuniu na tarde desta terça-feira e decidiu pelo afastamento do jogador. A situação, contudo, ainda não está totalmente definida. Apesar da pressão sobre o clube, os demais jogadores da equipe defendem o campeão olímpico e devem se manifestar em grupo sobre o assunto.

Entenda o caso

Apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro, Maurício Souza diversas vezes postou mensagens de teor homofóbico em suas redes sociais. Em 12 de outubro, dia das crianças, ele compartilhou a reprodução de uma reportagem sobre o desenho do Superman ter se assumido bissexual com o seguinte comentário: "A, é só um desenho, nada demais. Vai nessa e vamos ver onde vamos parar". Depois, postou a foto de uma jogadora de basquete transexual dizendo: "Se você achar algum homem nessa foto você é preconceituoso, transfóbico e homofóbico".

O Minas levou quase duas semanas para se posicionar, o que o fez ontem (25), quando soltou nota na prática defendendo o central. "Todos os atletas federados à agremiação têm liberdade para se expressar livremente em suas redes sociais", defendeu o clube da alta sociedade mineira.

"O Clube é apartidário, apolítico e preocupa-se com a inclusão, diversidade e demais causas sociais. Não aceitamos manifestações homofóbicas, racistas ou qualquer manifestação que fira a lei. A agremiação salienta que as opiniões do jogador não representam as crenças da instituição sócio-desportiva. O Minas Tênis Clube pondera que já conversou com o atleta e tem o orientado internamente sobre o assunto", continuou o Minas, sem explicar por que não puniu Maurício se não aceita manifestações homofóbicas.

A postura do clube gerou uma nova onda de mensagens críticas contra o Minas nas redes sociais. Só a postagem da nota no Instagram já teve mais de mil comentários. Na tentativa de pressionar o clube, torcedores foram também nas páginas dos patrocinadores, notadamente Fiat e Gerdau, para cobrar uma postura contra Maurício Souza e a homofobia.

No momento, o Minas está em uma sinuca. Ao mesmo tempo que o central da equipe masculina, e um dos principais atletas do clube, tem posturas homofóbicas e repudia um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo, a capitã da equipe feminina de vôlei, e outras das principais estrelas do clube, Carol Gattaz, já teve relações públicas com mulheres. Também pela presença de Gattaz, parte significativa da grande torcida do clube é LBTQTIA+. No elenco do time masculino, o líbero Maique é gay.

A pressão da torcida sobre os patrocinadores, e desses sobre o clube, visa pressionar financeiramente o Minas e seus associados. Os times de vôlei do Minas estão entre as maiores folhas salariais do país, bancadas por patrocinadores. Se eles saírem, a conta de uma temporada que está só começando recairia sobre as receitas da área social, da mensalidade dos associados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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